Existe Rock na mídia mainstream?
Por Daniela Nunes
Postado em 28 de setembro de 2005
Querendo ou não, foi até meados de 95 que o rock, principalmente o divulgado pela mídia, teve uma grande expressão nas sociedades de uma forma geral. Após isso, a mídia teve uma forte mudança, um desnorteamento, que a levou a interessar-se e "atirar para todos os lados" e estilos, como o pop, o axé, o rap, entre outros, em busca de um porto lucrativo. Com isso, progressivamente, nossos meios de comunicação foram invadidos por estilos que agradavam e agradam apenas a pessoas de pouca exigência musical.
Associada à pouca exigência, a baixa qualidade musical cresceu, ao longo dos anos, enquanto a capacidade de criar algo novo e "verdadeiro" diminuiu, à medida que, para a maioria dos músicos, o lucro, o sucesso e as modinhas faziam mais sentido que o amor pela música.
Em décadas como as de 60, 70, 80 e a primeira metade dos anos 90, era favorável para a mídia divulgar mais o Rock n’ Roll, pois essa expressão cultural e grande parte de suas vertentes eram muito fortes. E era "mais negócio" se associar a elas, pela abrangência do estilo entre o grande público. Mas esse alcance, a autenticidade e o vigor dos anos passados foram sendo descartados da exigência da mídia e da maioria das pessoas. O molde adotado, então, pedia, a princípio, algo mais pop, estimulando algumas bandas estáveis dos anos 80(em destaque, algumas do Brasil) a seguirem essa nova linha para garantirem seus postos nas paradas de sucesso. Com isso, o pop rock assumiu boa parte do posto rock n’ roll, impulsionado pelas bandas que se "converteram" musicalmente, mas que, em seus discursos, ainda se vangloriam como roqueiras.
Com o conceito deturpado sobre rock, não apenas no aspecto citado acima, a grande leva de bandas novas que caem nas graças do público dito roqueiro – os quais têm a pretensão de reconhecê-las como "as fiéis representantes do rock" – praticam um, por assim dizer, sonzinho demasiadamente comportado, limpinho, e por que não, pobre. Essa prática vem desvirtuando a verdadeira proposta do rock n’ roll, a qual, mesmo difícil de definir ao certo, sabemos que veio para quebrar o marasmo, ser audaciosa, transformar a visão padronizada das pessoas em uma reação espontânea e contagiante, sendo capaz de fazer correr nas veias das pessoas o sangue da atitude, dentre outras coisas. Isso foi facilmente percebido e sentido em bandas das décadas já mencionadas, as quais foram as mais importantes para o estilo. A maioria dessas bandas tinham estilo próprio, feeling, tocavam com prazer, entusiasmo e autenticidade, tornando cada momento único. E isso não é o que costumamos ver hoje, quando a maioria das bandas buscam recursos apelativos de marketing para aparecer na mídia, valorizando mais a própria imagem do que a sua proposta musical, gerando, assim, um som enlatado e chato.
Essa situação foi basicamente causada por uma associação de elementos interligados: a decadência musical, a passiva aceitação do público e a capacidade da mídia de transformar algo, às vezes, insignificante, em um sucesso instantâneo. Quem realmente gosta e conhece a essência do rock n’ roll, do metal e de suas vertentes, considera essas bandas comerciais algo indigno de ser chamado de rock, e de fazer sucesso.
Como já foi dito, muitas bandas se converteram ao modismo, misturando estilos, às vezes, discrepantes, ao rock, o que acaba não dando muito certo. A exemplo disso, temos a mistura Hip hop/ Rap, Grunge e Heavy Metal, formando basicamente o New Metal – um dos mais recentes modismos do cenário e uma grande aposta da indústria fonográfica.
Essa aposta gerou uma certa euforia no público mainstream, a princípio, fazendo com que quase todas as gravadoras quisessem ter a sua banda new metal, o que acarretou uma superexposição e um comercialismo exagerado do estilo. E como tudo o que é demais enjoa, não deu outra...O resultado já está sendo progressivamente percebido, no frio e pouco impacto que até mesmo os cd’s novos desse estilo têm causado no público e na mídia em geral.
Incapazes de gerar um fenômeno como os das décadas anteriores à de 90 e o seu movimento grunge, muitas das bandas do cenário mainstream não conseguiram nem durar por muito tempo – por não levarem a sério a autenticidade e por encararem o dinheiro/lucro como a causa trabalho e do esforço e não como a conseqüência dos mesmos.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Hellfest vem aí e confirma 182 bandas em 4 dias de shows
O disco punk clássico que Billie Joe Armstrong chamou de "um monte de merda"
7 clássicos do rock nacional lançados em 1994 que são lembrados até hoje
Pink Floyd lança a coletânea "8-Tracks", que reúne faixas gravadas nos anos 70
Fã do Iron Maiden paga equivalente a mais de R$ 22 mil por cópia de "The Soundhouse Tapes"
As cinco melhores músicas do Iron Maiden, em lista da Revolver Magazine
O clássico de Bon Scott que Brian Johnson nunca quis cantar no AC/DC
Graspop Metal Meeting anuncia 152 atrações em 4 dias de festival
Angra anuncia bandas convidadas para shows em São Paulo
Deep Purple lança "Diablo", faixa de seu próximo disco de estúdio
O melhor riff de guitarra de todos os tempos, segundo Keith Richards: "Ele disse tudo ali"
A música do Pink Floyd que Roger Waters detestou e David Gilmour transformou num clássico
Steve Harris aponta a música ideal para apresentar o Iron Maiden a quem nunca ouviu a banda
10 músicas de metal internacional que estão na memória afetiva do brasileiro
Turnê Verão do Caos traz duas atrações internacionais a dez cidades brasileiras em dezembro
O que significa e como surgiu a expressão "abajur cor-de-carne" da música "Menina Veneno"?
O solo de guitarra que está em uma música do The Doors, do Kiss e do Pearl Jam
O álbum do Nirvana que Dave Grohl confessou não conseguir ouvir


As emoções que uma música desperta merecem mais atenção que qualquer crítico ou "influencer"
As bandas de heavy metal nem sempre farão a mesma coisa (e isso não é ruim)
Megadeth, Pepeu Gomes e a mania do internauta achar que sabe de tudo
O problema não é usar celular em shows, mas sim fiscalizar os outros
Falar mal do Dream Theater virou moda - e isso já perdeu a graça há tempos
Metallica: a regressão técnica de Lars Ulrich
Motorhead: Lemmy e o direito de morrer como quiser



