Resenha - Grave Digger (Led Slay, São Paulo, 08/05/2005)

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Por Bruno Sanchez
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.







Fotos do show do DirecTV, por Carolina Oliveira.

Existe um dito popular bem famoso: “tudo que começa errado, termina errado”. E a máxima quase se confirmou no domingo, 8 de Maio, se não fosse pela competência, experiência e carisma de um nome como o Grave Digger.

A notícia veio por um boato de que a banda não faria apenas um show em São Paulo (o de gravação do DVD), mas sim dois (já que a apresentação em São José dos Campos foi cancelada meio em cima da hora). Depois, houve uma tímida confirmação de que eles realmente tocariam no domingo, no Led Slay, um dos bares mais tradicionais da cidade, onde o Exodus também, se apresentou no final do ano passado em um festival de Thrash Metal. Se não fosse pela comunidade da banda no Orkut e os fórums de discussão da Internet, quase ninguém saberia desse show pois ele praticamente não foi divulgado, nem no site oficial da banda. Isso sem contar o preço absurdo do ingresso: R$ 50,00, para um show em um bar, o que também afugentou muita gente.

Passada a primeira dificuldade, outro obstáculo apareceu: a que horas seria o show? Mais uma vez, a comunidade do Orkut saiu na frente e divulgou que a apresentação extra aconteceria às 16 hs, um horário meio esdrúxulo, especialmente se contarmos que era domingo, dia das mães, e headbanger também tem mãe certo? O grande problema é que ninguém confirmava com 100% de certeza esse horário. Todas as informações vieram dos fãs que foram atrás e buscaram alguma coisa mas ninguém sabia mais nada. O cúmulo aconteceu quando liguei para o telefone de contato do próprio Led Slay, um número que consta na página oficial do bar, e perguntei, afinal, a que horas seria o show. A pessoa me respondeu com um – juro – “ah meu, sei lá”. Pombas, se o próprio funcionário não sabe a hora do início, quem dirá os fãs – sempre eles, os que mais penam nessas ocasiões.

No sábado, também estive no DirecTV para presenciar o show da gravação do DVD e aproveitei para perguntar, de novo, a que horas seria a apresentação do domingo e, novamente, ninguém soube me informar. Uma pessoa da produção ainda disse que talvez esse show nem acontecesse já que ninguém tinha maiores informações.

A grande resposta veio no final da apresentação quando o próprio vocalista Chris Boltendahl confirmou que a apresentação aconteceria mesmo no domingão e seria às 17 hs, mais um horário desencontrado.

Além disso, ninguém sabia se teríamos banda de abertura ou se o show também seria gravado pro DVD (o que seria meio estranho, afinal o Led Slay é um bar – espaçoso, é verdade – mas não tem estrutura pra uma gravação).

Mesmo com todas as dúvidas, eu e 90% das pessoas que compareceram, chegamos para o show às 16 hs como dizia o folder distribuído na saída do DirecTV. Logo na entrada, mais um “furo de reportagem” quando o cara do estacionamento disse que a apresentação seria às 20 hs, ou seja, com 4 horas de atraso do horário divulgado no folder e que teríamos – sim – uma banda de abertura, a ótima Death Tribute, formada pelo baixista e vocalista Bruno Sutter (o Detonator do Massacration) e que conta com o aval da própria mãe do falecido Chuck.

Apesar de a banda ser realmente competente, as lembranças da última vez em que os vi ao vivo no mesmo Led Slay há alguns meses (na mesma noite do Exodus) não eram das mais agradáveis já que aquele show atrasou horas e cansou bastante o público. De certa forma eu sentia um certo “dejavú” no ar, o que, de fato, se confirmou.

As portas do Led Slay só abriram depois das 17 hs pois o Grave Digger atrasou a passagem de som, sendo que os integrantes do Death Tribute sequer tinham chegado ao bar naquele momento segundo um dos funcionários.

O resultado você já imagina: muita irritação! Por sorte, a maior parte do público (umas 200 pessoas) que compareceu era formada por pessoas mais maduras, acima da casa dos 25 anos, fãs de carteirinha do Grave Digger, que souberam se controlar enquanto a bateria do Death Tribute era montada às pressas quando já se passava das 19 hs. Pelo menos, o pessoal teve a chance de ver o tecladista H.P. Katzenburg sem a roupa de “reaper” (sim, era aquele senhor de bigode com o notebook) checando seu equipamento.

