Deep Purple: Cerca de 17 mil pessoas estiveram no Gigantinho
Resenha - Deep Purple (Gigantinho, Porto Alegre, 18/09/2003)
Por Paulo Finatto Jr.
Postado em 18 de setembro de 2003
Fotos por Ricardo Finocchiaro
Cerca de 17 mil pessoas estiveram no Gigantinho, em Porto Alegre, para acompanhar o show da veterana banda Deep Purple, no Kaiser Music Festival, trazendo consigo o The Hellacopters e o Sepultura. O show que originalmente deveria acontecer no Jockey Club, nas últimas semanas que o antecederam teve o local mudado. Quanto a sua localização, para melhor; e quanto a sua acústica, para pior. O Gigantinho nada mais é do que um ginásio coberto do Sport Club Internacional (ao lado do estádio Beira-Rio) para no máximo 20 mil expectadores, enquanto o Jockey é um local onde cabem mais de 50 mil pessoas, ao ar livre. Foi neste local que os portões foram abertos às 18h20 (com uma hora e vinte minutos de atraso) para que apenas às 21h fosse realizado o primeiro show. Um tempo e tanto para ficar de pé esperando os shows começarem... Graças ao horário que cheguei no local (16h45), pude acompanhar os shows da grade.
Os suecos do The Hellacopters foram os escolhidos para abrir a noite, em um set de aproximadamente uma hora. Eu particularmente nunca havia escutado nada da banda, e o grupo realmente pouco me surpreendeu. Nicke Royale (vocal e guitarra), Robert Dahlqvist (guitarra), Kenny Hakansson (baixo), Anders Lindström (teclado) e Robert Eriksson (bateria) executam um rock n’ roll bem setentista (isso se nota até pelos equipamentos velhos que a banda usou em cima do palco), com certas doses de melodia, poucos solos e muito ‘feeling’. Não muito conhecida em Porto Alegre, a banda teve na música "Carry Me Home" a maior agitação por parte do público (a música anda tocando nas rádios da cidade). Mas não tinha jeito, os presentes eram na sua grande maioria "metaleiros" e todos estavam esperando pelo Sepultura e pelo Deep Purple. A banda possui uma boa postura, também não era para menos, estão na estrada a mais de nove anos e têm no currículo uma invejável quantidade de lançamentos e turnês pelo mundo.
Uma hora e vinte minutos foi pouco para que Derrick Green (vocal e guitarra em algumas músicas), Andreas Kisser (guitarra), Paulo Jr. (baixo) e Igor Cavalera (bateria) pudessem mostrar todo o poder de fogo do Sepultura. Se em estúdio a banda anda caminhando por trilhas diferentes do seu início de carreira, em palco o quarteto usa e abusa de músicas clássicas da sua fase mais thrash e insana, como por exemplo "Biotech is Godzilla", "Refuse/Resist", "Troops of Doom" e "Territory". Como de costume, show do Sepultura é sinal de público cantando junto, rodas e mais rodas de ‘slow dance’ e muitas mãos levantadas. Entre os outros shows que vi da banda, acho que este foi o melhor... E para todos que esperavam ver as músicas mais recentes, viram e ouviram "Bullet the Blue Sky" (cover do U2), "Messiah" (cover do Hellhammer) – ambas do "Revolusongs" - "Sepulnation", "Attitude" e "Roots" (que fechou a apresentação).
Curiosidade: mesmo sendo a turnê do novo disco da banda, "Roorback", ainda inédito no Brasil, apenas "Mindwar" foi executada. Caiu para todos como uma novidade saber que o lançamento do disco foi firmado para final de setembro em versão nacional.
Tirando a ótima ‘performance’ do "monstro e predador" Derrick, Igor se mostra um dos bateristas mais completos do Brasil, Andreas leva todos ao delírio com sua agitação em seus riffs sujos e Paulo Jr. costuma ficar mais na dele, tocando com muita precisão. Um ótimo show, responsável por "quebrar" a maioria das pessoas antes mesmo de entrar a banda principal da noite.
Por volta da meia-noite, Ian Paice na bateria, Roger Glover no baixo, Don Airey no teclado e Steve Morse na guitarra apareceram sob fracas luzes no palco do Gigantinho. Naquele momento, 17 mil vozes estavam gritando (e muito) até que Ian Gillan sobe ao palco para detonarem já de cara a sensacional "Highway Star". Da parte em que eu estava posicionado frente ao palco, mal consegui ouvir Gillan cantar. Isso porque todos (todos mesmo) estavam cantando a música muito mais alto que o som dos P.A.’s! Sensacional! A banda aproveitou e seguiu com mais clássicos de cara, como "Lazy" e "Woman from Tokyo". Para surpresa de alguns, Gillan estava de pés descalços no palco!
Como não poderia de ser, algumas músicas do novo disco da banda ("Bananas") foram tocadas, como "Silver Tongue", "Haunted", "House of Pain" e "Contact Lost".
Mantendo o alto nível de clássicos, "Knocking at your Back Door", "Perfect Strangers" e "Smoke on the Water" tiveram espaço, além de uma série de solos: um curtinho de Ian Paice, algumas palhetadas de Roger Glover e de surpresa a introdução de "Sweet Child O’ Mine" do Guns n’ Roses por Steve Morse. Don Airey surpreendeu com o seu solo, tocando música brasileira, introduções de temas de filmes como O Fantasma da Ópera e Guerras Nas Estrelas, além de um trecho de uma das composições de Mozart.
No bis, a banda ainda desfilou "Hush", "I’ve got your Number" (do novo CD) e finalizaram com "Black Night".
Seria mesmice comentar o Deep Purple ao vivo. Mesmo sem tocar músicas perfeitas como "Burn", "Child in Time" e "Fireball" (essenciais para mim no show da banda), a banda matou a pau e se mostrou muito bem aos gaúchos, exemplificando o porquê dos seus trinta anos de carreira.
Momento magistral para todos os gaúchos presentes. Quem acabou não indo provavelmente perdeu o que deve ser o maior show de rock/metal da cidade sulista em 2003.
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