Avenged Sevenfold: o fim de uma grande banda
Por Lincoln Gonçalves
Postado em 21 de maio de 2011
Conheci o som desses caras em 2005 através do clipe de "Bat Country", que era raramente exibido na MTV Brasil na época. Fui até uma lan-house e acessei o site oficial da banda, que na época tinha um post do video de "Seize the Day". Fiquei de cara com o visual, amei a sonoridade e curti a temática abordada pela banda. "Bat Country" era de tirar o fôlego e "Seize the Day" uma balada certeira. Algo entre o Hair Metal dos anos 80 (com um lance mais raivoso estilo GUNS N' ROSES) e aquela pegada de Metal flertada com Punk, muito bem sacada.
Como um fã de filmes de terror e bandas de Horror Punk, logo fiquei fascinado com a banda, que resgatava um pouco de tudo o que eu gostava no Rock: velocidade, solos de guitarra, vocais rasgados, um ar Punk e clima apocalíptico. Eles tinham um pouco de várias de minhas bandas preferidas, como METALLICA, GUNS N' ROSES, MISFITS, entre outras. Não perdi tempo e encomendei "City of Evil", até hoje um dos meus álbuns preferidos.
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Mas logo percebi que se tratava de uma banda com história na cena Metalcore e que estava se reformulando com aquele álbum. E confesso que a princípio não digeri muito bem os álbuns mais antigos que na época fiz questão de adquirir. Só que bastou assistir ao video de "Unholy Confessions" para perceber o quanto eles eram maravilhosos e como seria legal ser um fã de verdade dessa banda (esse clipe transmitia isso). Foi então que entrei pra familia SEVENFOLD.
Aguardei ansioso cada novo lançamento. Fiz questão de assisti-los em São Paulo em 2008, quando vieram pela primeira (e inesquecível) vez. E realmente me abalei com a notícia da morte de "The Rev" no final de 2009. Parecia o fim de uma grande banda. E hoje começo a perceber que de certa forma foi.
Quando anunciaram um novo álbum com Portnoy na época, qualquer um que acompanhasse de perto a história dos (caras como eu) acreditou que fosse o certo, e por um certo tempo até foi mesmo. E é aí que, pra mim, eles começaram a perder seu charme.
Quando estive no SWU ano passado e assisti àquela performance incrível, percebi que a familia SEVENFOLD tinha crescido aos extremos, chego a acreditar que haviam mais "avengers" do que gente interessada nos outros shows (diga-se de passagem CAVALERA CONSPIRACY foi inesquecível). Só que quando eu e alguns amigos entoamos o grito de "Jimmy, Jimmy, Jimmy" teve uns caras do nosso lado que perguntaram quem era esse Jimmy. Esses mesmos caras cantaram "Nightmare", "Afterlife" e "Almost Easy" do início ao fim.
Daí pra frente minha camiseta de 2008 com a estampa do Death Bat não era mais a única do A7X nas ruas. "Nightmare" estava em todas as lojas ao contrário do restante do catálogo (com exceção de "City Of Evil" que ainda era encontrado vez ou outra). Trechos das canções viraram status de muito pirralho nas redes sociais. A7X ao lado de coraçõezinhos feitos com a mão, viraram marca registrada de mais um monte desses pirralhos. E a banda começou a parecer meio boba então.
A verdade é que "Nightmare" não é nem de longe o melhor disco dos caras. Carrega uma carga emocional que a maioria dos que ouvem hoje em dia desconhece de onde vem. Tem músicas muito grandes, muitas partes lentas e isso deixa o álbum cansativo. Tem três ou quatro músicas entre as melhores da banda, mas isso é pouco comparado ao quanto premiado e vendido é o álbum.
Os shows se tornaram um saco. Esse monte de gente que chora ao ouvir "Fiction"... Essa música provavelmente nem seria lançada. Concordo que a carga emocional é forte, mas a maioria dos chorões só ouviram o AVENGED depois que o The Rev se foi, por que o Portnoy gravou (o que ajudou e muito na promoção do álbum, da banda e do próprio Portnoy) e por que a banda aproveitou tudo isso pra se lançar de vez ao mundo.
Hoje em dia o que era a futura melhor banda do mundo não passa de modinha. Modinha de redes sociais e de toda essa pose de adolescente sem cultura (que eu já devo estar velho demais pra suportar) que destroem o charme de uma banda que existe há mais de dez anos.
A própria banda meio que aceitou tudo isso. A homenagem ao The Rev não acaba nunca. Eles são maiores que isso. Mas por enquanto é o que vende. Esse sentimentalismo atrai o público. Fortalece o "emo" que ainda não morreu. E os membros da "familia SEVENFOLD" hoje, são tão consistentes quanto os da "familia RESTART".
Espero que isso não destrua de vez essa banda, como aconteceu com os RAIMUNDOS em "Só No Forévis" (quem é da época entende a comparação entre o sucesso dos álbuns). Mas infelizmente eu devo estar velho demais pra ser fã da banda favorita dos adolescentes.
"Beatlemania"?
Gostaria que eles fossem só uma grande banda.
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