Um problema no som dos instrumentos atrasou mais ainda o tributo que só começou mesmo às 20:30 hs (4 horas e meia de atraso). O baixista e vocalista Bruno, o baterista Nando e os demais integrantes deram o sangue no show que foi, sim, muito bom para os que curtem Death. A banda tocou diversos clássicos como Scavenger of Human Sorrow, The Philosopher e fecharam com Zombie Ritual. Bruno deu um jeito de tornar o show mais descontraído e fez várias piadinhas envolvendo o Massacration mas se irritou bastante quando percebeu a recepção fria do público para os clássicos e chegou a pedir respeito pelo trabalho do Death. De qualquer forma, se banda de abertura já sofre por natureza (o Child Of Flames no Sábado e o Avalanch em 2003 que o digam), o que se pode dizer de um atraso monstro desses e também dos diversos problemas técnicos que atrapalharam a apresentação dos caras e obrigava uma pausa considerável entre cada música, seja para trocar o cabo do baixo ou para segurar a bateria que cismava em andar pelo palco. Uma pena mesmo pois a banda é muito competente no que se propõe a fazer e gravará um DVD em breve para enviar à mãe de Chuck Schuldiner.

O show do Grave Digger, no entanto, serviu como um prêmio para os poucos fãs que esperaram 5 horas e meia (você tem noção do que são 5 horas e meia?) para ver a banda no palco do Led Slay.

A apresentação em si foi excelente mas, obviamente, bem menor do que o set na noite anterior. De novidade, os alemães tocaram as excelentes Scotland United, Lionheart e The Ballad Of Mary (Queen of Scots), que não deram a cara antes. O show abriu com a curta introdução (curta, porém eficaz viu Angra?) The Passion, seguida por The Last Supper, Desert Rose e a ótima The Grave Dancer.

Do álbum novo, eles tocaram também Grave in The No Man´s Land e foi só. Dos velhos clássicos, além das músicas citadas, tivemos Witch Hunter, The Dark Of The Sun, Excalibur, Morgan Le Fay, Knights of The Cross, Valhalla e Circle Of Witches.

A apresentação normal fechou com Twilight of The Gods do album Rheingold e, para o bis, a banda trouxe The Grave Digger, Rebellion (em um dos menores coros de sua história) e fecharam com o hino Heavy Metal Breakdown.

Apesar da empolgação habitual de Chris Boltendahl e Manni Schmit, era visível a frustração com a casa vazia e a falta de participação do público. Em diversos momentos Chris tentava chamar os gritos do pessoal, provavelmente buscando o “olé, olé, olé, Digger, Digger” do sábado, mas raramente foi atendido. Para piorar, uma briga aconteceu do lado direito da pista e um dos seguranças, ao invés de apartar, apenas apontou o foco a Chris, sendo que o próprio vocalista teve de chamar a atenção dos briguentos com um “hei caras, o que houve?”. O final com Heavy Metal Breakdown foi maravilhoso, como sempre, mas a banda não fez todos os agradecimentos da noite anterior, apenas disseram um “obrigado” e saíram, mostrando toda a insatisfação com a apresentação.

O que Chris, Manni, H.P., Jens e Stefan talvez não soubessem, foi toda a confusão, falta de informação, preço alto dos ingressos e bagunça que ocorreu antes do show. Ainda bem que era o Grave Digger no palco, pois se fosse uma banda estrelinha que simplesmente desistisse do show pela quantidade de pessoas no bar, teríamos um verdadeiro desastre. E por falar nisso, presenciei algumas atitudes do tipo “demorou, mas pelo Grave Digger eu faço tudo e valeu muito a pena”. É verdade, o show foi animal, mas os bangers não podem admitir atrasos desse porte com uma posição passiva. Isso é um desrespeito absurdo com você, que acima de tudo, pagou caro pelo ingresso. A banda não teve nada a ver com esse atraso (pelo menos não com 5 horas e meia), mas a produção, sim, e respeito com o público é o mínimo que se pede.

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Sobre Bruno Sanchez

Paulistano, 26 anos, Administrador de Empresas e amante de História. Bruno é colaborador do Whiplash! desde 2003, mas seus textos e resenhas já constavam na parte de usuários em 1998. Foi levado ao Rock e Metal pelos seus pais através de Beatles, Byrds e Animals. Com o tempo, descobriu o Metallica ainda nos anos 80 e sua vida nunca mais foi a mesma. Suas bandas preferidas são Beatles, Metallica, Iron Maiden, Judas Priest, Slayer, Venom, Cream, Blind Guardian e Gamma Ray.

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