Savatage: Os cariocas mal podiam esperar a apresentação

Resenha - Savatage (ATL Hall, Rio de Janeiro, 19/08/2001)

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Por André Toral
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Fotos Pedro "Abufa" Bomfim


Uma das maiores bandas de heavy metal de todos os tempos, em tour do seu último álbum, "Poets and Madmen", se apresentaria esta noite após realizar outros shows pelo Brasil afora; os cariocas mal podiam esperar. Afinal, se tratava do Savatage, uma das responsáveis por aquela safra americana do metal, quando da época de Testament, Armored Saint, Anthrax, etc.. Muitos anos vieram se passando desde então e a banda também mudara sua sonoridade, passando de uma heavy metal clássico para algo mais melódico e progressivo, isso sem falar na fase mais, digamos, glam: "Fight for Rock".

Nesta noite presenciaríamos um pouco de cada momento do Savatage além de sua nova formação. Assim é que chegando no ATL Hall fui direto para o backstage. A noite estava amplamente propícia para os "savafãns" mas, para minha surpresa, encontrei uma pessoa que jamais sonharia ver neste show: Blaze Bayley (ex- vocalista do Iron Maiden) andando acompanhado de sua belíssima esposa carioca (com todo o respeito!); em conversa breve me disse que estava no Brasil aproveitando um espaço em sua agenda (em relação à sua banda: "Blaze").

Bem, mas voltando ao Savatage, o primeiro membro a ser avistado foi Johnny Lee Middleton (baixista) que andava de um lado para outro cuidando dos acertos técnicos. Numa destas idas e vindas perguntei a ele sobre Zak Stevens no que o mesmo me respondeu: "Nós sempre vamos nos lembrar dele, mas não sei nada a seu respeito, na verdade". Depois todos os demais músicos, com exceção de Damond Jiniya, passaram pelos corredores; todos eles muito simpáticos e atenciosos!


Faltando uns 30 minutos para o show começar, dirigi-me à pista e reparei que a casa estava mais cheia. Mesmo assim o público presente não era assustador. As luzes se apagaram e a introdução de "Comissar" começou a ser executada. Pôde-se reparar que a banda somente entra em ação após a parte introdutória desta música que também contém coros. Foi justamente aí que a porrada sonora iniciou-se, contando com uma receptividade única do público carioca. Muito peso, garra e alucinação. Jon Oliva cantou toda a música, contando com backing vocals de Damond que agitava como um louco sem parar. Quanto ao lado técnico, "Comissar" foi exatamente aquilo que nasceu em "Poets & Madmen", ou seja, atuação perfeita de todos os músicos. Outra pérola emendada foi "Surrender", contando com uma participação atrativa dos fãs, já com Damond se soltando um pouco mais no vocal. Bem, mas a enorme curiosidade de vê-lo em ação para poder saber se a saída de Zak Stevens foi tão terrível assim não foi nesta música. Pode-se dizer que foi em "Of Rage and War" que começamos a sentir o que, de fato, caracterizava Damond. Aliás, a execução desta música foi uma surpresa geral muito bem aceita e festejada entre todos.

Agora sim, Edge of Thorns", após algumas brincadeiras características de Jon Oliva (um piadista convicto!), mostrou o que todos nós queríamos saber: do que Damond é capaz? Pois bem, o jovem seguiu à risca o tom de agudos originalmente gravados em estúdio, com muita maestreza. Nem precisa dizer que, em face deste mega-clássico, a platéia foi ao delírio! Interessante é que logo no fim desta, a banda emendou para "Wake of Magellan" que empolgou principalmente aos fãs atuais da banda. A próxima foi "Dead Winter Dead", trazendo à tona aquele espírito de rock - ópera ao ATL Hall que veio abaixo. E não para por aí: "Gutter Ballet" nos levou ao êxtase com sua introdução maravilhosa e pesada; na parte final, onde os vocais vão até o "alto da montanha", Damond saiu do tom pode ter sido devido à gripe que contraiu dias anteriores. Parada para uma conversa, Damond anunciou que no dia seguinte estariam indo para a Flórida (EUA), após terem estado 5 dias maravilhosos no Brasil.

