Audioslave: Mini-turnê que serviu de aquecimento para o Lollapalloza
Resenha - Audioslave (San Francisco, California, 20/03/2003)
Por Bruno Romani
Postado em 20 de março de 2003
Você com certeza deve ter ouvido falar ou lido sobre a gigantesca e violenta manifestação contra a guerra no Iraque em San Francisco, costa oeste americana, assim que os primeiros mísseis deflagraram o conflito. O que você não leu, ou não ficou sabendo, é que no mesmo dia o Audioslave, a amálgama do Soundgarden e do Rage Against the Machine, fez a última de suas duas aprentações na cidade, e a penúltima de sua mini-turnê que serviu de aquecimento para o Lollapalloza. A sensação de caos urbano que dominava San Francisco, a postura politizada de alguns integrantes do Audioslave e até mesmo o nome do teatro- The Warfield- onde o show se realizaria pareciam compor o cenário ideal para apresentação da banda.
A abertura da noite ficou por conta do trio da Filadélfia Burning Brides, que despejou por cerca de 1 hora sua mistura de grunge, metal e punk. Destaque mesmo dessa apresentação foi a bela baixista Melanie Campbell, que além de se sobressair pelos seus dons naturais, tem uma presença de palco incrível. Uma pausa de meia hora seguiu-se entre o Burning Brides e as estrelas da noite, Auioslave.
As luzes do Warfield foram apagando-se aos poucos, enquanto a movimentação no palco podia ser percebida. A banda supreendeu, porém, ao não entrar com tudo logo nos primeiros segundos. Uma luz seguia um confiante Tom Morello, enquanto ele se abaixava e começava a produzir pequenos ruídos em seus multíplos pedais agrupados na porção direita do palco. Tudo isso não durou mais do que alguns poucos segundos mas serviu para "to built the tension", como os conterrâneos do tio Sam adoram dizer. Em seguida, a super-pancada "Set it Off" é iniciada e abre passagem para Chris Cornell fazer sua entrada no palco. O cantor, com um visual mais moderno (ou seria clean?), chegou a assustar o público nesse primeiro número. Sua voz falha, e de certa forma desafinada, não parecia chegar nem perto da sombra do lendário vocalista do Soundgarden.
Se algum tipo de mal-estar foi gerado dessa primeira canção, esse logo foi dissipado através das notas "Light My Way" e "Gasoline." Chris Cornell provou ser uma das maiores gargantas do rock atingindo notas altíssimas, e praticamente não descansando durante todo o set do Audioslave. Após as 3 canções, Tom Morello, que tinha um cartaz em seu amplificador com os dizeres "How many Iraqis per gallon?", fez o já esperado discurso contra a guerra do Iraque, e mais ainda: elogiou San Francisco pelo engajamento e anunciou que devido a tal ativismo, a cidade ganharia naquela noite o set-list mais longo já tocado pelo Audioslave. Desnecessário dizer que as pessoas foram ao delírio.
Por ser uma banda recente, além de músicas como "Like Stone", "Hypnotize", "What You Are" e "Bring Em Back Alive", o Audioslave incluiu um antigo B-side e alguns covers, tais como " Super Stupid" do Funkadelic e "What's so funny 'bout peace love and understanding?" do Elvis Costello. Essa canção, que foi uma sessão solo de Chris Cornell ao violão, foi outra forma encontrada pela banda de mostrar seu descontentamento pela invasão norte-americana do Iraque. Essa apresentação foi marcada também por inúmeros contrastes. Se por um lado a banda optou por músicas mais rápidas e pesadas no início da apresentação, o quarto final ficou reservado para o lado mais intimista da banda. "Shadow in the Sun," que revelou uma faceta diferente de Tom Morello em seus solos, e "Getaway Car," que tomou o Warfield com seu grudento refrão, foram executadas com maestria. Outro contraste gritante do Audioslave se refere aos seus membros. Se por um lado Chris Cornell, com sua poderosa voz, e Tom Morello, com sua maneira própria de dançar e seus criativíssimos solos, conseguem destaque próprio, os outros 2 membros da banda quase não aparecem. Apesar de ser um pouco melhor ao vivo do que no disco, Brad Wilk não consegue mais do que lembrar os fãs, especialmente os do Soundgarden, que um dia Matt Cameron já foi companheiro de banda de Chris Cornell. Tim Commerford é a contradição em pessoa. Se por um lado ele chama muito a atenção por suas tatuagens, no palco ele conserva uma postura bem reservada, limitando-se a pequenos passos que lembram movimentos iniciais de capoeira.
