Yngwie Malmsteen: Após problemas em Poro Alegre, clima não era ideal e

Resenha - Yngwie Malmsteen (Via Funchal, São Paulo, 05/10/2001)

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Por Thiago Sarkis
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Fotos por Ricardo Corsi e Thiago Correa


O show da banda de Yngwie J. Malmsteen em São Paulo, não pode ser comentado sem um prefácio. No intuito de comentar o evento e ao mesmo tempo dar os detalhes que o envolveram, vamos dividir o texto em partes - assim como Malmsteen faz com suas suítes - denominando cada uma delas de "Passo".

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Passo 1 – O grande tropeço

No dia 03 de Outubro, em Porto Alegre, o guitarrista sueco Yngwie J. Malmsteen decidiu, em homenagem a seu filho – norte-americano - e às vítimas do fatídico dia 11 de Setembro, tocar o hino nacional americano, "Star Spangled Banner", frente a seus fãs brasileiros. Péssima idéia. Quem acompanhou o Rock In Rio III e viu uma molecada sem orientação musical, tomar consciência e vaiar sua idolatrada Britney Spears, já sabia que a atitude de Malmsteen geraria reação similar ou até pior, sendo a platéia formada por pessoas um pouco mais instruídas. No entanto, ninguém esperava tanta baderna.

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Diante das vaias dos espectadores, Yngwie deu mais uma prova de ser um verdadeiro ‘gênio’ em termos de contato com o público, e ameaçou parar de tocar caso, durante a execução do hino, não se cessassem as críticas. Obviamente a reação negativa dos presentes prosseguiu e com a insistência no erro de interpretar "Star Spangled Banner" em nosso país, Malmsteen, Derek Sherinian, Mick Cervino, Patrick Johansson e Doogie White, se depararam com um grupo de fãs já sem razão e controle, gritando o nome do terrorista Osama Bin Laden. O circo estava armado, mas Malmsteen e Sherinian fizeram questão de retrucar, agravando ainda mais a situação.

O guitarrista, por sua vez, xingou o público. Já o tecladista, o único norte-americano da banda, foi ainda mais longe e postou em seu site oficial – http://www.dereksherinian.com – uma mensagem, na qual qualificava Porto Alegre como uma "cidade de terceiro mundo, cheia de caipiras".

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Passo 2 – Voltando atrás

No dia 04 de Outubro, horas antes da trupe que acompanha Yngwie Malmsteen se apresentar em Curitiba, Sherinian deixou mais uma declaração em seu site, porém desta vez mais calmo, pedindo desculpas pelo que havia dito e afirmando que ama o Brasil e seu povo.


Um dia depois, na tarde que antecedia o show de São Paulo, houve uma coletiva com o tecladista, na qual ele apareceu com uma camisa do Shaman, e leu seu último pronunciamento, respondendo na seqüência a algumas perguntas. Segundo Derek, sua mensagem fora escrita em um momento de desapontamento, e ele fará tudo o que for preciso para ressarcir os danos causados, principalmente na imagem do Brasil, por suas palavras. O músico, nitidamente tenso, pediu para que os brasileiros se colocassem em seu lugar.

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Em um dos momentos de maior destaque, e usando de artefato digno de grandes políticos no tocante de seus ‘eleitores’, Sherinian disse que, ao ouvir os gritos de "Osama! Osama!", não conseguia parar de pensar nas crianças que haviam perdido seus pais nos atentados.

Passo 3 – O show do ególatra rei e seus súditos


Yngwie J. Malmsteen subiu ao palco da Via Funchal por volta das vinte e duas horas e quinze minutos, tendo a seu lado os destacáveis Doogie White (Rainbow), com alguns quilinhos acima do peso, e Derek Sherinian (Dream Theater, Kiss, Alice Cooper), com uma armadura, a camisa da seleção brasileira de futebol. Além deles, Patrick Johansson (Stormwind) na bateria e Mick Cervino (Blackmore’s Night) no baixo.

