Cranberries: Dolores O'Riordan e seus meninos ao-vivo em San Francisco
Resenha - Cranberries (San Francisco, 03/07/2002)
Por Bruno Romani
Postado em 03 de julho de 2002
O tempo passou, passou, passou… e finalmente quase 10 meses após o lançamento de "Wake Up and Smell the Coffee" Dolores O’Riordan e seus meninos, que já nem são tão meninos assim, deram as caras em territórios estadunidense para mostrar o que pretendem com esse disco.
O local escolhido foi o famoso e já tradicional "The Warfield". Situado na Market Street, principal avenida de San Francisco, o teatro, que foi contruído quase há um século, traz uma belíssima arquitetura e uma acústica excepcional. O público para este concerto, como era de se esperar, era composto por muitos mais mulheres e por pessoas que devem ter em seus aparelhos de som, convivendo pacificamente, tanto discos do Soundgarden como discos da Enya. Ironicamente, a primeira fila foi tomada por homens desesperados por Dolores O’Riordan, levando aqueles que de longe estavam a pensar numa categoria masculina de "groupies" ou tietes.
O número de abertura foi responsável pela primeira, senão única, surpresa da noite travestida de dia em San Francisco (durante o verão as sombras noturnas só aparecem depois das 9 da noite, sendo assim um show que teve início às 8 pode ser considerado um show diurno). A escalação ficou por conta da banda texana de EMO Flickerstick, que teve seus melhores momentos nas canções "Beautiful" e "Smile". Se não foi uma decisão 100% sábia escalar uma banda de EMO para abrir para um grupo de Pop-rock irlandês, ao menos as bandas combinavam no quesito "Popice", afinal EMO é o Pop do punk e o Cranberries dispensa apresentações nesse ramo.
Após uma pequena introdução com a vinheta que acompanha a música "Wake and Smell the Coffee", a banda entra com tudo no palco. O convidativo refrão ao despertar, dessa que é uma das melhores músicas da obra cranberriana, foi mais do que suficiente para ganhar as pessoas. Diga-se de passagem que ao vivo essa canção ganha em peso, embora em termos cranberrianos isso não signifique muito. A baixinha Dolores O’Riordan entrou no palco usando uma máscara típica das festas a fantasia das nobrezas do século XIX, e levou os tietes à loucura.
Em seguida muitos e muitos hits desfilaram pelo Warfield, mas o ápice só foi alcançado após a dupla "Zombie" (com Dolores na guitarra) e "Ode to My Family" ser executada. O primeiro ato terminou com a dançante "Desperate Andy", e um pequeno intervalo para que Dolores recuperasse o fôlego se seguiu. Além dos quatro membros oficiais da banda, o Cranberries ainda trouxe um guitarrista de apoio e um tecladista, tão discreto que quando não necessária sua presença no palco, ele se retirava do mesmo. Um detalhe curioso e revelador é que o responsável pelos solos de guitarra e vocais de apoio, foi o guitarrista contratado e não Noel Hogan, como se poderia imaginar. O contraste entre a capacidade vocal de Dolores O’ Riordan e as limitações técnicas dos outros músicos realmente é algo flagrante ao vivo, mas como fã é fã, nenhum entreposto foi gerado por isso.
O segundo ato foi marcado por uma volta mais calminha, incluindo "Pretty", a balada "When You’re Gone" e uma versão acelerada de "I Can’t Be With You". No décimo-quinto número, foi apresentado à platéia a inédita "Stars", que provavelmente integrará a colêtanea homônima dos maiores sucessos da banda a ser lançada ainda este ano. "Stars" não traz nada de novo à sonoridade da banda, sendo apenas mais uma balada na carreira deles. Na sequência, "Free to Decide" e "Go Your Own Way" (cover do Fleetwood Mac) marcaram o caminho até a melhor música do show, "Salvation". Outro detalhe interessante, é o modo em que os amplicadores foram escondidos atrás de uma espécie de parede branca, sendo assim, aquela visão típica dos palcos de shows de rock(?) - paredes de amplificadores - dessa vez não se fez presente.
O bis dado pode ser comparado a uma montanha-russa: começou fraquinho com o novo single "This is the Day", teve uma subida considerável com power-hit "Linger", caiu vertiginosamente com a inócua e intediante "The Concept"( essa com Dolores no piano), e depois foi só alegria com a, "cranberrianamente" falando, pesada "Promises" e o hit "Dreams". Durante o bis Dolores jogou flores para a platéia, que foram selvagemente destroçadas, além de jogar o chapéu típico dos anos 30 que estava usando. Resumindo: Teve alegria para todo mundo. Ao final somente a ausência da realista "Hollywood" pôde ser questionada, todavia essa parece não combinar com a banda nos tempos atuais.
Pop-rock limpinho e honesto, cheio de hits, com músicos limitadíssimos e uma vocalista fantástica. Esse é o retrato do Cranberries, que promete extender essa turnê até a América do Sul (do jeito que a coisa anda no Brasil, não fiquem tão otimistas). Um show que com certeza agrada aos fãs e não faz muita diferença para quem não é. Sobre o novo disco, fica claro que eles não pretendem mais do que manter a legião de fãs que já possuem. Isso não chega a ser nenhum desmérito, afinal, levar barbados com mais de 1.90 de altura à completa histeria não é para qualquer um.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Johnny Ramone: o guitarrista que revolucionou o rock com três acordes faria 78 anos
A música de 1984 que o Metallica tocou ao vivo uma única vez
O que realmente significa quando um álbum é lançado em versão remasterizada?
Ninguém tinha sobrenome na casa onde os Rolling Stones gravaram "Exile on Main St."
Angra realizará primeiro show da carreira na Finlândia
Graham Bonnet Band lança "The Fifth Force Of Nature", que traz participação de Bruce Dickinson
Por que é importante que artistas se posicionem politicamente
Dregen nega que saída do Hellacopters tenha ocorrido em comum acordo
O músico que mudou o som do Scorpions; "vamos tornar essa porra pesada novamente"
A música que o Black Sabbath escreveu para "A Hora do Pesadelo 3"
A canção dos Beatles em que Paul McCartney já enxergava o fim da banda
Até 44% de descontos em ofertas selecionadas na Amazon de vinil, CDs, celulares e acessórios
Amanda Somerville se manifesta após diagnóstico de tumor cerebral agressivo
Como seria o Pink Floyd se Syd Barrett tivesse permanecido na banda?
A situação inusitada (e fedorenta) que marcou gravação de clipe de Ozzy Osbourne
A banda de Rock Progressivo que apresentou o som do Metal para o Black Sabbath
Quando Paul Stanley enfureceu Slash por querer mudar uma música clássica do Guns
Geddy Lee não é fã de metal, mas adora uma banda do gênero; "me lembram o Rush"



Helloween - Em Porto Alegre, 2 horas e 20 minutos que pareceram passar em instantes
Resenha de Show: Nervosa, Bloodskin e Leprosy em Goiânia
Rockstadt Extreme Festival: 5 dias de metal, caos e shows inesquecíveis na Transilvânia
Jamiroquai - Rock, funk, soul, disco e muito groove em São Paulo
Resenha e fotos do show de Dave Evans, ex-AC/DC, em Belo Horizonte
Como uma música de 23 minutos me fez viajar 500 km para ver uma das bandas da minha vida
Metallica: Quem viu pela TV viu um show completamente diferente



