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Monsters of Rock: evolução, mas ainda com falhas e buracos

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Por Diego Camara
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Conforme já disse o grande Marcelo Moreira, há uma carência grandiosa por bons locais de show na capital paulista. Quem vê espetáculos como os shows do IRON MAIDEN e BLACK SABBATH – com seu som extremamente baixo e dúzias de reclamações estruturais – e shows no enlameado Jockey Clube – que aparentemente já virou história não será mais palco de shows – realmente conseguem verificar a tristeza que são os grandes espetáculos em nossa cidade.

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Com o Monsters of Rock não foi nada diferente: a Arena Anhembi realmente esteve no geral muito superior ao palco do Iron Maiden, no mesmo local, um mês antes. Mas alguns problemas surgiram e outros continuaram latentes. No geral, porém, pode-se dizer que o Monsters of Rock foi muito superior aos seus dois principais espetáculos citados acima, mas também carregou alguns problemas iguais. Fiz uma reunião aqui dos pontos que achei relevantes para aumentar a discussão acerca dos espaços de show na capital paulista, pois este é um problema realmente terrível em nossa cidade.

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Som: no geral, muito superior ao som baixíssimo do Iron Maiden e da estrutura deficitária que colocaram no Black Sabbath, onde a fuga de som foi muito grande. Neste o som estava realmente ALTO, o bastante para que as pessoas do lado de fora do Anhembi pudessem ouvir a força da música que foi tocada do lado de dentro. O bonito de ver foi que os shows foram no geral os mesmos do início ao fim, o que é bem raro. Ponto para a técnica, ponto para as bandas que fizeram a lição de casa.

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Em alguns espaços, porém, o áudio estava estourado, e em alguns pontos meio baixo, mas o geral foi positivo.

Tirando o falso QUEENSRYCHE do sr. Geoff Tate – uma vergonha de áudio do início ao fim, que parece combinar com a péssima qualidade de seu último lançamento – e de algumas críticas pontuais, todos os shows foram bem positivos. Ponto para o Monsters of Rock que, se mantiver sua qualidade no próximo ano, já sai na frente neste quesito.

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Telões: foram tristes. O pior é que as imagens estavam lindas na maior parte do tempo, mas o delay ridículo que ocorreu durante todo o festival – um despreparo da técnica que não verificou isso – era sofrível e extremamente chato. Parece ser algo bobo – e realmente o é, no geral – mas não custava nada ajeitar para a satisfação de quem viu o show de mais longe. Além disso, a falta de um telão central na maior parte dos shows – pelo que me recordo bem apenas o AEROSMITH teve o direito de usa-lo, foi um ponto bem negativo se compararmos com o belíssimo uso que ele teve no show do MEGADETH e do SABBATH aqui em São Paulo. Pode ser algo a se investir no próximo ano.

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Troca de palco: muita gente achou frescura os comentários que imprimi sobre a lenta troca de palco, mas friso novamente isto aqui: acho extremamente bizarro uma demora de 30 a 40 minutos para se mudar um palco, especialmente quando bandas foram chamadas ao festival para tocar miseráveis 45 minutos (você espera nesses casos o mesmo tanto de tempo na troca de palco que curtindo um show). Se contarmos as esperas entre cada um dos shows chegamos a marca de horas e horas ociosas. Se você teve a coragem de ficar os dois dias do festival ali, desde seu início, para ver todos os shows, você esperou um total de 7 (SETE) horas nessa brincadeira. Há vários meios para diminuir isso, como módulos, dois palcos, diminuição do número de bandas (e aumentos do tempo de shows? Acho válido.), entre outras. A produtora terá bastante tempo para pensar em como não deixar o público dormir muito.

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Tempo de show: só vou dizer uma coisa: TRAGAM AS BANDAS PARA TOCAR MAIS! 45 minutos é muito pouco para bandas tão legais como GOJIRA, DOKKEN, HATEBREED, entre outras. Show de uma hora seria o que todas as bandas mereceriam, como no Rock in Rio.

O sol, nenhuma sombra: o local parece não ser o melhor para realização de eventos abertos durante o dia. O sol forte do fim de semana mostrou isso: por ser uma área extremamente aberta e feita com um concreto que retém o calor, o público assou ali no sol. O resultado foi muita gente se escondendo nos pequenos espaços de sombra pra não queimar demais, mas mesmo quem sentava na sombra podia sentir o calor que irradiava do chão. Neste ponto, só ajuda um local com terra ou com grama (nem que seja sintética como na Cidade do Rock), isso reduz bastante a temperatura. Eu gosto de imaginar o que ocorreria se chovesse este fim de semana: será que o Anhembi, cheio de lixo e com poucas saídas de esgoto, aguentaria uma pancada de água?

