Sweden Rock: Ano a ano, referência do verão europeu

Resenha - Sweden Rock Fest (Sölvesborg, Suécia, 10/06/2004)

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Por Thiago J. Z. Martins
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Foi a maior edição do Sweden Rock Fest. Não à toa, hoje o festival que acontece em Sölvesborg, cidade ao sul da Suécia (distante uma hora e meia de trem de Malmö, cinco horas de Gotemburgo e Estocolmo), transforma-se, ano a ano, na principal referência do verão europeu. Em 2004, pode-se dizer que a consagração definitiva aconteceu.

Praticamente 25 mil pessoas estiveram presentes ao festival. Com os ingressos esgotados já em fevereiro, a capacidade inicial de 18 mil entradas diárias foi aumentada para suportar a demanda. Mesmo assim, foi pouco, e os novos ingressos logo já estavam totalmente vendidos. Ou seja, foi um "duplo sold out". Conste que se trata de um dos festivais mais caros da Europa: o preço de 1360 coroas suecas para o acesso nos três dias - 150 euros - não é nada agradável (comparando, o Wacken completo custa 68 euros).

Ainda assim, o sucesso era mais que previsível. Os três headliners do festival não deixam nada a dever para ninguém. O tão aguardado retorno de Rob Halford ao Judas Priest já, por si só, é motivo suficiente para levar multidões a qualquer local. Havia ainda outro gigante do rock’n’roll, o Scorpions, de disco novo - finalmente voltando ao rock básico que lhe rendeu fama internacional. E, como se dois pesos pesados não fossem suficientes, outra carta na manga: a maior banda de rock da Suécia de todos os tempos, o Europe.

Cientes de que festivais não se fazem apenas com headliners, o cast contou com bandas de peso para manter o alto nível do festival. U.D.O., Nightwish, Helloween, In Flames, TNT, Testament, Öpeth, Exodus, Slade, U.F.O., Heart, Axel Rudi Pell entre tantos outros não deixaram a peteca cair e fizeram os três longos dias de festa correrem com a agitação necessária.

Obviamente, nem tudo foi perfeito. As filas foram imensas para entrar na área de shows. No primeiro dia, a espera para conseguir a pulseira do festival durava aproximadamente duas horas e meia. Nos outros, em torno de 45 minutos. E, claro, São Pedro não parecia tão feliz com os headbangers e mandou doses cavalares de água do céu para tentar frear os ânimos. Felizmente, a chuva não foi suficiente para acabar com a festa.

O festival

O festival foi dividido em cinco palcos. O Festival Stage é o palco principal, onde se apresentaram as atrações principais. Sempre o headliner do dia lá tocava sem nenhuma banda concomitante. Dois palcos secundários dividiram as atrações de segundo escalão: o Rock Stage e o Sweden Stage. Normalmente, havia duas bandas ao mesmo tempo. O Spendrups Stage (batizado pela cerveja medíocre que patrocina o festival) abre espaço para bandas menores, normalmente ascendentes ou já consolidadas com seu tamanho não tão grande. Por fim, a Rockklassikertältet, uma tenda onde bandas iniciantes independentes têm a chance de aparecer para um grande público, também é onde rolam alguns karaokês com apresentações de "air-guitar" de alguns suecos, geralmente bêbados, procurando diversão.

Existia uma tenda, como se fosse um circo, vendendo lanches e bebidas, bem como várias pequenas barraquinhas de vendas de pizzas e quase todo tipo de comida (de qualidade, no mínimo, discutível), além das lojas de cds e camisas, e estandes de uma rádio sueca. Como estamos na Escandinávia, os preços eram até aceitáveis para os nativos, mas muito salgados se pensarmos que vivemos na terra do real. Enfim, preparar-se para ir para o Sweden Rock Fest requer um bom exercício prévio de economia.

Quinta, 10 de junho

Como entrar no festival requereu uma fila demorada para pegar as credenciais e outra para entrar na área de shows, isso para não falar no trânsito para chegar lá, não foi possível acompanhar as primeiras atrações do primeiro dia. Obviamente, nem todas as atrações pareciam ser lá tão interessantes, com exceção do Astral Doors.

O The Haunted já estava quase terminando seu set quando finalmente consegui entrar e chegar ao Sweden Stage. Já havia uma razoável quantidade de pessoas acompanhando, o sol brilhava prometendo um bom dia. E os suecos mostravam seu death metal trampado com toda a classe e violência que lhes é característica. "Hate Song", "3 Times" e "God Puppet" fecharam uma apresentação bem interessante.

