O solo de uma nota que Eddie Van Halen elegeu como um dos maiores; "um tapa na cara dos virtuoses"
Por Bruce William
Postado em 28 de janeiro de 2026
Quem olha para a carreira do Eddie Van Halen tende a imaginar que ele só se impressionava com coisas impossíveis de tocar. Afinal, ele virou sinônimo de "tapping", de frases que viraram lição de casa para guitarrista no planeta inteiro e de um tipo de som que, por anos, foi copiado nota por nota em quarto de adolescente (e em estúdio também).
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Só que a lembrança que ele escolhe como uma das maiores não vai por esse caminho. Pelo contrário: ele aponta um momento em que o peso está na intenção, não no malabarismo. E isso diz muito sobre a forma como ele via solo de guitarra: não como "prova", mas como parte da música.
Na história contada pela Far Out, a conversa chega num ponto em que o rock vira um campo de disputa entre "tocar com o coração" e "tocar para mostrar serviço". O Eddie teria absorvido coisas dos caras que mudaram o instrumento (Clapton, Hendrix), mas também tinha espaço para um tipo de guitarra que não está nem aí para polidez - desde que o que sai do amplificador faça sentido naquela hora.
É aí que entra Neil Young e "Cinnamon Girl". A ideia é quase provocação: o solo é de uma nota só, repetida, e ainda assim funciona - e muito bem, conforme Eddie, que resume assim: "Um dos meus solos favoritos é em 'Cinnamon Girl', do Neil Young. É um solo de uma nota e ele simplesmente encaixa na música. Qualquer outra pessoa mandaria um ruído qualquer e não faria sentido. Se eu mudei ao longo dos anos, foi que eu passei a ficar mais afinado com a música."
Esse "encaixa na música" é a chave. Para um cara capaz de tocar o que Eddie tocava, ele escolher justamente um solo minimalista vira um recado em forma de elogio. Não que ele estivesse desprezando quem estuda e se dedica a fazer "coisas impossíveis", mas porque a referência que ele cita desmonta a ideia de que o "maior" precisa ser o "mais complicado". Às vezes a grandeza está em não passar do ponto.
E, na boa, isso ajuda a entender o próprio Eddie: mesmo quando ele fazia algo chamativo, a preocupação era não atropelar a canção. A moral aqui é bem simples: técnica pesa, claro mas, quando a música manda, quem manda mesmo é a música.
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