Mas ainda não teríamos descanso com as baladas da noite, pois era a vez de "Sirens" incendiar os fãs que lá estavam. E tome peso! O destaque foi Jack Frost, um alucinado! Após o solo de "Sirens" é que Damond se saiu um competente vocalista para, em casos isolados, mostrar seu vocal death metal, contagiando a galera. Outra surpresa memorável foi a inclusão do excelente hard rock de "Strange Wings", onde Jon buscou cantar identicamente ao original, contando com o backing vocal de Damond nas partes agudas - excelente!


Olhando aquilo, lembrei-me do ótimo Ray Gillen (ex-Badlands e Black Sabbath) pois este foi convidado especial para, em 1987, fazer uma participação especial em "Strange Wings" de estúdio; faleceu de leucemia. Bem, o Savatage seguia emendando clássico após clássic e foi aí que retornaram à parte final de "Sirens" que havia ficado pendente. O resultado foi sobrenatural porque o vocal se destaca neste ponto, sendo que Jon e Damond o executaram alcançando o tom lírico com exatidão. Neste ponto, a banda deu uma descansada, mas Jon Oliva ficou no palco fazendo sua piadas e apresentando os membros - todos foram festejados pelos fãs.

Por fim, Chris Caffery foi ao microfone e perguntou se nós conhecíamos o cara dos teclados, ao que o coro bradava "Jon Oliva", seguidamente. Jon aproveitou a ocasião para apresentar o "outro" membro do Savatage que, em suas palavras, vivia no coração da banda, Criss Oliva - palmas gerais. Apontou em direção ao céu e anunciou que a próxima música era em homenagem à seu irmão, exatamente "All That I Bleed", cantada em uníssono por todos. Retornando ao "Poets and Madmen", fizeram uma execução primorosa e tecnicamente perfeita da longa "Morphine Child". Então, mais uma surpresa faria com que a platéia enlouquecesse: "He Carves His Stone". Guitarras genuinamente pesadas, bateria devastadora e vocais....hum! Como o até então desconhecido Damond canta! Meu Deus, o cara reproduziu fielmente a parte final deste clássico, onde os vocais são altíssimos! Com todo respeito ao Zak Stevens, mas nem mesmo ele fazia mais isso.


Percebia-se que a banda estava a fim de tocar as versões originais de seus sucessos e "Chance" também comprovou isso pois até os coros dobrados foram incluídos em sua execução. Já nos aproximávamos do fim quando, para o 1° bis, retornaram com "Tonight He Grins Again", bela e bem recebida entre todos. A próxima foi "Believe", com direito aos isqueiros acesos. Mais um "good night!" e vieram para o derradeiro bis, com "Hall of the Mountain King", um dos maiores - senão o maior - sucessos do Savatage; registrou-se uma pequena mudança na melodia do refrão original, mas nada que feri-se os ouvidos mais sensíveis.

Sobre cada um de seus músicos, Jeff Plate (baterista) mais uma vez mostrou ser um excelente baterista que se utiliza de uma performance excepcional, além de peso e raça ao tocar. Chris Caffery (guitarrista) assumiu de vez o posto de guitarrista principal do Savatage, mostrando-se um verdadeiro guitar-hero ao alucinar a platéia com seu estilo, velocidade e feeling. Além disso, tratou de executar fielmente os solos originais do falecido Criss Oliva. Antigamente, com All Pitreli, Chris ainda dividia algum solo, mas atualmente ele faz tudo. Já Jack Frost é o típico guitarrista de bases; não tocou nenhum solo, mas teve atuação perfeita em suas partes e agitou o tempo todo. Johnny Lee Middleton (baixista) não é fantástico e nem é um dos melhores do mundo em seu instrumento, mas para o Savatage ele é único, definitivamente. Jon Oliva, como tecladista, mostra-se muito criativo e competente ao vivo pois sabe, na medida certa, mesclar suas partes ao som da banda; como vocalista, nunca mais será o de antes sendo que sua voz nos dias atuais está bem mais rouca do que antigamente. E Damond Jiniya? Sua voz é versátil, indo do agressivo ao melódico; escolha perfeita para substituir Zak Stevens. E sobre a banda como um todo, prefiro dizer que, atualmente, o Savatage mantém a raça do velho e ótimo metal americano aliado à classe do metal europeu. Isso é que alegra cada um dos "savabrothers" o longo do mundo. Foi extremamente prazeroso assistir o espetáculo ao longo de uma hora e quarenta minutos. Torcemos para que a banda retorne logo e que a saga continue!


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Sobre André Toral

Formado em Administração de Empresas. Curte Hard clássico dos anos 70 e início dos 80; Heavy Metal é sua religião.

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