Em seguida, era hora de acompanhar o show do TNT. E a primeira observação a ser feita é que, mais do que um festival sueco, o Sweden Rock Fest é a grande festa de toda a Escandinávia. Os noruegueses do TNT, capitaneados pelo americano Toni Harnell, fizeram subir várias bandeiras do seu país de origem, bem como da Dinamarca, até atrapalhando a visão de quem lá estava.

O show foi empolgante. Divulgando seu novo e grandioso disco, My Religion, o TNT manteve o pique misturando clássicos como "Seven Seas", "As Far as the Eye Can See" "Intuition" a músicas mais recentes como a faixa-título do novo álbum, "She Needs Me" e "Give me a Sign". O final da apresentação foi emocionante, com o público cantando "10,000 Lovers" praticamente sozinho e "Everyone’s Star" colocando fogo nos escandinavos. Enquanto Diesel Dahl mostrava sua felicidade em retornar ao grupo, a ausência de Morty Black foi sentida, embora o baixista Sid Ringsby não tenha feito feio.

Um show morno do Paragon no Spendrups Stage foi o pressuposto para tentar me desdobrar em dois e acompanhar o Entombed e o D.A.D. (Disneyland After Dark, se preferir). A clássica banda sueca de death metal fazia uma apresentação muito boa no Sweden Stage, mas os dinamarqueses surpreendiam no Rock Stage com um show contagiante - até por estar praticamente em casa, a banda colocou todos para cantar - e não faltou a famosa "I’m Sleeping My Day Away", entre tantas outras cantadas a plenos pulmões pelo público.

O doom metal do Memory Garden no Spendrups Stage foi interessante, mas não conseguia conter os ânimos exaltados após presenciar grande parte da apresentação do D.A.D. Em seguida, Helloween e Montrose se digladiavam pelo público. Os americanos faziam seu rock’n’roll com competência no Sweden Stage, contando com Jimmy deGrasso na bateria. Não faltaram as músicas mais famosas como "Space Station no.5" e "Bad Motorscooter". Mas preferi conferir os alemães no Rock Stage.

O Helloween parece ter finalmente compreendido que é no passado que está o seu material mais cativante. Como no show do Brasil, a apresentação se iniciou com "Starlight", "Murderer" e "Keeper of the Seven Keys", além de "Future World" e "Eagle Fly Free". Obviamente, os dotes vocais de Andi Deris não fazem jus ao brilhantismo desses clássicos, mas a empolgação do público ao ouvi-los e cantá-los compensa. Como nota triste, diga-se que se executou uma das piores versões de "Dr Stein" (muito rápida e com um vocal trágico de Deris), houve uma tediosa longa interação com o público durante "Power" (maior que a já demorada usual) e um final muito pouco contagiante no bis com "Sun 4 the World", já estourando o tempo da banda e com metade da galera abandonando o palco e indo procurar bom posicionamento para o headliner do primeiro dia.

E o Judas Priest não decepcionou. Com Rob Halford nos vocais, tudo parece estar de volta ao seu devido lugar. O setlist foi pouco criativo, um apanhado dos "greatest hits" envolvendo todos os álbuns (com exceção de Rocka Rolla e Ram It Down, além, obviamente, dos gravados com Tim "Ripper" Owens), nenhuma música inesperada - talvez "Turbo Lover" tenha sido a mais inusitada, embora com uma das maiores receptividades do festival inteiro, com refrão cantado por todos a plenos pulmões.

Abrindo com "The Hellion" em playback e entrando no palco com "Electric Eye", a introdução de bateria devastadora de "Painkiller", o riff clássico de "The Ripper", a participação efusiva do público em "The Green Manalishi", "Breaking the Law" e "Livin’ After Midnight", o histórico solo de "Beyond the Realms of Death", a moto entrando no palco em "Hell Bent for Leather" e o final com "You’ve Got Another Thing Comin’", tudo que se previa estava lá, tocado à perfeição e com a voz que o imortalizou. Uma autêntica aula de heavy metal dada por um dos maiores mestres no estilo. O grande show do festival, sem dúvidas.

Sexta, 11 de junho

O segundo dia começou com um show bem animado do Pink Cream 69. Misturando músicas do novo disco Thunderdome ao material mais antigo, os alemães conduziam com maestria a platéia sueca no Rock Stage com seu hard rock. Não faltou nem referência ao Brasil aconteceu quando o vocalista David Readman anunciou "Shame on You", lembrando da reação efusiva do público tupiniquim na apresentação do grupo no End of Century Metal Fest em 1999. Até o sol sorriu para o show, num dia que seria marcado pela constante alternância climática.

