Gamma Ray & Masterplan: Show para um bom público em São Paulo
Resenha - Gamma Ray & Masterplan (Via Funchal, São Paulo, 29/11/2003)
Por Bruno Sanchez
Postado em 29 de novembro de 2003
Após mais de quatro anos, os alemães do Gamma Ray voltaram ao Brasil para o show de divulgação do novo CD ao vivo da banda, "Skeletons in the Closet". A proposta deste novo trabalho era reunir algumas músicas que o Gamma Ray raramente ou nunca tocava ao vivo e, desta forma, proporcionar aos fãs da banda que já haviam ido a diversos shows a oportunidade de escutar essas músicas mais "obscuras". Para os shows do Brasil, no entanto, Kai Hansen e sua turma optaram por um set misto que incluía algumas dessas raridades mas adicionadas aos eternos clássicos da banda.
O Via Funchal recebeu um bom público mas não estava exatamente lotado, muito provavelmente devido à Fuvest que aconteceria no dia seguinte. Aliás virou moda marcarem grandes shows no dia anterior ao Vestibular mais importante do país.
A abertura do show ficou a cargo do Masterplan, banda do, também ex-guitarrista do Helloween, Roland Grapow e do ex baterista Uli Kusch. Mas o grande destaque do grupo é sem dúvida nenhuma o vocalista Jorn Lande. Como canta esse rapaz!!!
O Set foi praticamente baseado no primeiro e único cd da banda até o momento. Infelizmente o som não estava lá essas coisas mas eles deram conta do recado. Abriram com "Spirit Never Die" e seguem com "Enlighten Me","Crystal Night","Soulburn","Kind Hearted Light" (o público agitou muito nessa). Depois deram uma parada com a balada "When Love Comes Close".
A banda então anuncia um cover: "Man on The Silver Mountain" do Rainbow, que ficou incrivelmente legal na voz de Jorn mas infelizmente despertou reações geladas do público que parecia não conhecer a música (o que anda acontecendo com o público de Metal?).
Voltam ao set do CD e tocam "Bleeding Heart" e "Heroes". Então Roland pega o microfone e pergunta se o público queria ouvir alguma coisa dos velhos tempos de Helloween, obviamente a resposta foi imediata e eles vêm com um medley incluindo "The Chance" do Pink Bubbles e "The Departed (The Sun Is Going Down)" do Dark Ride. Finalizam o show com "Crawling from Hell" (que também teve uma boa reação do público).
Eu não poderia deixar de mencionar a euforia do Tecladista Axel Mackenrott, que quando não estava tocando, simplesmente abandonava o seu instrumento no canto e ia para o meio do palco bater cabeça com os demais integrantes. Normalmente os tecladistas são mais tímidos e ficam meio escondidos no palco, mas Axel mostrou que não faz parte desse grupo, uma atitude bem legal!
O Masterplan sai do palco consagrado como uma banda de grande potencial, carismática, com bons músicos, mas dentro de um estilo que não anda se renovando como deveria. De qualquer forma vale a pena esperar pelo segundo trabalho onde eles realmente devem se "lapidar" e mostrar se vieram para ficar. Como já disse anteriormente: potencial a banda tem!
Uma espera, bem longa diga-se de passagem, e finalmente a introdução "Welcome" começa a ser tocada. As cortinas são levantadas e um belíssimo pano com a ilustração da capa do No World Order aparece: o Gamma Ray estava de volta aos palcos de São Paulo!
Abriram o show com "Gardens of the Sinner" agitando muito a galera, e já emendam com um dos seus maiores clássicos "Rich & Famous" (na versão 2000 ligeiramente diferente da versão original do Sigh No More) que não havia sido tocada nos dois shows anteriores em Curitiba e Ponta Grossa, mas essa música curiosamente obteve uma reação mais fria da platéia, vai entender...
O som estava um pouco embolado no começo mas foi melhorando sensivelmente no decorrer do show. A iluminação estava ótima e dava um clima bem agradável ao ambiente. O eterno Kai Hansen, uma das figuras mais importantes do Heavy Metal contemporâneo, comandava o espetáculo correndo de um lado para o outro, chamando o público e não parando um minuto sequer, sempre acompanhado do baixista (que já foi guitarrista também nos primeiros CDs do Gamma Ray) Dirk Schlachter. Já o guitarrista Henjo Richter e o Baterista Daniel Zimmerman têm uma postura mais contida, no entanto são músicos EXTREMAMENTE técnicos e competentes e complementam perfeitamente o fantástico instrumental do Gamma.
Sem perder tempo, eles seguem tocando a "New World Order" (do último trabalho de estúdio) que novamente desperta os fãs e completam com o clássico "Man on a Mission" na sequência. Neste momento eles tinham o público nas mãos e aproveitaram tocando o hino "Heavy Metal Universe" com todos cantando em uníssono o refrão. Aí acontece o momento mais divertido da noite: Kai divide o público em três partes onde cada uma das partes cantaria uma das palavras da música (Heavy / Metal / Universe). A resposta da galera foi brilhante e o momento não poderia ter sido melhor.
