Resenha - Nightwish (Credicard Hall, São Paulo, 20/07/2007)

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Por Fernando De Santis
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Foto: Divulgação, Site Oficial
Foto: Divulgação, Site Oficial

Iniciando a tour de divulgação do disco “Century Child” no Brasil, o Nightwish desta vez veio com status de banda grande. Em 2000, apesar de terem lotado os shows que fizeram, eles ainda eram uma novidade para o público brasileiro. Desta vez, o show em São Paulo seria em uma casa de shows maior e com uma grande expectativa de ter os ingressos esgotados.
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O público foi chegando em frente ao Credicard Hall desde o início da tarde e organizando a fila sem maiores confusões. Às 19 horas e 30 minutos os portões foram abertos e o público entrou procurando o melhor local para assistir ao show. Porém, muitos dos que estavam presentes não sabiam que haveria uma banda de abertura. A banda que estava com a difícil missão de aquecer o exigente público paulista era o Shadowside, formado em Santos (litoral paulista) por Dani Nolden (vocais), Bill Shadow (guitarra), Ricky (guitarra), Arc Ray (baixo) e A. S. Rock (bateria). O Shadowside surpreendeu com um power melódico de alta qualidade. A banda santista iniciou o set com a pesada “Vampire Hunter” (do EP “Shadowside”) que logo conquistou o público. Dani Nolden com um vocal rasgado e com uma grande presença de palco cativava. O grupo santista intercalava músicas próprias e covers; “Father Time” do Stratovarius, “Dr. Stein”, “Power” (ambas do Helloween) e “Painkiller” do Judas Priest foram os covers que agitaram o público. Os dois guitarristas estavam bem entrosados e reproduziram fielmente os solos das músicas, enquanto a “cozinha da banda” segurava a onda com precisão. O Shadowside ainda tocou mais três músicas do EP lançado pela banda: “Kingdom Of Life”, “Believe in Yourself” e fecharam a apresentação com a interessante “Illusions”, arrancando aplausos do público presente ao Credicard Hall (que ao final do show do Shadowside já estava praticamente lotado). Foi uma grande apresentação da banda santista, que conseguiu aquecer o ansioso público paulista e mostrou que tem tudo para ser uma das grandes revelações do cenário do metal nacional.

Após a apresentação do Shadowside, as cortinas se fecharam e começaram as mudanças no palco. Praticamente às 22 horas começou a tocar a introdução do show do Nightwish. O clima de tensão estava no ar enquanto as cortinas não se abriam. Quando começou a rolar a introdução de “Bless The Child” o público foi ao delírio. Tarja Turunen usando uma roupa bem apertada, mostrava a sua BOA condição física e arrancava suspiros dos marmanjos que estavam próximos ao palco. Jukka socava a bateria, enquanto o baixinho Emppu, com sua guitarra, pulava e se movimentava pelo palco. Marco Hietala, o novo baixista da banda, provou ser um grande baixista e vocalista. Marco também se movimenta bastante no palco, diferentemente do antigo baixista, que sempre ficava parado em frente ao seu ampli. “End Of All Hope” foi a segunda música do set, porém, as que realmente fizeram o público ir ao delírio foram “Come Cover Me” e “Kinslayer” (ambas do disco “Wishmaster”). O público que já estava mais familiarizado com as músicas do disco anterior cantava verso por verso em uníssono.

“Dead To The World” foi a terceira música do disco “Century Child” a ser apresentada ao público. Mesmo tendo sido lançado praticamente nessa semana no Brasil, os fãs paulistas já conheciam todas as músicas do “Century Child” e enlouqueciam com as melodias criadas pelo tecladista Tuomas. A banda ainda tocou “Deep Silent Complete” do disco “Wishmaster” e “10th Man Down” do EP “Over the Hills and Far Away”. Tarja saiu do palco para descansar, enquanto Marco Hietala cantava o clássico de Ozzy Osbourne, “Crazy Train” que foi muito bem recebido pelo público. Quem estava no palco, viu Tarja nesse momento batendo fotos com os fãs e dançando ao som do clássico de Ozzy.

“Sacrament Of Wilderness” foi a única música do disco “Oceanborn” a ser apresentada para a decepção de muitos. “Slaying The Dreamer”, a música mais pesada da banda deixou todo o público atordoado com a bateria de Jukka, com as marteladas do baixo do Marco e principalmente com os riffs pesados que saiam das seis cordas da guitarra do pequeno Emppu. “Beauty Of The Beast” foi o melhor momento do show, pois a banda reproduziu com fidelidade todas as passagens desse épico lançado no novo disco. Tarja mostrou sua competência, principalmente na segunda parte da música, chamada “One More Night To Live”. Foi o ápice do show e arrepiou a todos. Após ter comovido todos no palco, Tarja anunciou a última música da noite, o cover “Over The Hills And Far Away”.

Mal a banda saiu do palco e o público já os chamava novamente ao coro de “Nightwish” e “Wishmaster”. A volta ao palco foi com a belíssima balada, “Sleeping Sun”, um b-side do disco “Oceanborn”. O show já estava próximo ao fim, quando o tecladista e líder da banda tocou apenas as primeiras notas de “Beauty and the Beast”, do primeiro disco. O público foi ao delírio, porém, Tuomas só estava disposto a tocar caso o público respondesse com muito barulho. E ao som de “Olê, olê, olê, olê, Nightwish, Nightwish”, Tuomas tocou definitivamente a introdução do clássico. Desta vez o diálogo da música foi feito entre Marco e Tarja, já que Tuomas, na coletiva de imprensa fez questão de lembrar que não pretende mais cantá-la. A música final do show foi uma feliz coincidência entre o setlist que estava colado no chão do palco, com os pedidos do público. Tuomas tocou os primeiros acordes e Tarja anunciou pausadamente: “Wish – mas – ter”. Foi um final marcante, em grande estilo, cantado em coro pelo público.

Ao final do show a banda reverenciou o público que estava em êxtase. O grupo mais uma vez sentiu a força do público paulista enquanto os paulistas mais uma vez sentiram a potência do vocais líricos da belíssima Tarja e cia. Foi um show memorável que ficará por muito tempo na mente de todos que estavam presentes no local.

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Sobre Fernando De Santis

Paulistano, nascido em 1979, Fernando De Santis passa grande parte do seu tempo viajando entre São Paulo, Santos e Curitiba. Nas horas de viagens dentro de ônibus ou aviões, costuma ouvir Hard Rock, Heavy Metal e demos de qualquer estilo. Atualmente trabalha como webdesigner para o Estado de São Paulo. Mantém o site "We Burn", dedicado ao Helloween desde 1998, que nunca lhe trouxe nenhum dinheiro, mas rendeu muito amigos.

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