Motorhead: Meu adeus ao "Animal" Phil Taylor
Por Edson Medeiros
Fonte: O Besouro Musical
Postado em 24 de novembro de 2015
No dia 11/11 recebi uma das mais tristes notícias do ano.
O lendário baterista da formação clássica do Motörhead estava morto. É, portanto, com muito pesar que decidi escrever sobre ele.
Phil "Philthy Animal" Taylor" nasceu em 21 de setembro de 1954, no subúrbio de Chesterfield, Inglaterra. Agora aos 61 anos sua vida de excessos cobrou seu preço, não se sabe ao certo o porquê, mas Philthy faleceu deixando um imenso vazio para todos nós fãs de sua música.
A notícia foi divulgada por seu velho companheiro Eddie Clark em uma rede social:
"Meu caro amigo e irmão morreu ontem à noite. Ele esteve doente fazia um tempo, mas isso não suaviza nem um pouco quando a hora realmente chega. Eu conheço Phil desde que ele tinha 21 anos de idade e ele era um baita cara. Felizmente, fizemos música fantástica juntos e eu tenho muitas memórias queridas dele de nosso tempo junto. Descanse em paz, Phil!
'Fast' Eddie Clark"
O líder e baixista/vocalista do Motörhead, Lemmy Kilmister também falou sobre o assunto em entrevista para à revista Classic Rock:
"Estou me sentindo muito, muito triste no momento, na verdade, devastado, porque um dos meus melhores amigos morreu ontem. Eu já sinto falta dele. Seu nome era Phil Taylor, ou Philthy Animal, e ele foi nosso baterista duas vezes em nossa carreira. Agora ele morreu e realmente fico puto que morra alguém como ele e George Bush ainda esteja vivo. É de fazer pensar.
Ainda vamos em frente, vamos em frente com força. Foram Würzel e agora Philthy. É uma vergonha, cara. Eu acho que esse negócio de rock & roll faz mal para a vida humana.
Ian 'Lemmy' Kilmister"
Outros grandes nomes prestaram sua devida homenagem ao Animal, todos reconheceram sua importância em suas vidas. Seja como músico ou amigo de farra.
Talvez Lemmy com toda sua sabedoria de botequim tenha razão. Afinal, que preço a vida de exageros imposta por esse tal de rock & roll cobra desses artistas da massa?! Geralmente o maior dos preços: A própria vida.
Quantos já não se foram ou encaminham-se para seus túmulos pelos caminhos sujos do rock?
É verdade também que somos "nós" ou no caso "eles" que escolhem seus próprios caminhos. E que todos viveram como bem quiseram, talvez se arrependam de ter feito algo, mas nunca poderão se arrepender de NÃO ter feito algo.
Olhando por outro ponto de vista, do agora, do imediatismo, do terreno, talvez isso seja bom. Afinal que certeza temos do que nos espera do outro lado? Sendo a foice do ceifeiro nossa única certeza devemos aproveitar tudo ao máximo. E pode ter certeza que Philthy aproveitou.
Seus anos com o Motörhead duraram entre 1975-1984, e outro período entre 1987-1992.
Da primeira vez entrou para substituir o baterista Lucas Fox, que abandonou o barco antes da gravação do primeiro disco da banda.
Sua importância para o heavy rock é inestimável. O seu jeitão tosco de tocar é só mais um importante elemento de sua musicalidade, a velocidade e força com que socava o instrumento tornou-se referência para a maioria dos bateristas do thrash metal ao hardcore punk.
A forma como sempre entra chutando a porta e as viradas esquisitas são sua marca registrada – o uso intensivo dos pratos a lá Bill Ward também.
Participou do período considerado clássico do Motörhead e gravou 11 discos com a banda. Entre os quais os essenciais para qualquer headbanger que se preze: Overkill (1979) e Ace of Spades (1980). Além de outros grandes discos igualmente importantes.
Depois de uma breve debandada em 1984, voltou dois anos depois para mais três discos e algumas turnês.
