Bob Dylan: Prêmio Nobel de Literatura

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Por André Espínola
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Na quinta feira, dia 13, o cantor e compositor Bob Dylan ganhou o Prêmio Nobel de Literatura de 2016. A academia disse que o prêmio era destinado a Dylan por "criar novas expressões poéticas dentro da grande tradição da música americana". Comparou-o ainda a poetas da antiguidade, como Homero e Safo, que originalmente eram textos poéticos para serem tocados e acompanhados com instrumentos musicais. Só chegamos a conhecer os seus textos poéticos, infelizmente, a música não. Com Dylan nós tivemos a felicidade de podermos aproveitar ambos os atributos.

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Enfim, o mundo se rende ao talento e ao valor histórico e cultural da carreira de Bob Dylan. O mérito é inquestionável, afinal, o mundo já havia se rendido a Bob Dylan faz tempo. Doze Grammys, um Oscar, um Globo de Ouro, um Pulitzer e um Príncipe das Astúrias das Artes são provas disso. O acréscimo do novo prêmio - o Nobel de Literatura - à lista vem acompanhado de uma polêmica - irrelevante, na verdade. O que se está debatendo é se um músico pode ganhar um prêmio de literatura, especialmente o maior prêmio da literatura do mundo. Ouvir Bob Dylan é muito mais do que ouvir música; não se pode limitar Bob Dylan a um "músico". Ele é simplesmente o maior poeta e o maior literato do mundo da música, seguido de Leonard Cohen. O impacto de Dylan para a cultura popular, através de suas letras, ou melhor, através de suas poesias, é o suficiente para receber o Prêmio Nobel de Literatura.

Músicas como "Hurricane", "The Times They Are A'Changing", "Like a Rolling Stone", "Blowin' In The Wind", "Masters Of War", dentre inúmeras e inúmeras outras, são provas irrefutáveis do merecimento do prêmio; o fato de vir acompanhado de instrumentos musicais é um aperitivo. É justo, simples assim; não vai fazer Bob Dylan maior do que já é; ele podia muito bem passar sem o prêmio. O que vale aqui é o mundo se render a um talento extraordinário que não cabe nos limites impostos pelas classificações tradicionais entre literatura e música. Nisso, o Prêmio Nobel de Literatura seguiu o seu premiado e ampliou seus limites. Os demais que continuem tentando; e eles preferirem, que musiquem suas obras para ver se tem mais chance assim.




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Sobre André Espínola

André Espínola, recifense, estudante de História e apaixonado por música, quer levar um pouco de sua paixão para os outros, resenhando sobre novos lançamentos e pagando tributo aos clássicos e às nossas raízes musicais, sobretudo o Blues, Rock e Jazz, cuja missão básica é dizer aos quatro cantos: "a boa música nunca morrerá!". Possui o blog Filho do Blues, onde escreve e edita textos sobre as novidades musicais do mundo do rock, indie e blues.

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