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O público não aparentava estar em sintonia 100% com a banda. Os fatos ocorridos nos dias anteriores deixaram marcas evidentes e o clima não era o ideal. Para piorar, o set list escolhido pode ser considerado, no mínimo, fraco. Desde o lançamento de "Alchemy", um show de Yngwie que não contenha sequer uma música deste álbum, já pode ser considerado um equívoco. No entanto é até compreensível. Sem desmerecer o excelente Doogie White, mas com tantas mudanças na formação, e principalmente, com a saída de Mark Boals, ficou complicado executar algo de "Alchemy".

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As músicas do trabalho mais recente, "War To End All Wars", foram bem recebidas, com "Miracle Of Life" sendo cantada em uníssono. Porém, esta, assim como "Bad Reputation", "Wild One", "Masquerade", "Crucify", e todas as outras canções do novo disco, estão milhas de distância dos verdadeiros clássicos de Yngwie.

As passagens que empolgaram mesmo vieram com "Rising Force", "The Seventh Sign", "Hiroshima Mon Amour", "I’ll See The Light Tonight", "You Don't Remember, I'll Never Forget", "Far Beyond The Sun", "Trilogy Suite Op.5" e "Black Star".

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Outra parte que levou o público à êxtase total, foi o solo de teclado de Derek Sherinian, que ainda não consegui descrever ao certo, ficando na dúvida entre o hipócrita e o covarde. Dois dias após estraçalhar a já avacalhada imagem do Brasil no exterior, distorcer fatos, e chamar Porto Alegre de cidade de terceiro mundo, Sherinian sobe ao palco com a camisa do Brasil e executa parte do hino nacional brasileiro.


Arrependimento? Uma maneira de pedir desculpas? Pode até ser, mas sinceramente é difícil acreditar em uma mudança de atitude tão drástica. Ao menos ele conseguiu aliviar a péssima impressão que causou, até mesmo em relação aos menos confiantes. De estúpido e prepotente, ele passou para simpático e arrependido para uns, e ‘apenas’ hipócrita para outros, como este que aqui se pronuncia.

Patrick Johansson e Mick Cervino também tiveram suas vezes, com solos de bateria e baixo. O primeiro se saiu bem, com um solo nada ‘temático’ e musical, mas extremamente interessante, pela técnica apresentada. Já o segundo foi um fiasco. Cervino realizou um dos piores solos de baixo possíveis. Horroroso, patético.


O som não era bom. Tudo demasiadamente centrado nas guitarras de Yngwie, que estavam altas demais, se sobrepondo a qualquer sonoridade de outro instrumento. Os teclados em especial, ficaram quase inaudíveis. No mais, é triste ver como o ego esmagador de Yngwie Malmsteen acaba prejudicando a ele mesmo, e consequentemente, seus fãs. Ele pode continuar em seu trabalho de engorda, e chegar a 500 quilômetros de barriga, que mesmo assim é impossível abarcar todo esse amor próprio e essa necessidade de aparecer e fazer pose.

A postura do sueco o atrapalha e muito. É prepotente e mandão demais. Passa o show inteiro dando ordens e inventando moda. No final das contas, acaba engolindo o resto da banda e se torna o único presente. Yngwie tem um domínio impressionante do instrumento. Seu talento é inquestionável. Mas o posicionamento assumido por ele, é um fracasso. Não é atoa que sua apresentação em São Paulo foi cansativa e chata.

Se continuar nesse ritmo, Malmsteen vai terminar sem músicos, já que ninguém suporta trabalhar a seu lado, e sem platéia, pois não há ser humano que agüente ver essa masturbação musical mais de uma vez.

Yngwie J. Malmsteen – http://www.yngwie.org

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Sobre Thiago Sarkis

Thiago Sarkis: Colaborador do Whiplash!, iniciou sua trajetória no Rock ainda novo, convivendo com a explosão da cena nacional. Partiu então para Van Halen, Metallica, Dire Straits, Megadeth. Começou a redigir no próprio Whiplash! e tornou-se, posteriormente, correspondente internacional das revistas RSJ (Índia - foto ao lado), Popular 1 (Espanha), Spark (República Tcheca), PainKiller (China), Rock Hard (Grécia), Rock Express (ex-Iugoslávia), entre outras. Teve seus textos veiculados em 35 países e, no Brasil, escreveu para Comando Rock, Disconnected, [] Zero, Roadie Crew, Valhalla.

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