Com seu desempenho caindo cada vez mais devido a duas lesões ósseas graves (na coluna vertebral e na mão direita) potencializadas pelo consumo desenfreado de cocaína e álcool, Lemmy decidiu demitir Philthy definitivamente em 1992.
Fora do Motörhead tocou com o guitarrista Brian Robertson (Thin Lizzy; Motörhead) no Operator, também participou de algumas turnês do escocês Frankie Miller e de grupos de menor evidencia como o Waysted (com Pete Way baixista do UFO) e o Capricorn (ao lado do guitarrista Todd Youth).
A maioria dos projetos em que entrou não decolaram. Isso contribuiu para sua reclusão, afastou-se do showbiz e passou a viver isolado em seu apartamento em Londres.
Sua saúde vinha definhando a anos, as informações sobre sua vida eram poucas. Sabia-se só que andava doente, mas não o real motivo e nem mesmo a gravidade.
Confesso que sua morte foi chocante para mim, como fã do Motörhead.
Foram as batidas selvagens e rápidas de Phil Taylor que despertaram a primeira fagulha do rock em mim. Foi ele ao lado de Lemmy e Eddie Clark o primeiro time de músicos que curti de verdade, ao ponto de me aprofundar primeiro em suas músicas, depois nos álbuns e enfim em tudo que carregava o nome Motörhead – a primeira camiseta de banda, o primeiro boné, etc.
Por sua música e sua persona serem pedra fundamental na minha formação como apreciador de música – e principalmente rocker – sua passagem foi ainda mais dolorosa.
Foi como se um velho amigo (ou algo assim) falecesse, restando apenas as lembranças, ou no caso de Phil "Philthy Animal" Taylor sua música, que também é sua essência de vida.
Por isso, ele deixa o plano terreno para entrar no seleto panteão dos imortais do heavy rock.
Vá em paz, sr. Animal.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Foo Fighters - "Tenho muito a falar, mas preciso tomar cuidado", diz Josh Freese
O que o retorno de Angela Gossow ao Arch Enemy representa na prática?
Quem é Berzan Önen, o novo vocalista turco e fortão do Nevermore
Regis Tadeu afirma que último disco do Megadeth é "uma aula de dignidade"
Alex Skolnick (Testament) lembra audição para o Spin Doctors
"Ouvi e achei muito interessante": lenda do rock aprova o Sleep Token
Vocal do Lamb of God diz que antigo logo da banda parecia cardápio de restaurante
Dois anos após lançamento, guitarrista reflete sobre álbum mais recente do Pearl Jam
Tour manager do Guns N' Roses fala sobre emoção de Axl ao conhecer Ozzy Osbourne
"Não havia uma única mulher na plateia": o começo estranho de uma lenda do rock
Citando "João 2: 16", Ghost lança videoclipe para a música "Umbra"
O melhor álbum solo de cada membro do Guns N' Roses, segundo o Loudwire
A música do Queen que Brian May diz resumir o que a banda era "de verdade"
Bill Hudson: "Qualquer coisa que não são essas duas bandas é percebida pelo público como amador"
Jeff Loomis conta como honrará o legado de Warrel Dane na nova formação do Nevermore
Stephen King e sua canção favorita dos Beatles; "Ainda soa totalmente fresca quando ouço hoje"
Planet Rock: as maiores vozes da história do rock
Como uma junção de duas palavras de idiomas diferentes gerou o título de um hit dos anos oitenta


Phil Campbell, ex-Motörhead, cancela turnês por recomendações médicas
A banda que Joey Ramone disse que mais o inspirava; "Uma experiência de corpo e mente"
A banda de metal que conquistou Motörhead, Iron Maiden e George Michael
O cantor fora da curva que Lemmy citava como influência, mesmo sabendo que jamais alcançaria
Dave Mustaine diz que mortes de Ozzy Osbourne, Dio e Lemmy Kilmister o afetaram
Lojas de Discos: a desgraça e o calvário de se trabalhar em uma
Avenged Sevenfold: desmistificando o ódio pela banda



