O punk realmente matou o rock progressivo?
Por Marco Gaspari
Fonte: Consultoria do Rock
Postado em 13 de fevereiro de 2012
Faz de conta que você está lendo isto em novembro de 1986.
Muita gente considera 1976 o ano zero do punk rock. E, claro, o último suspiro do rock progressivo. Em 26 de novembro daquele ano, um meteoro chamado SEX PISTOLS caiu na superfície de Londres e varreu da face da Terra todos os pomposos dinossauros de calça boca de sino e capa de lantejoulas. Para algumas bíblias do catecismo roqueiro, foi o maior serviço prestado ao bom e velho e rock 'n' roll.
Bom, passados dez anos do efeito "Anarchy in the UK" e aproveitando que a poeira radioativa levantada por tal meteoro já foi absorvida pela atmosfera da mídia, embora muitas matérias no mundo inteiro estejam comemorando com fogos excessivos a primeira década desta importante revolução musical, fica a pergunta: o punk realmente matou o rock progressivo? Considerando a Inglaterra como a cena do crime e examinando todas as evidências posteriores, eu diria, enfaticamente, que não. Não só o punk não matou o progressivo (como exploraram de forma sensacionalista as revistas NME, Melody Maker, Sounds e outros representantes menores da imprensa musical marrom de sua majestade), como o prog passou por um de seus períodos mais dourados justamente nos anos em que imperou o punk rock.

Senão vejamos: em 1977, o ano imediatamente após o lançamento de "Anarchy in the UK", que viu o SEX PISTOLS arrebatar o primeiro lugar nas par"adas com o LP "Never Mind the Bollocks, Here's the Sex Pistols e o THE CLASH assinar um contrato milionário com a CBS e ver seu álbum de estreia emplacar um 12° lugar (só para citar duas bandas), vários grupos progressivos fizeram grandes turnês pela Inglaterra promovendo o lançamento de seus álbuns, todos Top 10 nas paradas britânicas: PINK FLOYD com "Animals", YES com "Going For The One" e GENESIS com "Wind & Wuthering". Ainda nesse ano o VAN DER GRAAF GENERATOR lançou "The Quiet Zone/The Pleasure Dome", o GENTLE GIANT lançou "The Missing Piece", o JETHRO TULL lançou "Songs From the Wood" (13° lugar na Inglaterra) e o ELP lançou os dois volumes de "Works" (o primeiro alcançou o 9° lugar).

Só que isso não estava nas páginas da imprensa musical londrina. Para ela, essas bandas jurássicas simplesmente não existiam mais, pois a vitória do proletariado punk sobre a burguesia progressiva foi esmagadora. O que os arautos da imprensa roqueira não previam é que antes mesmo do final da década o punk não mais se sustentaria nas suas propostas originais, passando a misturar seus três acordes com os mais variados ritmos (aquela coisa que os músicos progressivos chamavam de fusion, hehe...), e o PINK FLOYD cometeria um dos álbuns de maior sucesso de todos os tempos: "The Wall" (1979).
Os anos 80 também começaram de pernas para o ar. Caso contrário, como explicar o som do chamado pós-punk inglês: SIOUXSIE & THE BANSHEES cada vez mais parecida com o CURVED AIR, o ULTRAVOX ressuscitando os primeiros anos do ROXY MUSIC, o CABARET VOLTAIRE sampleando o HAWKWIND, o SIMPLE MINDS sendo produzido por STEVE HILLAGE, o WIRE tocando uma música de 15 minutos em uma sessão do programa do radialista John Peel, e John Lydon, veja só, não escondendo mais sua admiração juvenil pelo VAN DER GRAAF GENERATOR e as bandas de krautrock. O rock progressivo, por outro lado, dava o ar de sua graça em todos os níveis: o Rock in Opposition do HENRY COW (depois ART BEARS) influenciava várias bandas do underground inglês, o KING CRIMSON voltava com tudo, lançando o primeiro álbum de sua trilogia colorida, e as paradas oficiais começaram a recepcionar as bandas de neo-prog como o MARILLION, UK, IQ, PENDRAGON, TWELFT NIGHT, AFTER THE FIRE e PALLAS. Havia espaço até mesmo para o surgimento de um supergrupo progressivo, o ASIA, que juntou John Wetton, Geoffrey Downes, Steve Howe e Carl Palmer, todos eles Lázaros redivivos do progressivo setentista.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | Pois é, neste mês fazem 10 anos que o punk matou o rock progressivo. A imprensa inglesa continua insistindo em enfatizar isso e ainda insistem em ignorar os grupos progressivos. E mesmo assim, sem nenhuma repercussão na mídia e mortinho da silva, o prog insiste em desmenti-la e continua respirando, aguardando pelo próximo meteoro, quem sabe um mais eficaz desta vez.

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