Em seguida fui acompanhar o Y & T, que fez uma apresentação bastante interessante no palco principal (mais utilizado no segundo dia, visto que, no primeiro, foi exclusivo do Judas Priest). Começando com "Open Fire", não faltaram alguns dos clássicos como "Hurricane" e "Summertime Girls", além do encerramento com "Rescue Me" e "Forever". O tempo ameaçava a fechar, mas nada que ainda assustasse o público.

No Sweden Stage, a próxima atração era o Öpeth. Difíceis de serem rotulados, os suecos fizeram um dos melhores shows do festival, primoroso. Abrindo com "Master’s Apprentices", a banda deu foco nos trabalhos mais recentes, embora, do último álbum Damnation, apenas "Windowpane" e "To Rid the Disease" tenham feito parte do set, o que deixa claro ter se tratado de uma apresentação bem pesada, em que as sensacionais "Deliverance", "The Drappery Falls" e "Demon of the Fall" não fizeram falta, nem uma menção à morte de Quorthon, do Bathory, ocorrida dias antes. O Öpeth foi tão fantástico que fez até chover.

A garoa que começou timidamente após a banda sueca se transformou em tempestade durante a apresentação do Hawkwind no palco principal, o que impediu de acompanhar melhor o veterano grupo inglês. O set começou com "Assault and Battery", seguida de "The Golden Void". Dave Wyndorf e Phil Gaivano do Monster Magnet se juntaram aos ingleses para algumas músicas lá pelo meio do show que, no geral, foi até legal, mas o interesse em encontrar refúgio da chuva torrencial que castigava os suecos era a prioridade.

E não é que, quando o Testament entrava no Rock Stage com "D.N.R.", o sol resolveu voltar a brilhar? Merecidamente, pois os thrashers da Bay Área de San Francisco fizeram uma apresentação que está, com certeza, entre as melhores do festival. Sem apresentar qualquer música inédita, o set se balanceou durante toda a carreira. "Low" e "Practice What You Preach" seguiram, mostrando ter Paul Bostaph vindo para ficar e, se o mesmo não acontecer com "Metal Mike" Chlesiak, não será por culpa dele, que demonstrou extrema competência ao executar com perfeição os solos imortalizados por Alex Skolnick e James Murphy. O momento mais tocante do show foi quando, em "Burnt Offerings", Steve "Zetro" Souza foi convidado a cantar o clássico em dueto com Chuck Billy. Deixa a lágrima cair ou bangear até o pescoço doer? O público respondeu com a violência habitual que exige um show que ainda contou com "Alone in the Dark", "The Haunting", "Electric Crown", "Over the Wall" e "Disciples of the Watch".

Após uma autêntica devastação thrasher (que espantou a chuva e deixou para segundo plano a apresentação do clássico Slade no Sweden Stage), o Monster Magnet foi tedioso no palco principal, que merecia muita chuva. Não que eles sejam ruins (particularmente, não me agrada), mas de fato não é banda para festival. Estava tão chato que, no meio, foi mais interessante caminhar até o Spendrups Stage e pegar os alemães do Brainstorm, que botavam fogo nos que se atreveram a acompanhá-los. O grupo, cujo power metal tem características mais americanas que alemãs, fez uma apresentação intocável, digna de quem começa a consolidar uma ótima repercussão, e ainda merece muito mais. Destaque para o carismático vocalista Andy B. Frank e a grande música "Highs without Lows", que abriu o set com muita energia, como um bom show tem que ser.

Outra encruzilhada se pôs ao final do show do Brainstorm: Exodus ou U.F.O. - contando com Vinnie Moore nas guitarras? A resposta era dura e a raiva por ter que optar por um show desses (e a empolgação de ter visto Steve Souza quase uma hora antes) me levou ao show dos thrashers americanos. E a escolha não podia ter sido melhor!

Apresentados por Chuck Billy, os donos de um dos mais fantásticos discos lançados em 2004 não decepcionaram. Abrindo direto com a raivosa "Scar Spangled Banner", Tempo of the Damned teve muito de seu material tocado no Sweden Stage, inclusive a fenomenal "War is My Sheppard". E os clássicos não se ausentaram. "Deliver Us to Evil", "Bonded by Blood", "And Then There Were None", "Fabolous Disaster" e até "Only Death Decides" foi desenterrada. O bis veio com a famosa "Toxic Waltz" e a matadora "Strike of the Beast". Quando todos já se preparavam para ir embora, o grupo ainda revive o cover de "Dirty Deeds Done Dirt Cheap", como nos velhos tempos. Talvez a performance de palco dos americanos não tenha sido tão quente como as músicas, e o chuvisco que ia e vinha não era tão agradável, mas nada que atrapalhasse outra grande apresentação do festival.

