Resenha - Gamma Ray & Masterplan (Canecão, Rio de Janeiro, 01/12/2003)

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Por Rafael Carnovale e Anderson Guimarães de Carvalho
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.













Fotos do Show: Anderson Guimarães

Esta definitivamente foi uma turnê que deixou os fãs eufóricos. Quando anunciada, durante a passagem do Stratovarius em solo brasileiro, gerou muita curiosidade e muita ansiedade. Afinal estariam juntas duas bandas de altíssimo gabarito: de um lado a revelação Masterplan, com Uli Kusch e Roland Grapow (ex-Helloween) e o excepcional vocalista Jorn Lande (ex-Ark), e de outro o já consagrado Gamma Ray, capitaneado pelo fundador e ex-guitarra e vocal do Helloween Kai Hansen. Muitos chegaram a especular que esta turnê seria uma resposta ao giro feito pelo Helloween meses antes, mas o que importava e que poderíamos conferir a performance do Masterplan, que vinha sendo elogiada em toda a mídia especializada, e o já conhecido Gamma Ray, que além de vir de uma turnê européia como banda de abertura do Iron Maiden, lançava seu ao vivo mais recente, “Skeletons in the Closet”, cujo “set-list” foi tirado através de uma votação na internet.

Após o excelente show em São Paulo no dia 29, as bandas chegaram dia 30 de novembro no Rio de Janeiro. O primeiro passo do giro carioca foi numa concorrida tarde de autógrafos na loja Hard and Heavy do Flamengo, aonde cerca de 200 fãs saudaram as duas bandas, que foram completas, tendo um contato mais direto com seus ídolos. Não pudemos estar presentes a este evento, como fazemos de costume, mas agradecemos ao pessoal da Hard and Heavy (Alexandre, Paulo e Follena) por nos cederem algumas fotos.

Segunda feira: dia do show. Chegamos por volta das 16 horas no Canecão e pudemos conferir a passagem de som das duas bandas. Um momento interessante, aonde antes de tudo os músicos se preparam para que o som e a luz estejam impecáveis. Nesse meio tempo tivemos a grata e maravilhosa oportunidade de entrevistas ninguém menos que Jorn Lande, o aclamado vocalista do Masterplan, que vinha sendo apontado por muitos fãs como o destaque da turnê, e aproveitamos, numa conversa extremamente agradável (aonde Jorn se mostrou solícito e extremamente satisfeito em falar conosco), para tirar algumas declarações interessantíssimas do vocalista, que podem ser conferidas abaixo:

“O Masteplan é a combinação de cinco membros que trazem suas idéias e influências para gerar um som único. Por mais que Uli, Roland e eu estejamos sempre com os esqueletos das músicas, todos colocam suas idéias, gerando assim o som do Masterplan. “Spirit Never Die” seria o melhor exemplo do que falo. E será assim também no próximo álbum.”

“Ser parte da banda de Yngwie Malmsteen era uma boa oportunidade para mim. Mas Yngwie parece ser superprotegido por todos que estão a sua volta. Nunca pode ser contrariado. Não digo que ele seja má pessoa, pelo contrário, mas as pessoas que estão junto dele são extremamente complicadas. Nunca briguei em shows (assustado). Tive sim um forte desentendimento com sua esposa, April, e isso foi o começo do meu fim com Mr. Malmsteen.”

“Sempre gostei do Ark, mas senti que não estava mais fazendo parte da “coisa” propriamente dita. Eu estava lá, cantava as músicas, mas não me sentia parte daquilo tudo. Acabei sendo demitido. Fiquei muito chateado, mas nada pude fazer. Agora pretendo me dedicar a fortificar o Masterplan e aos meus trabalhos solo, aonde exponho melhor minhas influências, nem sempre no heavy metal.”

“Sim, sou muito influenciado por David Coverdale e Whitesnake. Mas acho que tal comparação entre nós só veio a acontecer porque cantei no The Snakes. Acho que se eu cantasse numa banda como o Catch the Rainbow iriam dizer que eu era um clone de Ronnie James Dio (rindo).”

Enquanto conversávamos com Jorn, o Gamma Ray passava seu som. Após o término da passagem, era a vez do Masterplan, e tivemos a oportunidade de conversar com Dirk Schlachter, baixista da banda, que se mostrou muito atencioso e também deu declarações interessantíssimas, que podem ser conferidas logo abaixo:

“Skeletons foi uma idéia que surgiu de todos, mas a idéia da votação pela Internet foi minha. Sempre quisemos fazer shows com músicas que nunca tocamos ao vivo, ou que tocamos no máximo uma vez, e nos divertimos muito com isso. Os fãs entenderam a idéia e acho que o grande sucesso da turnê foi o fato de estarmos fazendo os shows por pura diversão.”

