O futuro do Rock nacional: bandas autorais devem "se tocar"

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Por Fernando Moraes
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As bandas autorais não se tocam. Elas deveriam, mas não fazem isso. Enquanto milhares de músicos estão, neste momento, Brasil afora, tocando covers das bandas consagradas e clássicas, são poucos os que se propõem a planejar e executar eventos voltados apenas para músicas autorais. Com isso as iniciativas ficam desconexas, individualizadas e não rendem, deixando morrer o que seria o futuro do Rock nacional.

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É certo que, atualmente, não há tanto mercado para a novidade, para experimentalismos. O mundo anda meio quadrado, com medo de inovações que levem a reflexões sobre a total estagnação da cultura pop – na qual o Rock está inserido - em nosso país. E, infelizmente, é fato que a maioria dos movimentos culturais contestadores que surgem são, por muitos de nós, marginalizados e alvos de preconceito.

Mas o principal interessado, o músico autoral, o artista independente, não pode se conformar com isso. Se não lhe dão espaço, ele tem que criar. E para criar, é preciso manter contato, é preciso estar junto, é preciso se envolver em eventos, iniciativas, shows independentes. Em outras palavras, se o artista deseja ser ouvido, também precisa valorizar os eventos culturais – sejam relacionados à música ou a qualquer outra forma artística – inovadores, autorais, autênticos.

Imagine se os integrantes das bandas das quais vocês são fãs ficassem a vida inteira tocando covers, se os Beatles se conformassem a fazer versões ao vivo de Elvis, se outras bandas hoje consagradas não tivessem saído da zona de conforto e encarado o público com suas composições. Nenhuma delas seria o que é hoje. E é exatamente o que está acontecendo. Hoje sobram bandas covers ao mesmo tempo em que as novidades – e há muitas – sejam alçadas ao sucesso.

A culpa é de quem? Muitos têm parte nesta responsabilidade, mas aqueles que deveriam ter coragem e se organizar para mudar isso são os principais responsáveis, afinal, são eles que devem fazer a “cena”. A cultura pop não cria nada, apenas se apropria do que tem potencial para crescer e estourar.

Ok, talvez você pense: “ah, mas quem disse que eu quero ser pop?”. Não se iluda, mesmo as bandas mais pesadas, de Motorhead a Slayer, fazem parte da cultura pop. A não ser que, como muitos músicos ou artistas, você realmente tenha como objetivo tocar em eventos undergrounds, em praças públicas, em eventos alternativos - e não há demérito nisso -, o que deseja é ser reconhecido pela massa. Mas isso é tema para outros artigos.

Felizmente, iniciativas como mostras de música independente, como o que foi realizado recentemente em Carapicuíba, rádios online que tocam os autorais, coletivos culturais que valorizam as manifestações artísticas que pipocam pelo país estão começando a ganhar força.
Portanto, cabe ao músico (ou qualquer artista) autoral, independente: baixar a guarda no quesito preconceito; livrar-se de velhos paradigmas que nos deixam presos ao passado, como se fosse impossível que algo novo tenha qualidade; mas, principalmente, integrar-se a grupos, movimentos, iniciativas que proporcionem força a quem está brigando por um espaço no mundo.

O recado é: músicos independentes, toquem suas músicas, toquem as músicas uns dos outros, divulguem seus trabalhos em conjuntos, reúnam-se em eventos, gravem coletâneas e disponibilizem pela internet, criem canais de comunicação. Muitos de vocês têm qualidade e o mundo precisa saber que vocês existem!

Fernando Moraes

O autor é Jornalista, relações públicas e vocalista/guitarrista da banda paulista Rota Ventura

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Sobre Fernando Moraes

Jornalista e Relações Públicas, Fernando Moraes é também músico independente, vocalista e guitarrista da banda paulista Rota Ventura. Amante de Rock, de música de qualidade e entusiasta dos artistas autorais, seus artigos falam sobre o cenário do novo Rock Nacional e os desafios daqueles que fazem de tudo para que grandes bandas continuem surgindo e mantendo vivo o estilo de som mais amado de todos os tempos.

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