Rock Clássico x Moderno: existe mesmo diferença?
Por Nacho Belgrande
Fonte: Site do LoKaos Rock Show
Postado em 02 de fevereiro de 2012
Por Matthew Lasar do site Radio Survivor, traduzido por Nacho Belgrande
Eu ouço muito rock pela rádio aqui na Bay Area de São Francisco e também a rádios de todo o mundo através do meu Android. Muitas dessas rádios se definem como de rock ‘moderno’ ou ‘classic’. Mas estou começando a pensar até onde a diferença original entre os dois gêneros são válidas, já que as faixas etárias dos ouvintes vivem mudando.
No momento, a binariedade moderno/clássico ainda reina. Pegue a estação de ‘classic rock’ de São Francisco, a KUFX. Os top hits dela incluem Queen – "Crazy Little Thing Called Love", U2 – "Still Haven’t Found What I’m Looking For", ZZ Top – "Give Me All Your Lovin", Van Halen – "Pretty Woman", e Bad Company – "Rock and Roll Fantasy".
É tudo bem classic rock, até onde eu entenda. Mas outras estações de classic rock no mesmo gênero estão começando a integrar o que eu sempre chamei de rock moderno nas suas playlists. Por exemplo, tem a Sky.fm que a Sky afirma ser de classic rock, mas clama oferecer ‘uma seleção diversa e empolgante de hits do classic rock, desde o hard rock britânico dos anos 70 até rock progressivo dos anos 80.’
Da ultima vez que eu conferi, os hits da Sky.fm incluíam seleções de The Cars, Peter Gabriel e David Bowie. Esses são artistas de classic rock? John Mellencamp, que também está na rádio, um artista de classic rock?
Qual é a diferença histórica entre o rock moderno e o clássico, pra começar? Alguns anos atrás eu trombei com um cara vendendo cópias de The Art of Modern Rock no Metreon em São Francisco. Eu perguntei a ele quando ele achava que o rock ‘moderno’ tinha começado e o ‘classic rock’ tinha acabado. Ele pareceu meio aborrecido com a pergunta. Então eu o deixei quieto.
Eu chuto que o gênero ‘Discoteca’ serve como o marco histórico original entre o rock clássico e o moderno. Entre 1974 e 1979, a disco causou grandes estragos no rock. Ela roubou uma grande parte do público do rock, causando um grande revide anti-disco. A história é muito bem contada no excelente livro de Alice Echols, "Hot Stuff: Disco and the Remaking of American Culture".
Quando o rock voltou no começo dos anos 80, ele o fez roubando o fôlego da disco. Bandas de ‘New Wave’ como The Cars, Devo, Oingo Boingo, Prince, The Talking Heads e Blondie se apropriaram da batida 4/4 e do som urbano que grupos como o Chic e Rick James tinham aperfeiçoado. Artistas como John Mellencamp e Bruce Springsteen não seguiram esse caminho, claro, mas as músicas deles sobre os EUA pós-industrial claramente notavam que os anos sessenta tinham acabado. A mesma coisa fez Bowie com letras como ‘Do you remember your President Nixon? Do you remember the bills you have to pay? Or even yesterday?’
Então, em termos históricos, rock ‘moderno’ e ‘classic’ podem ser realmente definidos como rock pré- e pós-disco. O rock moderno decolou de fato depois da Disco inesperadamente cair em desgraça depois do grandioso lançamento do filme "Os Embalos de Sábado à Noite" em 1977. Mas em termos práticos, quando se pesquisa em estações de rádio de rock moderno/clássico, está ficando cada vez mais difícil detectar a linha clara, viva, entre os dois gêneros.
Agora, além do borrão entre o rock pré e pós-Disco de por volta de 1980, há estações de rádio dedicadas a modern rock como a 99rock que foram ainda mais além. A versão moderna delas do rock moderno reside em Green Day, ou Cake, ou até mesmo Celo Green.
Sendo assim, o rock moderno é agora relativamente o rock ‘novo’. O rock moderno, tal como ele emergiu nos 1980, é nostalgia pelos anos 80. tudo pré-1990 que ainda toca nas rádios se torna automaticamente ‘clássico’ «mesmo que pouco antes fosse ‘moderno’», e os eventos históricos que criaram a distinção entre o rock clássico e moderno estão sendo lentamente esquecidos nesse processo.
Isso não quer dizer que as estações de rádio não possam se chamar de ‘classic’ ou ‘modernas’. Elas podem se chamar do que quiserem. Mas a diferença original entre os dois termos, enraizada em eventos culturais, está se esvaindo da memória coletiva à medida que as gerações mudam.
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