Collector's Room: O Black Sabbath voltou. E agora?
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collector's Room
Postado em 12 de novembro de 2011
O Black Sabbath acabou de anunciar o retorno da formação original da banda. Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward voltam a tocar juntos, reativando a mais importante e influente banda da história do heavy metal. Além disso, o grupo anunciou uma turnê mundial no ano que vem e será a atração principal do Download Festival, o antigo Monsters of Rock. E, pra fechar com chave de ouro, o quarteto revelou que também lançará um álbum de inéditas em 2012 produzido pelo renomado Rick Rubin, responsável por clássicos como Reign in Blood do Slayer, Electric do The Cult, Toxicity do System of a Down e inúmeros outros, além de ser o homem por trás do aclamado retorno do Metallica ao heavy metal em Death Magnetic.
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Mas o que esperar dessa reunião? Ela realmente vale a pena? O Black Sabbath faz parte do pequeno grupo que mudou a história da música. O grupo tornou o rock mais pesado, sombrio e escuro, acabando com o colorido sonho hippie quando o seu primeiro disco, batizado apenas com o nome da banda e com a imagem tétrica de uma bruxa enigmática na capa, chegou às lojas no fatídico 13 de fevereiro de 1970, não por acaso uma sexta-feira. Os principais responsáveis por isso foram os riffs inspirados, pesadíssimos e escuros do guitarrista Tony Iommi e as letras sinistras de Geezer Butler. Fechando o time, o carismático vocal de Ozzy Osbourne e a bateria única de Bill Ward.

Entre 1970 e 1975 o Black Sabbath gravou seis álbuns fantásticos em sequência, que definiram o heavy metal como gênero. Black Sabbath (1970), Paranoid (1970), Master of Reality (1971), Vol 4 (1972), Sabbath Bloody Sabbath (1973) e Sabotage (1975) são obrigatórios em qualquer coleção – o meu preferido, só para constar, é o sensacional Sabbath Bloody Sabbath. Já cansados das turnês infinitas e um tanto estagnados musicalmente, isso sem falar das doses industriais de cocaína e álcool ingeridas diariamente, o grupo lançou ainda Technical Ecstasy (1976) e Never Say Die! (1978), últimos registros com a voz de Ozzy, que deixou a banda em 1979.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | Enquanto o Madman dava início a uma ótima carreira solo aclamada tanto pela crítica quanto pelo público, o Black Sabbath se reinventava de maneira sublime com Heaven and Hell, disco lançado em 1980 com o ex-Rainbow Ronnie James Dio nos vocais. Dio gravaria ainda Mob Rules (1981), mas deixaria o grupo de forma prematura por divergências sobre a mixagem do duplo ao vivo Live Evil (1982). O resto da trajetória da banda, apesar de contar com discos interessantes, é claramente inferior aos trabalhos com as vozes de Ozzy e Dio.
Para tentar entender como o Sabbath soará agora em 2011, é preciso analisar o que os seus integrantes fizeram nos últimos anos. Iommi e Geezer lançaram em 2009 o bom The Devil You Know ao lado de Dio, álbum com uma sonoridade muito mais próxima – como era de se esperar – a Heaven and Hell e Mob Rules do que aos discos dos anos 1970. Um pouco antes, Iommi retomou a parceria com Glenn Hughes (Trapeze, Deep Purple, Black Country Communion), iniciada no subestimado Seventh Star (1986), e colocou na praça dois excelentes discos – The 1996 DEP Sessions (2004) e Fused (2005). Além disso, reativou em 2011 o projeto WhoCares na companhia de Ian Gillan e lançou o ótimo single "Out of My Mind / Holy Water". Já Geezer Bulther gravou em 2005 o segundo disco do seu projeto G//Z/R, Ohmwork, com uma sonoridade influenciada pelos grupos de new metal, o que não agradou os fãs. O baterista Bill Ward passou por diversos problemas de saúde nos últimos anos, então deixou a sua carreira musical meio de lado nesse período.

O que, como você bem sabe, não aconteceu com Ozzy Osbourne. O vocalista lançou em 2010 um de seus melhores discos, o surpreendente Scream, onde a sua música soou atual e renovada. Muito disso se deveu à entrada do guitarrista grego Gus G (Firewind) em sua banda, no posto ocupado anteriormente por Zakk Wylde.
Na minha opinião, o retorno do Black Sabbath vale a pena principalmente pelo anúncio do lançamento de um álbum com canções inéditas. Excursionar pelo mundo tocando apenas os clássicos é legal, isso é inegável, mas servirá muito mais para agradar fãs saudosistas e encher ainda mais as contas dos músicos de dinheiro do que qualquer outra coisa. Como a banda tem realmente alguma pretensão artística com essa reunião, não irá se contentar apenas em tocar as mesmas canções de sempre. Era só perceber o comportamento inquieto de Iommi, compositor prolífico e que já declarou aos quatro ventos possuir "um armário cheio de riffs inéditos", para concluir que a coisa iria além. O fato de Ozzy também estar com o fôlego renovado após a ótima repercussão de Scream colocava ainda mais lenha na fogueira para um possível disco de estúdio, confirmado agora, e que me agradou muito.

Mas é preciso deixar claro uma coisa. Qualquer pessoa com mais de 5 anos de idade sabe que o Black Sabbath de 2011 não soará como o Black Sabbath da primeira metade dos anos 1970. O quarteto não tem mais 20 anos de idade, pelo contrário: quase 40 anos separam um período do outro. Nesse tempo os músicos envelheceram, amadureceram, mudaram. É difícil tentar adivinhar como um novo álbum do Sabbath soará hoje em dia, ainda que algumas características não mudem: os riffs pesados e arrastados de Iommi estarão presentes, bem como as linhas vocais grudentas de Ozzy. Essas duas características garantem a ligação com o passado, mesmo que o restante aponte para um disco com uma sonoridade bastante atual – e quando eu digo atual eu me refiro a uma produção excelente, com timbres graves, pesadíssimos, e, simultaneamente, orgânicos. Enfim, a cara de Rick Rubin, um produtor que sabe como trazer à tona as melhores qualidades de um artista, costuma dar aos seus trabalhos.

A volta do Black Sabbath é boa para o heavy metal, isso é inegável, afinal estamos falando dos pais do gênero que tanto amamos. Ver a banda ao vivo novamente será certamente inesquecível, mas poder ouvir canções inéditas do quarteto será ainda mais gratificante. Quando um grupo dessa magnitude anuncia o seu retorno, todos que estão envolvidos com o heavy metal – músicos, fãs, jornalistas – saem ganhando. Eventos como esse injetam combustível da mais alta octanagem no coração de cada headbanger em todos os cantos do planeta, reativando a paixão, o amor e a fé pelo estilo.
Seja bem-vindo de volta, Black Sabbath. Nunca esquecemos, e jamais deixamos de pensar, em vocês. Estávamos com saudades. É bom tê-los ao nosso lado novamente.
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