Resenha - Shaman (Atl Hall, Rio de Janeiro, 06/04/2003)

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Por Rafael Carnovale
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Fotos por Anderson Guimarães


Quase sete meses após seu primeiro show na cidade maravilhosa, e vários shows depois deste, o Shaman retorna ao Rio de Janeiro para um evento especial: um mega show com vários convidados e um set-list especial, igual ao show de São Paulo, que serviu para a gravação de seu primeiro DVD. Apesar da fortíssima chuva que se abateu sobre todo o estado na hora do show, um ATL HALL bem mais cheio do que no primeiro show (cerca de 2500 pessoas) compareceu ansioso para ver o super ritual que o Shaman nos preparava, o que fez o vocalista André Matos comentar que "o papo de que o metal no Rio de Janeiro não existia caiu por água abaixo" (literalmente).

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O fato de terem feito um show com uma parafernália técnica muito exigente em São Paulo e a forte chuva contribuíram para um atraso de 50 minutos na apresentação, que se iniciou às 21:20 com a intro "Ancient Winds" e o público indo à loucura. Notamos logo de início que não haveria os efeitos na mesma escala do show de SP, por motivos óbvios. Seguiram-se "Here I Am", "Distant Thunder" e "For Tomorrow", na mesma seqüência do show anterior, só que com uma sensível diferença. A banda está muito mais entrosada desta feita, com André cada vez mais um verdadeiro agitador, acompanhado pela empolgação de Hugo e Luís, e Ricardo com suas batidas massacrantes. O público desta vez cantava todas as letras, o que motivou muitos agradecimentos por parte de André, visivelmente emocionado. "Time Will Come" seguiu no pique e em seqüência tivemos um excelente e muito bem executado "medley" de músicas do Angra, com "Silence and Distance" (o público ficou maluco), Carolina IV (em parte), "Time" (que também levou o público à loucura), um pedacinho da introdução de "Wings of Reality", emendada com "Lisbon" na íntegra, cantada em uníssono pela platéia.

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Uma pequena pausa e Hugo Luís e Ricardo fizeram uma "jam" que começou com um competentíssimo solo de Hugo, que fez a galera gritar quando puxou riffs de "Sabbath Bloody Sabbath", e mostrou todo seu talento, com velocidade, melodia e muito feeling. A jam desembocou em um solo de Ricardo, aonde o batera mostrou toda sua competência nas baquetas. André retornaria ao palco acompanhado de Marcos Viana (Sagrado Coração da Terra) no violino para executar "Over Your Head" (o violino se encaixou com perfeição, coisa de quem manja do assunto). Um curto solo de piano de André, que interagiu com o público, e a banda executa seu sucesso global "Fairy Tale", com outro show de Marcos no violino. Para quem não se lembra ou não sabe, Sr. Viana compôs uma das músicas mais ouvidas no ano passado, o tema de "Jade" na novela "O Clone" ("Somente por amor").

O Shaman volta à sua formação básica para a execução das músicas "Blind Spell" e "Ritual", com um público que não parava de agitar, e André apresenta mais um convidado, o guitarrista e produtor Sascha Paeth, e a banda emenda "Crazy Me?" do projeto de Sascha e André, Virgo. Particularmente não gosto do Virgo, mas a música foi muito bem executada pela banda. Sai Sascha, mas entra mais um convidado, e esse provoca loucura nos presentes: Mr. Tobbias Sammet, vocalista do Edguy. André assume o teclado e os dois levam "Inside", do projeto Avantasia, fazendo o público urrar. Outra do Avantasia, "Sign of the Cross" (com um público ensandecido) e André assume sua função de líder religioso, conclamando todos "a rezarem pela salvação de suas almas" (Luís aproveitou para fazer o símbolo dos chifres com as mãos) e junto com Tobbias levam "Pride", aonde André aproveitou para criticar a "chamada rivalidade que existiria entre as bandas de metal". Noto que as músicas do Shaman ficaram mais agressivas, com algumas camadas de teclados dando lugar ao peso das guitarras de Hugo, o que ficou muito bom mesmo, a banda se acertou e fazia um show impecável.

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Finda a parte "séria" do show, começa a festa. A intro já conhecida invade o ATL HALL, que vem abaixo com "Carry On", aonde a voz de André pareceu dar sinais de cansaço. Só pareceu!!!!! Seguiu-se a apresentação da banda (com Luís berrando "nos vocais o MAESTRO ANDRÉ MATOS") e uma versão matadora de "Living for the Night" do Viper, com uma jam acompanhada pelo público.

André aproveita para se desculpar, pois não foi possível trazer os outros artistas convidados (Michael Weikath e Andi Deris do Helloween) devido a compromissos assumidos anteriormente, mas avisa que "o Tobbias sabe cantar esta música") e levam "Eagle Fly Free", que ficou bem executada, com André e Tobbias dividindo os vocais. Sem malhar Mr. Sammet, André mostrou porque é uma das melhores vozes do metal nesta música. O final foi apoteótico, com todos os convidados juntos tocando "Breaking the Law" do Judas Priest.

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Nota-se que o Shaman agora tem uma postura de palco muito melhor do que vimos em seu primeiro show, e que as músicas ganharam em agressividade. Luís e Hugo estão mais seguros à frente do palco, e André continua o mesmo, com um vocal potente e competente. No backstage pudemos conferir que a banda toda ficou muito satisfeita com o show, qualificando-o como um dos melhores, senão o melhor, de toda a turnê. Não houve efeitos pirotécnicos, mas o jogo de luz foi perfeito, criando climas maravilhosos para cada música.

Ainda pude bater um bom papo com Sascha Paeth, que comentou que atualmente se dedica mais a produção, e que o Heavens Gate poderá voltar um dia, aproveitando para dizer que músicas novas do Virgo sairão em breve. Tobbias também foi muito gentil com todos, mostrando sua felicidade em tocar no Rio, prometendo voltar com sua banda (que já tem seis músicas finalizadas para um novo cd) no final do Ano.

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Aproveito para agradecer à srta. Penélope Nova (VJ da MTV) pelo papo interessantíssimo e pela simpatia com que nos tratou, assim como agradecemos a todos da banda e à Top Link e ao ATL HALL (principalmente à Bianca) e a nossa amiga Elisa (Sony Music) por propiciarem todas as condições para um show, que se não teve todos os efeitos especiais esperados, foi uma prova cabal de que o Shaman já está no Top das bandas de heavy.

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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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