O bis começou com Chris Cornell novamente ao violão, fazendo uma versão acústica para "I am the Highway." Os outros integrantes voltaram para o palco na mesma canção, sendo esse, portanto, o único momento em que o Audioslave pôde contar com uma participação instrumental do ex-vocalista do Soundgarden. Em seguida, a banda prestou uma homenagem a "old school" do rock, tocando o cover do Rush "Working Man." Tom Morello uma vez mais arrebentou com seus solos, deixando pouco ou nada a dever para os virtuosos e chatos músicos do Rush. A banda deixou o melhor para o final. sendo a última música do set-list o pseudo-hit "Cochise." Aos berros de "go and save yourself," o Audioslave encerrava sua hora e meia em San Francisco, em que, ao mesmo tempo, procurava afastar e conscientizar as pessoas sobre a dura realidade que estava ali, do lado de fora do teatro.
SET-LIST
Set it Off
Light My Way
Gasoline
Like a Stone
Super Stupid (Funkadelic Cover)
Hypnotize
What you are
Bring Em Back Alive
What's so funny 'bout peace love and understanding? (Elvis Costello Cover)
Exploder
B-Side (inédita)
Getaway Car
Show me How to Live
Shadow on the Sun
BIS
I Am the Highway
Working Man (Rush Cover)
Cochise
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



"Nevermind" (Nirvana) ultrapassa "Back in Black" (AC/DC) e "Dark Side..." (Pink Floyd) em vendas
Blaze Bayley traz turnê comemorativa "Iron Maiden 30th Anniversary" ao Bangers Open Air
Nicko McBrain revela que indicou Aquiles Priester para seu lugar no Iron Maiden
A pior banda gaúcha de rock de todos os tempos, segundo Rogério Skylab
O roqueiro brasileiro que se queimou com Jô Soares após falar mal de Ayrton Senna
Os cinco melhores discos do Megadeth, segundo Mateus Ribeiro
Marko Hietala arrisca palpite sobre o que levou Floor Jansen a sair do Nightwish
A banda que vendeu 100 milhões de discos e Keith Richards chamou de poser
Por que King Crimson é melhor do que Dream Theater, segundo Mikael Åkerfeldt do Opeth
Mateus Asato elege o último guitar hero que existe e compara com Slash e Van Halen
Sharon den Adel promete Within Temptation mais pesado em novo disco
O guitarrista que no auge teve muito bom gosto, segundo Jimmy Page do Led Zeppelin
A música do Iron Maiden que influenciou o Big Four do thrash metal, segundo o Ultimate Guitar
"Stairway to Heaven" nem "Comfortably Numb"? O solo que Slash coloca acima de todos
A pior música do Megadeth, de acordo com Mateus Ribeiro
Roger Waters relembra sua colaboração com David Gilmour no hit "Wish You Were Here"
O megahit de Raul Seixas e Paulo Coelho que é um manifesto contra a monogamia
O hábito nojento que a fenomenal Lita Ford incentivava nos fãs em seus shows


Visual era um dos trunfos do Nirvana, na opinião de Chris Cornell
Morre Peter Katsis, empresário que intermediou show do Audioslave em Cuba
A banda que Chris Cornell integraria se convidassem; "Ele nunca me chamou"
A primeira noite do Rock in Rio com AC/DC e Scorpions em 1985
Metallica: Quem viu pela TV viu um show completamente diferente



