Rock baiano: retrocessos e alguns avanços

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Por Fábio Cavalcanti, Fonte: Rock em Análise
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Os poucos leitores do humilde espaço "internetês" ocupado por este que vos escreve, intrigados por um texto publicado em 2011, com o título "Período de vacas magras no rock baiano" e um discurso mais angustiado do que barata de barriga pra cima, solicitaram uma visão atualizada acerca do cenário do rock feito na Bahia. E a verdade é que, nesses últimos 3 anos, pouca coisa mudou...

Rock em Análise: período de "vacas magras" no rock baiano

Sim, como de costume, existe muito rock sendo feito na nossa grande Bahia. Não apenas na "Capital do Axé", mas também em Feira de Santana, Camaçari e Vitória da Conquista - só para ficar nas cidades mais pesquisadas pela maioria dos ouvintes. Por um lado, o aspecto fervilhante do cenário mostra que, contra todas as estatísticas musicais do momento, os roqueiros do estado estão dispostos a manter o rock vivo no Brasil. Por outro lado, ainda falta a devida maturidade para fazer a coisa dar certo.

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E se me permitem manter o foco em 'Salvador City', devo dizer que há um preocupante aumento nas atividades tipicamente mafiosas das "panelinhas" da cidade. Com uma paranóia típica de Corleones e Scarfaces da vida, grande parte das bandas "bem sucedidas" (atenção às aspas) daqui tomam atitudes que parecem ter sido diretamente influenciadas pela ideologia de filmes como "Os Bons Companheiros"... mas sem qualquer requinte de elegância do sr. Martin Scorsese, claro.

Só para ficar em algumas dessas atitudes mafiosas:

- Sabotagem nas regulagens de som para prejudicar a banda que fará o show a seguir.

- Formas de cortar o tempo de show da banda menos favorecida do evento.

- Favoritismo "comprado" para uma determinada banda nos esquemas de filmagem conjunta de um grande evento.

- Fofocas sobre bandas concorrentes em geral.

O que falar então do grande "8 ou 80" referente ao profissionalismo que o rock baiano deveria mostrar? Por um lado, temos eventos de organização extremamente torta, e por outro temos eventos que se parecem com um grande comercial de marca de grife - o que leva o organizador a tentar ditar até mesmo a forma como os músicos devem se vestir ou posar durante o show. Com os músicos não é diferente: algumas bandas se contentam com um espírito "punk" que esconde apenas a mera tosqueira, e outras exageram na necessidade de profissionalismo ao ponto de mal conseguirem sair do lugar...

Mas, para não dizer que não falei das flores, devo parabenizar as bandas que buscam o sucesso sem prejudicar o próximo, com um enfoque em um trabalho cada vez mais adaptável ao presente - e futuro -, além da vontade de realizar parcerias com qualquer banda que seja digna de um trabalho em conjunto. Ao invés de pensar em fazer shows à base de uniões mais falsas do que a frase "A partir de amanhã eu não bebo mais", tais bandas pensam bem cada passo, e suas investidas acabam sendo lembradas posteriormente.

Outro aspecto positivo se encontra na atitude dos poucos músicos que sabem aceitar críticas, indo na contramão dos cactos ambulantes que só conseguem "argumentar" imbecilidades como:

"Você critica porque tem inveja do sucesso da minha banda!"

"Você critica porque é um músico frustrado!" (caso o opinante seja músico)

"Falar assim na frente de um computador é fácil, quero ver você falar na minha cara!"

"Velho, depois dessas suas palavras, tenha muito cuidado por onde anda..."

E se eu evitei citar exemplos de bandas nesse texto, foi apenas para não cair nas graças da grande máfia baiana. Pesquise um pouco mais e saberá quais são as maçãs boas e as podres do cenário. Garanto que vale a pena ter uma ideia de tudo de bom e ruim que anda acontecendo nesse momento que, acima de tudo, não tem nada que faça merecer a sua indiferença. Afinal, a evolução começa - ou continua - a partir da análise e ponderação, certo? Boa viagem, e até a próxima atualização!




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Sobre Fábio Cavalcanti

Baiano, sempre morou em Salvador. Trabalha na área de Informática e ¨brinca¨ na bateria em momentos vagos, sem maiores pretensões. Além disso, procura conhecer novas - e antigas - bandas dos mais variados subgêneros do rock. Por fim, luta para divulgar, sempre que possível, o pouco conhecido cenário rocker da tão sofrida ¨Terra do Axé¨.

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