“Kai tem uma preferência por “Razorblade Sigh” e foi muito legal ver que os fãs a colocaram entre as mais votadas. É uma boa música, reta, direta, mas dificílima de gravar, pois manter o ritmo e o “groove” durante sua execução para mim foi um tormento. Havia momentos no estúdio em que eu queria desistir dela. Levamos três dias para finaliza-la, e ainda tive que dar um duro danado na parte em que mudamos o andamento. Mas gosto da música.”

“Ralph não saiu da banda. Nós o demitimos. O fato de ele morar a quase 300 Km de onde ensaiávamos e se recusar a mudar isso foi determinante. Nunca pesou em nossa decisão o fato de ele estar tentando entrar no Judas Priest. Você tem direito de ter os seus sonhos e tentar realiza-los. Isso não seria motivo para manda-lo embora. Pena que ele não conseguiu. Cogitamos colocar outro vocalista, mas Kai acabou resolvendo assumir os vocais, e lançamos “Land of the Free”. Nesse momento eu tocava guitarra, mas devo confessar que estava cansado. Não que não gostasse da guitarra, mas sempre fui baixista, e em certos momentos via minha posição de guitarrista como um emprego. Quando a turnê terminou já estava disposto a voltar para o baixo de qualquer jeito, mas como a formação do Gamma Ray mudou, acabei tendo a sorte que queria. Mas ainda vou gravar alguns solos no futuro.”

“Para os shows com o Iron Maiden montamos um “set” especial, com músicas mais adequadas ao momento que estávamos vivendo. Jamais poderíamos recusar tal convite. Eles estão tinindo e a turnê foi ótima”

“Henjo foi convidado para entrar no Helloween. Sim, isto mexeu conosco. Mas demos ao Henjo todo o tempo que fosse possível para ele pensar bem, e deixamos bem claro que em nenhum momento estávamos pressionando-o para ficar no Gamma Ray. Mas chegou um momento em que precisávamos dele, e neste momento ele já tinha decidido ficar conosco. Ele é muito sensato, e sei que está feliz com sua decisão, e nós também.”

“Deixamos o pessoal louco com o “set-list”. Temos uma base que sempre é mantida, mas deixamos alguns “coringas”, que mudamos toda noite. E só decidimos o que vamos tocar faltando trinta minutos para o show, o que faz com que nossa equipe fique louca ajustando luz, som (risos). Esperem por surpresas, e pensem positivo sempre.”

Terminada a passagem de som do Masterplan (aonde a banda executou uma versão de “Man on a Silver Mountain” matadora, algo inusitado aconteceu. A van que levaria os músicos de volta ao hotel demorou para retornar, visto que saíra um pouco antes com o pessoal do Gamma Ray, e ficamos alguns instantes conversando com todos num clima bem informal, como se fosse um bate-papo entre amigos. Nós, Fúlvio do programa MOSH, a banda e os roadies passamos quase 1 hora batendo papo sobre música, e assuntos diversos (Jorn ficou feliz ao falar de sua cidade natal). Neste meio tempo, Uli foi avisado por um camarada nosso (Henrique) que “Man on a Silver Mountain” não estava escrita no “set” colado nos PA’s, no que Uli rapidamente escreveu em todos os “set’s” a música, em sua ordem. Os músicos saíram do Canecão por volta das 20 horas, e o show começaria as 21:30.

Um público razoável (cerca de 1500 pessoas) para uma segunda feira chuvosa adentrou o Cancecão e pontualmente as 21:30 o Masterplan começava seu show com “Spirit Never Die”. Graças a “gentileza” dos seguranças da casa quase perdemos as três primeiras músicas e as fotos, mas conseguimos resolver tudo a tempo de tirar boas fotos. “Enlighten Me” veio em seguida e a banda mostra que tem poder de fogo, com Jorn se saindo excepcionalmente bem (embora não faça ao vivo alguns tons mais altos, mas nem isso compromete seu show). A satisfação está na cara de Mr. Roland Grapow, em músicas como “Crystal Night” e “Kind Hearted Light” (uma das melhores da noite), enquanto Jan se mostra um ótimo baixista e Uli continua o mesmo, mas um pouco mais contido, se levarmos em conta o show que fez com o Helloween na turnê do cd “Dark Ride”. O tecladista Axel também aproveita para fazer seu show particular, correndo de um lado para outro do palco quando não é exigido, com extremo carisma.

