O rumo do vinil no país da desculturação
Por Edson Medeiros
Fonte: O Besouro Musical
Postado em 10 de dezembro de 2015
Recentemente, o ex-Oasis Noel Gallagher e outros astros emitiram sua opinião a respeito do atual revival do vinil. Como amante da música e colecionador de discos fiquei instigado a também expressar a minha opinião.
Por si só essa volta dos discos de vinil, nossos queridos bolachões, já é surpreendente! Depois de estar fadado a extinção nos anos 90, passou por altos e baixos, mas sempre seguiu por aí e nunca deixou de circular de fato.
Quando comecei a me interessar de verdade por música, com meus 12 ou 13 anos, o vinil já era coisa do passado. Tínhamos o CD e o MP3, comecei a ouvir e colecionar música por este segundo. Depois de começar a ouvir rock & roll e descobrir que aqueles CDs cheios de música que minha mãe guardava em casa na verdade eram álbuns e que podíamos encara-los como arte assim como os filmes, em VHS claro, já que na época eu ainda não possuía DVD.
Fui buscando as chamadas discografias – uma palavra nova que usaria pelo resto da minha vida – e colecionando os álbuns em pastas de arquivo cheias de MP3 e capas em jpg.
Quando comecei a trabalhar e comprei meus primeiros CDs acabei fazendo disto um hobby, passei a colecionar de verdade, mas nunca comprei por comprar, sempre comprei por gostar.
Com o tempo me interessei também por LPs, andando pelos sebos de SP ficava admirando aquelas capas gigantes e percebia o fetiche dos rockers mais velhos por aquele objeto.
Só quando comprei meus primeiros LPs saquei o lance por trás do colecionismo do vinil.
Mas tudo é questão de gosto, há quem prefira CD, K7, MP3, etc. Não julgo. É quase como religião, futebol, politica, cada um tem uma opinião e provavelmente vai defende-la a qualquer custo.
Agora sobre o revival do vinil.
Acho um movimento válido. Se vai durar? Realmente não dá para saber.
Pode passar rápido e cair novamente em desinteresse ou não. É muito difícil o interesse pelos LPs continuar crescendo sem o apoio da mídia. Já que a rentabilidade da música hoje baseia-se basicamente em vendagens de formatos digitais, shows e visualizações no Youtube.
Quem mais sairia ganhando nessa história seriam as gravadoras.
Positivamente o revival do vinil é uma resposta a atual falta de interesse cultural. Temos todas as facilidades tecnológicas possíveis para conhecer milhares de coisas novas e mesmo assim vivemos num mundo que a qualidade musical está degringolando cada vez mais. Já não dá para diferenciar as coisas, pois tudo tem sido enlatado em um irritante formato comercial: o rock, o samba, a black music, o sertanejo/country, tudo. Mesmo gêneros tradicionais caem na máquina processadora que transforma a matéria prima em um "enlatado de USA".
O interesse pela mídia física é um alento. Mostra que ainda existem pessoas que apesar de terem os ouvidos diariamente bombardeados por lixo sabem separar o joio do trigo. Sem definir gêneros claro, o importante é que a boa música possa ser apreciada em sua qualidade total (o que formatos digitais não proporcionam).
Negativamente prejudica quem sempre colecionou e agora sofre com a inflação dos preços graças a lei da oferta e procura. O alto custo impossibilita também que uma grande massa passe a consumir LPs em larga escala no Brasil, já que vivemos no país dos impostos e do emburrecimento cultural. Não existem leis que ajudem a população de baixa renda a ter acesso a cultura ou que ao menos incentive o consumo da mesma. Seja por meio de acessibilidade ou redução de impostos sobre os produtos importados.
Quando mudei de SP para Maringá-PR empolgado pela ascensão do vinil quase abri uma loja de discos usando minha própria coleção como estoque inicial. A crise financeira não me permitiu. É um sonho engavetado. Quem sabe um dia.
Particularmente, acho até que longe do nosso querido Pindorama a volta do vinil pode durar sim. Principalmente em países economicamente mais bem estruturados.
Já para nós moradores desse "pais tropical abençoado por deus e bonito por natureza" parece mais é um luxo para poucos, quase como um "Iphone sei lá o que" ou alguma coisa assim.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Tony Iommi considera injusto comparar Jorn Lande a Ronnie James Dio
O plano de Nicko McBrain para voltar ao estúdio no próximo álbum do Iron Maiden
Os 50 artistas de rock e metal mais ouvidos de todos os tempos no Spotify
Três anos após levar tiro na cabeça, Mingau, do Ultraje a Rigor, aparece de pé em vídeo
Dark Dimensions Festival anuncia primeiras bandas
Com mais de 140 shows, festival Welcome to Rockville anuncia atrações para 2027
A música do Lynyrd Skynyrd que Dave Mustaine colocou no Metallica sem Lars Ulrich perceber
Como um solo de Ace Frehley ajudou Marty Friedman a mudar de vida após uma viagem que deu ruim
Korzus lança single/videoclipe "Blind Deaf Mute"
Rick Rubin achou que faltava Satanás no Slayer e pediu que a banda voltasse às raízes
Zakk Wylde compara entrar no Pantera a Eric Clapton homenageando Jimi Hendrix
O problema no Alter Bridge que fez Mark Tremonti criar sua própria banda
Jorn Lande conta como foi ter um baterista de black metal em sua banda
Glenn Hughes ficava muito acelerado quando tomava café, segundo Tony Iommi
Confessori lança álbum "Realm Breaker" e novo videoclipe de "Ösel Solis"
A banda desconhecida que influenciou o metal moderno e só lançou dois discos
A banda que Clemente subestimou no Musikaos: "Nunca ouvi falar e vendeu 400 em 10 minutos"
A música gravada pelos Beatles que três deles odiaram e somente um deles gostou de fato

Acender sinalizadores em shows é uma tremenda besteira
O rock e o heavy metal se misturam com a política, sim (e você provavelmente sabe disso)
A declaração de James Hetfield não surpreende, considerando de onde veio
Por que é importante que artistas se posicionem politicamente
O fã não é nenhum idiota, e merece mais respeito
Rock in Rio quer o nome do rock, mas não seu compromisso
Heavy Metal: Bem vinda, Nova Geração da Velha Escola



