Rock em Análise: o suposto "rock de verdade" é uma ilusão

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Por Fábio Cavalcanti, Fonte: Rock em Análise
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Citando a bem sacada música "Senhor Sucesso" (Velhas Virgens), creio que fica bem claro qual é o tema abordado aqui: o tão almejado sucesso comercial no mundo do rock. Afinal, uma banda que deseja fazer muito sucesso, ao longo de sua carreira, está certa ou errada? Isso é o que veremos...

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Uma das coisas mais engraçadas do universo rock é aquela ideia de que o 'mainstream' é malvado e que o sucesso é um empecilho para o desenvolvimento artístico de uma banda - especialmente se a banda em questão for uma das favoritas do ouvinte que defende tal pensamento. O que os pobres roqueiros ingênuos não sabem - ou ignoram - é o fato do rock sempre ter sido um estilo essencialmente vendido.

"Vendido? Meu querido estilo cheio de atitude?", você pergunta. Eu explico tomando como base a própria criação do gênero, nos anos 50. Desde as músicas escritas por compositores externos, passando pelo investimento pesado em covers das mesmas canções que já haviam invadido as paradas de sucesso, culminando no uso de 'hits' em filmes e afins, tínhamos todo um sistema que entregava aquela deliciosa "música controversa", sem esquecer que tudo era um grande negócio.

Entre o final dos anos 60 e início dos anos 70, após o sucesso atingido pelos álbuns mais revolucionários dos Beatles, a moda passou a ser a inovação musical. As mutações elevaram o rock a um status cult, mas seus objetivos comerciais não foram deixados de lado por um segundo sequer, visto que o público se encontrava ávido por mudanças. Sim, revolução musical também vende, e muito! E dá-lhe "obras de arte" que também encheram muitos cofrinhos por aí, de ícones como Jimi Hendrix, The Doors, Led Zeppelin, etc...

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A essa altura do campeonato, você já pode deduzir que ninguém seria louco de investir em qualquer banda de rock, se a mesma não trouxesse um bom retorno financeiro. E, se estamos falando de um dos estilos que trazem maior quantidade de bandas - boas e ruins - ao redor do mundo, além de uma longevidade que raramente trouxe períodos de "seca comercial" (ao contrário do que já aconteceu com estilos como jazz e blues), fica tudo ainda mais claro: rock rende muita grana!

Experimente acompanhar as paradas de novos álbuns de sucesso na Billboard, e verá que pelo menos três exemplares de rock podem ser encontrados no "Top 10", em qualquer semana! Experimente ler sobre tensões existentes entre integrantes de bandas, e verá que, em muitos casos, tudo começa com o medo de uma possível frustração comercial no futuro. Afinal, qual artista não quer atingir um grande público com a sua... arte?

Sim, o suposto "rock de verdade" é uma ilusão, mas isso não o impede de ser o estilo mais interessante e eclético do mundo da música. A verdade é que gostamos de ser enganados pelo tal "rock arte", afinal, um dos baratos do estilo é justamente a sua ideologia, aquilo que é transmitido de forma convincente, como uma boa atuação em um filme ou peça de teatro.

Podemos até fingir que o AC/DC e o Motörhead realmente gostam de tocar o mesmo estilo de sempre por pura atitude e fidelidade ao rock, enquanto os fãs continuam comprando os lançamentos dos seus queridos ídolos, sabendo muito bem o que encontrarão naquela nova "bolacha". Afinal, se alguns artistas adotam uma fórmula de sucesso para as grandes massas, outros mantêm a fórmula de sucesso para a sua grande - e bem consolidada - legião de fãs. Caminhos diferentes para o mesmo objetivo!

Por fim, deixo aqui uma recomendação: tenha muito cuidado ao buscar argumentos para criticar estilos essencialmente "pop". Tudo bem que esses gêneros podem ser ainda mais vendidos, mas nosso querido rock 'n' roll realmente não fica muito atrás... Independente dos objetivos ($) do artista, a boa música continuará viva e forte!




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Sobre Fábio Cavalcanti

Baiano, sempre morou em Salvador. Trabalha na área de Informática e ¨brinca¨ na bateria em momentos vagos, sem maiores pretensões. Além disso, procura conhecer novas - e antigas - bandas dos mais variados subgêneros do rock. Por fim, luta para divulgar, sempre que possível, o pouco conhecido cenário rocker da tão sofrida ¨Terra do Axé¨.

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