Merchandising: todos extremamente caros. Um cartaz por 20 reais foi, no meu ver e de diversos colegas, o fim da picada. É UM PEDAÇO DE PAPEL, minha gente! Isso sem falar nas camisetas ridículas que tentaram vender lá. O Monsters não caprichou em suas roupas oficiais, o resultado foi que muita gente não comprou. O dos camelôs do lado de fora estava muito mais bem feita. Nisso o festival pode aprender muito com o Live ‘n’ Louder, que tinha uma camiseta muito bem feita na edição deste ano, e até com o Rock in Rio. As camisetas oficiais das bandas margearam os valores que sempre estão saindo por ai: 70, 80, 100 reais. Da maioria das bandas esgotou no segundo dia – no primeiro não cheguei a conferir, mas acho que também tiveram boa vazão.

Alimentos e bebidas: como sempre um setor triste nos shows, a compra nos stands e bares não foi de todo ruim. Não havia nenhuma fila quilométrica para se comprar nada, felizmente. O atendimento, no geral, foi satisfatório. O grande problema parece ser dois: ambulantes e preço.

Ambulantes: Os ambulantes continuam com a velha história de querer cobrar a mais , além do que a maioria não transita pelas áreas na frente do palco – então, para que servem se ficam só lá no fundo? Os stands são sempre melhor opção neste caso. A parte chata é sempre ter de sair do lugar onde está se você estiver com sede, e é essa a utilidade dos que levam a bebida até lá na frente. Se os ambulantes não funcionam, o melhor que se pode fazer é aumentar o número de bares dentro da pista e utilizar as grades do pit para transitar na área.

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Preços: Já no que tange aos preços, difícil não demonstrar a tristeza que são. Pareceu-me que a estratégia do Rock in Rio de aumentar o custo da bebida alcoólica tinha um objetivo certeiro de reduzir o número de pessoas caindo pelo chão de tão bêbadas, mas com isso reduziram o preço da água (não como eu gostaria e acho necessário, mas reduziram). Ao valor de 5 reais, a água foi muito cara e não ajudou em nada a manutenção da saúde das pessoas no lugar com todo aquele sol: o público mais pobre, que dá às vezes o sangue pra comprar o ingresso, somente sofre quando não consegue comprar água a um preço razoável e nem trazer pelo menos uma garrafinha de fora. Não me espantaria se muita gente teve problemas de saúde ou vai passar a semana acabado. Uma diminuição no preço da água é razoável, é justo e a produção do evento não vai perder dinheiro com isso – ao contrário, pode até ganhar mais se vender mais.

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E não venham me falar dos escondidos e extremamente distantes bebedouros.

Alimentação: eu me perguntei em um momento por quantas horas não estaria ali nos ambulantes aquelas batatinhas. O risco de elas terem atravessado o Anhembi inteiro, ida e volta, por algumas boas horas, não era pouco: o preço caro já seria uma boa razão pra não comprar. As opções eram poucas e caras, e quase tive a curiosidade de saber o que tinha no hot-dog pra ele valer DEZ REAIS. Ainda estou curioso, mas não fui corajoso o bastante.

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Stands: pareceram uma boa ideia para entreter o público entre um show e outro, obtiveram algum sucesso (especialmente para quem fugia do sol!). A iniciativa foi legal e remontou um pouco ao Rock Street que já está presente no Rock in Rio. Porém ideias não faltam, possibilidades novas e encontrar parceiros interessantes para incrementar este espaço. Uma delas seria talvez deixar mais claro o que seriam os stands no festival, quem estaria neles e o que ocorreria antes de acontecer o Monsters. Tudo pareceu meio solto, meio perdido neste ponto.

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Bem, me pareceram estes alguns pontos relevantes a tratar sobre os principais pontos de inflexão do festival, mas obviamente não esgotam em nada a discussão


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Sobre Diego Camara

Nascido em São Paulo em 1987, Diego Camara é jornalista, radialista e blogueiro. Seu amor pelo metal e rock começou há 6 anos. Um amante da nova geração, é um grande fã de Arjen Lucassen, Andre Matos e bandas como Nightwish, Hammerfall, Sonata Arctica, Edguy e Kamelot. Também não deixa de ter amor pelos clássicos, como Helloween, Gamma Ray e Iron Maiden e do Rock de bandas como Oasis, Queen e Kings of Leon. Atualmente seus textos podem ser lidos no blog OCrepusculo.com sobre assuntos diversos, além de planos para criação de um projeto totalmente voltado aos blogs de Rock e Metal.

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