Lou Reed: O Verdadeiro Príncipe das Trevas
Por André Garcia
Fonte: Meu perfil no Medium
Postado em 24 de junho de 2017
Príncipe das Trevas’ é a alcunha recebida por OZZY OSBORNE por conta do teor macabro e ‘satânico’ das músicas de sua carreira, tanto como artista solo quanto como integrante do BLACK SABBATH. O fato é que OZZY não é nenhum arauto de Satã, é apenas o apelido de John Michael Osbourne, que como católico que é, quer distância de Lúcifer e não possui o menor desejo de um dia pisar no inferno. Eu consigo imaginar ele preenchendo um formulário assim:
Nome: OZZY
Ocupação: Príncipe das Trevas
Na minha opinião, quem realmente fazia jus a esse trono é LOU REED.
Ele, que formou e liderou o VELVET UNDERGROUND, banda que verdadeiramente foi na contramão de tudo que os BEATLES representavam e dos sonhos hippies. Banda formada para falar sobre a vida de drogas e decadência que seus integrantes viviam no submundo de Nova Iorque nos anos 60, já que eles não se viam representado por nada nem ninguém. Banda que já era Pós Punk antes mesmo do surgimento das bandas Proto Punk. Banda que foi um fracasso comercial em seu tempo, mas que futuramente seria consagrada como uma das mais influentes.
Sim, LOU REED. Ele, que sempre desafiou os (pré)conceitos de gênero e sexualidade e sempre afrontou aos caretas e conservadores com dedicação digna de um paladino. Ele, que há décadas nos convida a nos aventurar a caminhar pelo lado selvagem, afinal, você pode encontrar de tudo lá, inclusive você mesmo. Ele, que saiu do limbo e se tornou um astro apenas para, 3 anos depois, arruinar sua credibilidade junto à indústria musical gravando um disco com 1 hora de ruídos para cumprir contrato (disco esse que foi recolhido das lojas 3 meses após seu lançamento). Ele, que já confessou ter gravado discos ruins propositalmente para fracassar comercialmente e enfurecer os executivos da gravadora. Ele, que em vez de namorar uma atriz de Hollywood ou uma modelo europeia, se relacionou publicamente com uma desconhecida travesti. Ele, com sua língua afiada, seu humor cáustico, suas roupas pretas, seu ar blasé, seu temperamento difícil, sua cara de poucos amigos, sua inteligência singular, sua sonoridade única.
LOU REED, ao contrário do que muitos esperavam, não morreu de overdose na década de 70 e teve uma longa carreira. Uma carreira de altos e baixos ao longo de décadas, que se encerrou com a medonha e desastrosa colaboração com o METALLICA, que resultou no disco "Lulu". Ele, cuja certidão de nascimento exibia o nome Lewis Allan Reed, passou toda sua carreira abordando e representando tudo aquilo que a sociedade, como dizia a música do The Doors, dorme para esquecer: Sexo, violência, drogas, morte, prostituição, depressão, sadomasoquismo, sofrimento… Tudo isso era grão de areia dentro dessa ostra que ele foi. É. Será.
Eu reverencio LOU REED como o Príncipe das Trevas. Das trevas que há dentro de cada um de nós, mesmo do mais bondoso e virtuoso de nós.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



"Eu não erro nunca", disse Mikkey Dee ao entrar no Scorpions
Hellfest vem aí e confirma 182 bandas em 4 dias de shows
A música do Deep Purple que cutucava os "guardiões da moral" dos anos 70
A música do Metallica de 1984 que James Hetfield não quer ver nem pintada de dourado
A primeira música que o Queen tocou quatro anos antes de transformá-la em clássico
Angra anuncia bandas convidadas para shows em São Paulo
CDM Metal Fest - Metal como resistência cultural no Sul de Minas Gerais
Tarja Turunen precisou deixar a Finlândia após demissão do Nightwish
Chuck Billy (Testament) conta como foi ter Rob Halford escrevendo prefácio de sua biografia
7 clássicos do rock nacional lançados em 1994 que são lembrados até hoje
O trabalho desajeitado de Jimmy Page na guitarra que conquistou Robert Plant
O clássico do Slayer que é faixa de um álbum "terrível", segundo a Metal Hammer
O detalhe sobre os músicos do Iron Maiden que impressionou a presidente da Bulgária
A reflexão de um cantor italiano de metal sobre Angra com Fabio Lione e Andre Matos
Site britânico explica por que Rock in Rio Lisboa é "um festival como nenhum outro"
Guitarrista alega ter escrito 95% das músicas do System of a Down, "incluindo vocais"
Uli Jon Roth convenceu Bruce Dickinson que o Iron Maiden não é uma banda de Heavy Metal


A época em que Regis Tadeu ganhava a vida fazendo covers de The Doors e Lou Reed
Os 5 álbuns que podem fazer você crescer como ser humano, segundo Regis Tadeu
Metallica: a regressão técnica de Lars Ulrich
Motorhead: Lemmy e o direito de morrer como quiser