Os alemães seguem com "One With the World" e aí vem o famigerado solo de bateria. Quando me refiro ao "famigerado" não estou falando que Dan Zimmerman não é competente, longe disso, ele é um excelente músico como já mencionei alguns parágrafos acima; mas por quê não trocar esse solo por alguma música mais clássica? Para quem é baterista ou é um pretendente na arte das baquetas, pode até ser interessante mas para quem não faz parte desse grupo, é um grande balde de água fria na empolgação do show, até porque foi um solo exageradamente longo e bem padrão...
Após o número de Dan, eles tocam "Heart of The Unicorn" que levantou o astral novamente e apresentam o clássico dos clássicos: "Rebellion in Dreamland" mais uma vez cantada em uníssono pelos presentes. Infelizmente eles optaram por cortar a bela parte final da música mas emendaram com outro clássico dos clássicos, "Land of the Free", essa sim tocada inteira.
Em seguida vem a semi-balada "Rising Star / Shine On" do Somewhere out in Space e a banda sai do palco encerrando a primeira parte.
Para o primeiro Bis, Dirk entra sozinho, vai até o microfone e anuncia mais uma surpresa da noite: "Beyond the fuckin´ Black Hole" (com participação especial do mascote Fang Face à la Eddie), outro clássico que não havia sido executada nas noites anteriores e que foi ovacionada por todos os presentes após uma introdução de baixo absolutamente fantástica. Por essa música ninguém esperava mesmo!
Após este momento, Kai, alegando que tinha quebrado sua guitarra, a joga para o roadie e chama um convidado ao palco para tocar as próximas músicas: Roland Grapow. O público foi à loucura já prevendo o que viria pela frente. Kai ainda brincou dizendo que eles tinham se "divertido muito" na noite anterior; imagina o que eles não aprontaram em Curitiba, mas voltemos ao show. O Gamma Ray não decepcionou tocando dois dos maiores clássicos do Helloween e do Power Metal: "I Want Out" e "Future World" NA ÍNTEGRA diferentemente dos shows anteriores onde eles apenas haviam feito um medley com essas duas músicas. O público literalmente encobriu a voz de Kai Hansen deixando o próprio músico surpreso e visivelmente feliz; foi um daqueles momentos que valem o preço do ingresso, não importa o quanto você pagou.
A banda sai do palco mais uma vez e quando volta tocam "Send Me a Sign" do PowerPlant para encerrar o show de Sampa em grande estilo.
Algumas pessoas reclamaram do setlist escolhido mas esse era exatamente o propósito: tocar algumas músicas que raramente eram tocadas para os fãs mais antigos mas também tocar alguns clássicos. Dentro desse objetivo a banda se saiu muito bem. Faltaram algumas músicas? Faltaram! Poderiam ter incluído "Last Before the Storm", "Heaven Can Wait", "Valley of the Kings","Lust for Life" (se bem que o Kai já afirmou que não gosta desta ao vivo com a sua voz); do Helloween poderiam ter tocado a "Ride the Sky" e a maravilhosa "Victim of Fate", mas muitas outras legais foram inclusas e no final das contas foi um show que superou as expectativas, apresentou várias surpresas e mostrou mais uma vez o porquê do Mestre Kai Hansen ser um verdadeiro símbolo do Power e do Heavy Metal mundial e ponto final.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O clássico absoluto do Metallica cuja introdução foi inspirada em uma música do Venom
10 discos de heavy metal lançados de 1970 a 1993 que são essenciais, segundo o CRH
Bangers Open Air 2027 define data para anúncio do lineup completo
Por que Angra não chamou Marco Antunes de volta, segundo Rafael Bittencourt
David Ellefson não faz mais parte da banda Dieth
Os dois clássicos do rock que Ian Anderson do Jethro Tull acha genéricos demais
Metallica volta a tocar música que estava fora dos seus shows desde 2008
A música do Exodus que tem uma homenagem a Eddie Van Halen
Os 5 melhores discos do Metallica, segundo o Classic Rock History
Alice Cooper, o cantor, lembra o fim de Alice Cooper, a banda
James Hetfield beija a noiva Adriana Gillett durante jogo do Las Vegas Raiders
A música de 1968 dos Beatles que é a pior de todos os tempos, segundo Regis Tadeu
A música gravada pelo Iron Maiden que foi uma "dor de cabeça" para Paul Di'Anno
Como o Police usou as brigas entre seus integrantes para produzir um álbum
Pastor que "inspirou" Iron Maiden, Genesis e Ozzy Osbourne morre aos 86 anos


Com ex-membros do Primal Fear e Gamma Ray, Fearless V anuncia primeiro álbum
O Gamma Ray ainda existe? Kai Hansen responde
Kai Hansen (Helloween, Gamma Ray) lança novo single solo, "Wait and See"
Kai Hansen, do Helloween e Gamma Ray, conta que foi eletrocutado em sua primeira visita ao Brasil
Como uma música de 23 minutos me fez viajar 500 km para ver uma das bandas da minha vida
Metallica: Quem viu pela TV viu um show completamente diferente