Enfim, era a hora do headliner do dia. No palco principal, Scorpions apresentava Unbreakable, seu melhor álbum em anos. Tinha tudo para ser um grande show, até a chuva deu um tempo, mas logo de cara já dava para perceber que não estava tudo tão bem assim. A abertura com "New Generation" e "Love’em of Leave’em" não deu início ao show da forma que se esperava - o que mostrou "Bad Boys Running Wild", na seqüência, que finalmente levantou a galera.

A grande quantidade de músicas novas e ainda não tão queridas do público - e, faça-se justiça, não tão boas quanto as mais celebradas - tirou um pouco do calor do show. E somem-se a isso versões não tão inspiradas dos clássicos, muitos solos individuais enfadonhos (pausas para Klaus Meine respirar um pouco?): já se está descrevendo um show morno. Após "Blackout" e "Big City Nights", uma pausa e o bis vem com a belíssima "Still Loving You" e a contagiante "Rock You Like a Hurricane" colocava o fim de um modo quente no show.

Eis que, surpreendentemente, a banda retorna com "Hit Between the Eyes" e, quando se esperava algo como "Dynamite" para encerrar brilhantemente um show de altos e baixos, a bonita e esquecida "When the Smoke is Going Down", de Blackout, aparece e encerra a apresentação com um certo clima de melancolia (que ficaria ainda maior se "Wind of Change" viesse no lugar dela, mas, felizmente, o hit foi deixado de lado), o que comprova a velha tese de que não se fecham shows com baladas. A impressão é que o Scorpions nunca mais vai ser tão bom quanto já foi e, mesmo ainda tendo seus méritos, a idade parece pesar um pouco. Nem de longe um dos grandes shows da sexta-feira - que então já adentrava o sábado -, isso para não falar do festival inteiro.

Sábado, 11 de junho

O sábado começava, como o dia anterior, com uma apresentação de hard rock no rock stage. Se o Pink Cream 69 pode ser levado a sério, o Danger Danger não desfruta da mesma condição. Mas e daí? Se era hora de tirar a poeira das roupas exageradas, os suecos fizeram isso e bem para curtir uma apresentação bem legal dos posers americanos. "Monkey Business", "Bang Bang", "Naughty Naughty" faziam a alegria de quem se divertia acompanhando o show.

Ao mesmo tempo, o Kingdom Come se apresentava no Sweden Stage. Dada a chance aos alemães, eles não corresponderam e fizeram um show muito calcado no material mais recente, pouco vibrante e que colocou um arrependimento grande por largar o Rock Stage e perder o final do show dos americanos do Danger Danger.

Para consolar pela má-opção inicial, Axel Rudi Pell e sua competente banda tomaram conta do palco principal e fizeram uma apresentação que misturou muitos solos, improvisos, feeling, hard rock e heavy metal. Com Johnny Gioeli tomando conta dos vocais - em uma performance muito inspirada em Freddie Mercury, até visualmente falando -, o guitarrista alemão conduziu seu set abrangendo todos os clássicos de sua longa carreira solo. "Tear Down the Walls" veio abrindo o set com "Nasty Reputation" na seqüência. Um medley com "Masquerade Ball" e "Casbah" se mostrou apropriado para um festival, mas foi "Temple of the King" o maior momento de uma apresentação sem falhas (até os solos individuais pareciam vir em boa hora), que ainda incluiu as grandiosas "Fool Fool" e "Carousel".

Na seqüência, com a ausência de apresentações mais chamativas, fui ver o doom-thrash-metal (e isso lá é rótulo?!) do Pathos no Spendrups Stage e o grupo até que fez por merecer mais atenção do que lhe foi dispensada, ainda mais para os que, como eu, ainda choravam o recente encerramento de atividades do Candlemass. Algumas músicas se destacaram, como "Hoverface" e "Revelation", em um set muito interessante.

