Pop stars de banheiro
Por Luiz Manhães
Postado em 18 de novembro de 2007
Poderíamos definir a palavra pop de diversas formas, no entanto a que eu acho mais simples e conveniente nos dias atuais, é a caracterização de um estilo de vida que traduz, por intermédio do seu representante (Pop Star), valores relacionados a fama e dinheiro. Com relação ao mundo da sonoridade, não mais vemos conceitos de que estilo Pop é remeter a um som com letras, acordes e refrões pegajosos, capazes de produzir a química poderosa de conseguir que outros assimilem facilmente letras e divisões rítmicas, desejando intensamente acompanhar a levada e dançar.
Bem, a realidade é que o musical da palavra pop vem perdendo o feeling da coisa, e não mais condiz unicamente com a tradução de um estilo capaz de fazer com que o sentimento contagioso flua por intermédio de verdadeiros artistas, mas sim uma filosofia do sucesso, aquisição de fama, superestima popular e satisfação incessantemente no dinheiro. Vivemos num mundo alimentado pelo capitalismo, lugar onde fornecer informação passou a ser sinônimo de se aproveitar das condições culturais alheias com um único objetivo: fazer discípulos para ganhar dinheiro.
Na musica não é diferente. A visão atual é colocar os pés pelas mangas e não mais promover os artistas talentosos, mas treinar limitados tecnicamente, os pop stars de banheiro, a ocuparem ofícios que antes eram preenchidos pelos nossos antigos, saudosos e talentosos intérpretes. A formula agora é escrever e tocar menos. E as idéias inovadoras? Não, é melhor limitar o ócio criativo, fazer o feijão com arroz e requebrar a bundinha mesmo, porque assim o publico fica feliz e se ganha um monte de discos de ouro no domingão do Faustão.
Quero deixar bem claro, que não escrevo aqui para deturpar estilos musicais. O intuito maior deste texto é mostrar a minha tamanha indignação de ver uma gigantesca demanda de jovens que só acreditam que vencer musicalmente é sinônimo de ser famoso; um astro dos holofotes, um rockeiro ou metaleiro que traça tietes e se banha nos mais variados hotéis de luxo. E se não bastasse os mimos, ainda exige que no camarim tenha uma coleção com variadas tonalidades de toalhas, as quais somente o servem na vil tarefa de lhe secar o rosto suado após um show curto. Atitudes e conceitos como esses, só acarretam nos piores exemplos para os iniciantes da atual era musical.
Hoje, na mídia, o que vemos são artistas totalmente inventados e que apesar de ainda tentarem ostentar uma fake vida feliz, talentosa e de ótima expressão musical, deixam vazar notavelmente o pouco talento para composição e execução ao vivo dos trabalhos que outrora foram excessivamente polidos em estúdio. Não sei de quem devemos ter mais pena, se dos fictícios pop stars ou da gravadora que os projetou no mercado, já que ambos os lados têm seus dias contados. Um pelo fato de que logo será substituído devido à falta de originalidade e outro por ser ameaçado pela temida pirataria.
É... A coisa não cheira muito bem. Entretanto poderia feder menos, no caso das gravadoras, caso elas não ficassem tentando combater a pirataria da forma mais equivocada possível – aumentando a quantidade de paginas, design e arte nos encartes dos cds, os quais ainda insistem em trazer um exagerado numero de canções que não expressam sentimento algum; as verdadeiras enchem-lingüiça. Isso tudo só faz encarecer ainda mais o preço dos produtos (Dvds e Cds) no mercado, provocando uma exclusão de parte da massa que é desprovida financeiramente, e o repúdio dos que podem, só que acham um absurdo pagar tão caro pelo acesso à informação de forma legal. Esse método fracassado utilizado só aguça a sede de todos que querem adquirir cultura; A alternativa que lhes resta é fraudar o sistema e partir para o acesso ao conteúdo ilicitamente, já que conteúdo + embalagem (legalmente) = absurdo.
Eu sei que não devemos ser altruístas, a pirataria é crime sim! Porém se ela é uma ação digna da coerção judicial, de que seria digna a exploração financeira do acesso à informação e cultura? Em suma e com todas essas aspas adicionadas anteriormente, quero chegar apenas no simples x da questão: o mundo está em processo de avanço informacional acelerado - a coisa anda tão depressa que nem mesmo ele próprio tem tempo para poder assimilar o que é criado. Contudo, isso talvez ainda continue não sendo um grande problema para as gravadoras e produtoras. Afinal o lema atual é fidelizar, para não dizer manipular, e vender.
Indubitavelmente, a musica e o cinema, em grande parte, não fogem deste desalentador princípio, fazendo com que nós, os coadjuvantes deste filme chamado "A vida entusiasmada com o novo", sejamos corrompidos pelo modismo e alienados por uma falsa realidade. O fato é que os nossos jovens continuam sonhando em transpor toda a ordem dos tons e agora só caminham e repousam em escalas atonais; acreditam na fantasia imposta pela mídia. Esta apresenta arquétipos perfeitos, ilude e fica cada vez mais rica às custas do fies e calouros candidatos ao requisitado mundo artístico. Para estes sonhadores existem objetivos a serem alcançados: Ser igual ao ídolo que aparece estampado em capas de revistas, ser aclamado por multidões, ter carros importados e sair com gatas eufóricas. E quanto a tocar e cantar com qualidade? Bem, Esta é uma outra estória.
Se fosse há alguns anos atrás, colocaria nestas entrelinhas, somente artistas como Double You, Petshop boys, Madona, milhares de falecidas Boybands, muitos da onda New Metal, e até a quase finada da industria fonográfica, Britney Spears, se é que a loira ainda existe. Sim... O Marilyn Mansonn, esse não poderia faltar. Que figuraça! Entretanto, assustadoramente vejo que o limite dos rótulos expressivamente visuais, já envenenou parte dos mais diversos estilos musicais e agora infelizmente diverge o foco de grandes artistas e bandas pelo mundo afora. A maioria não quer mais saber de fazer um disco de verdade, o conceito agora é fazer din din de verdade.
Poderia aqui exprimir inúmeras bandas, que em minha opinião, constituem parte deste repertório, porém prefiro deixar o livre arbítrio de que a carapuça lhes sirva. Contudo, ainda resta uma alternativa para os mais esperançosos com relação ao futuro da música - a de que nossos futuros intérpretes, atuais Pop Stars de banheiro, se dissociem desta péssima fórmula, estudem musica pra valer e façam com que os seus reais talentos, caso tenham, produzam verdadeiras e harmoniosas canções.
Já está mais do que na hora.
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