“Soulburn” viria em seguida e notamos que o Masterplan está tocando com uma iluminação bem precária e um som de médio a razoável (ajudado pela “ótima” acústica do Canecão, como sempre). Mas nada disso tira o bom humor da banda, que anuncia “When Love Comes Close” com uma revista de mulher pelada nas mãos de Jorn. O público agitava bastante e muitos mostravam grande satisfação em ver a banda no Brasil já em sua primeira turnê, sendo que o nome de Jorn era gritado por todos. “Man on a Silver Moutain” vem em seguida, introduzida por Grapow, que tocou trechos de “Smoke on the Water”, “Kill the King” antes de emendar a música, que ficou matadora na voz de Jorn e que fez o Canecão tremer. “Heroes” viria em seguida, com Jorn e Grapow fazendo um belo dueto (Grapow assumiu os vocais que foram gravados por Michael Kiske), seguida por “Bleeding Eyes”, que cada vez mais contagiava o já agitado público carioca.

Grapow aproveita a deixa e começa a tocar trechos de músicas do Helloween (“Dr. Stein”, “Future World” e “Eagle Fly Free”) mas acaba mandando junto com a banda um “medley” de “The Chance” (“a primeira música que escrevi para o Helloween, segundo ele), “Sunset Station” (do cd solo de Jorn “Worldchanger”) e “Departed (Sun is Going Down”) que ficou muito bem executado, para encerrar o set de cerca de uma hora e quinze minutos com “Crawling From Hell”. Um show muito bom, que foi prejudicado pelo som e pela luz, mas que mostrou uma banda com um belo entrosamento que tem tudo para crescer mais ainda, visto que já começou grande.

Um intervalo razoável, aonde alguns fãs deixaram o Canecão (porque?), e desce o pano de fundo do Gamma Ray, com a capa do cd “No World Order”. “Welcome” ecoa nas caixas de som e o público enlouquece com a entrada de Kai, Henjo, Dirk, Dan e Axel (de novo!!!!). “Gardens of the Sinner” abre o show, sendo cantada por todos, seguida por “No World Order” (limando “Rich and Famous”, que havia sido tocada em Sampa) e “Man on a Mission”, para o delírio dos fãs. Kai aproveita para saudar o público carioca e dizer que este é o nosso “Heavy Metal Universe”, com ampla participação dos fãs, exceto na parte que Kai pediu as moças que levantassem suas blusas.....

“One With the Wolrd” viria em seguida para emendar com um solo de Dan Zimmermann, que se mostra competente e interativo com o público (foi irônico o momento em que Dan usava os bumbos e simulava estar socando a cara). A banda volta para “Rising Star/Shine On” (que deu uma caída, embora seja uma bela música) e “The Heart of the Unicorn” (inspiradíssima por Judas Priest) que levantou o público de vez. Tal agitação foi perfeita para receber os “hits” “Rebellion in Dreamland” e “Land of the Free” (aonde Kai mandou os seguranças jogaram água no pessoal, pois o calor era infernal). O mais legal era ver como a banda estava realmente se divertindo. Henjo é um exímio guitarrista, talvez o mais contido, mas o sorriso em seu rosto permanece do começo ao fim do show. Dirk é um agitador de primeira, e faz excelentes “backings” para Kai, que não para um minuto, agitando tudo o que pode. Neste clima de diversão, Mr. Hansen vai ao microfone e diz que vão tocar algo “do tempo que eu estava em outra banda” e que a música era “sua mensagem final nesta banda”: “I Want Out”, num “medley” com “Future World”, que fez o público cantar em uníssono desesperado. A banda sai, e o bis é aguardado ansiosamente.

“The Silence” é tocada, sendo uma bela balada, e agradando os presentes, seguida por um momento solo de Dirk, que anuncia, entre gritos e solos de baixo rápidos, “Beyond The Black Hole” (aonde o mesmo se mostra um baixista de mão cheia) e o encerramento com “Send me a Sign”, cantada por todos.

Após os shows, os elogios não paravam de ser ouvidos. Muitos falando de Jorn Lande e do Masterplan, outros falando do belo show do Gamma Ray, mas uma coisa é certa: foi uma turnê de sucesso, e as portas do Rio de Janeiro aguardam ambas as bandas em seus próximos shows, já que os mesmos prometeram voltar, mesmo reclamando do calor infernal que rondava a cidade. O único fato negativo ficou por conta de uma briga que começou durante os shows e que continuou na saída do Canecão..... pena que alguns resolvam ir a shows para brigar... mas nem isso estragou uma segunda feira que com certeza animou a semana de muitos fãs.

Agradecimentos:
Hard and Heavy
Mirian Hinds (Faz Produções), Jorg e Andréa Santos

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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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Sobre Anderson Guimarães de Carvalho

Fotógrafo do site, também finaliza o bacharelado e licenciatura em História na PUC-Rio. É uma figura conhecida na cena carioca, mais odiado do que amado. Gosta de incomodar, assim como também gosta de HammerFall, Rammstein, Ivory Tower, Accept, Soilwork,Scorpions e Grave Digger.

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