Depois era hora de conferir os veteranos do Heart no palco principal. E se a idade deixou marcas indisfarçáveis no visual da vocalista Ann Wilson (Nancy parecia pouco tocada pelo tempo), o grupo soava como se estivesse no auge, focalizando o set no material setentista, como "Barracuda" e "Crazy On You", e até incluindo alguns covers do Led Zeppelin ("Black Dog" e "Misty Mountain Hop") no bis. Um show surpreendentemente bom.

Logo em seguida, o Children of Bodom desfilaria seu metal no Sweden Stage. Nada de muito diferente do que o grupo finlandês já se acostumou a apresentar, um show com muita agressividade, solos virtuosos e energia. Não faltaram suas consagradas "Silent Night, Bodom Night" e "Everytime I Die", no show que começou com "Hate Me" e fechou com "Hatecrew Deathroll". Haja ódio!

Ver o Hirax ao vivo era algo inusitado. E, ao conferi-los no Spendrups Stage, a sensação ficou meio que dividida. Por um lado, ouvir toda aquela velharia de Raging Violence e Hate, Fear, Power era muito legal, mas ouvir toda aquela velharia do jeito que estava sendo tocada talvez não fosse tão bom assim. Katon W. DePena continua firme e forte cantando e comandando o show, mas o resto da banda simplesmente não faz por merecer a mesma banda, ou pelo menos não mostrou isso. Seria mais divertido ter ficado na tenda da imprensa vendo Portugal perder para a Grécia na abertura da Eurocopa?

Em seguida, era hora do show do Nightwish no palco principal e o tempo começava a fechar. No céu e para o grupo. A banda de Tarja Turunen deixou reações diversas, embora seja quase unânime que não atingiu toda sua potencialidade, nem mesmo tocando músicas mais velhas como "Elvenpath" ou "Stargazers", ou com o inusitado cover de "Symphony of Destruction" (cantada pelo baixista Marco Hietala) ou ainda encerrando o show com "Over the Hills and Far Away". Talvez tenha sido culpa da chuva torrencial (a mais forte do fim de semana) que caía sem dó...

Com o festival já chegando ao fim, a última escolha complicada a ser feita era entre U.D.O. e In Flames. O coração de metal falou mais alto e a escolha pelo ex-vocalista do Accept se motrou mais que apropriada, afinal o ícone do metal alemão fez uma empolgante apresentação no Rock Stage, aberta com duas novas, "Thunderball" e "The Bullet and the Bomb". O set dosou toda a carreira do baixinho feioso, e foi coroada com a clássica "Burning", desenterrada exclusivamente para o festival, que a recebeu com toda a empolgação necessária. Enquanto isso, no Sweden Stage, o In Flames fazia um set mais calcado nos discos mais recentes, o que decepcionou uma parcela dos que acompanharam o show, mas arrancou reações calorosas da imprensa local.

Para pôr fim aos três dias de muita música, cerveja ruim e chuva, a apresentação mais aguardada (e, segundo os boatos, a mais bem paga) do festival: Europe. Fazendo seu primeiro grande show desde o retorno, a maior banda sueca de todos os tempos não decepcionou. Em grande forma e muito bem entrosada, não deixou a menor abertura para críticas. Joey Tempest cantou como se o tempo não tivesse efeito em sua voz, mas o destaque mesmo foi John Norum, perfeito ao tocar bases e solos tanto de seus trabalhos, como os de Kee Marcello, que recusou o convite para a reunião.

Não faltou nenhum hit ("Rock the Night", "Superstitious", "Cherokee" e todos os outros estavam lá), várias músicas dos primeiros discos marcaram presença (o show começou com "Seven Doors Hotel" e ainda teve "Scream of Anger" e "The King Will Return" como grandes marcos) e sobrou até uma música nova, "Start from the Dark", que surpreendeu positivamente, bem mais pesada do que se esperaria da banda. "Carrie" veio numa versão acústica quase à capela de Joey Tempest, com uma efusiva participação do público, que já mostrava empolgação durante todo o set. O encerramento, obviamente, se deu com "The Final Countdown", coroando um show que todos aguardavam e saíram satisfeitos.

Assim chegou ao fim o festival, que teve seu maior público e se consolidou como referência na Europa de como se organizar um grande evento, sem prejudicar quem compra ingresso - que pode acompanhar vários shows de alto nível -, nem as bandas - que têm tempo suficiente para tocar um set decente, com uma excepcional qualidade de som, ainda mais se tratando de um local aberto. Com chuva ou não, o Sweden Rock Fest de 2004 foi brilhante. E que os organizadores controlem uma possível empolgação megalomaníaca e o mantenham desse jeito por muito tempo ainda.



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