Rock e paz
Por Samyr de Alencar Pereira
Postado em 05 de abril de 2005
Ontem, em uma rápida olhada pelas gôndolas, de venda de CDs, de um grande supermercado, na cidade de São Paulo, verifiquei, novamente em parte destinada ao pop rock internacional, duas coisas:
a) Era a maior prateleira, entre os outros gêneros musicais.
b) Quase tudo reedição das velhas bandas e artistas dos anos 70.
Confirmando o que todo bom roqueiro já sabe; não há nada de novo, bom o suficiente, para competir com o rock clássico. É lamentável, a estagnação criativa mundial. No Brasil a coisa parece mais séria ainda.
Como músico procurando emprego, vejo que bares especializados em rock estão reservando dias para outros estilos, muitas vezes antagônicos, como axé e pagode, como meio de evitar a falência. Em outros, não sei definir se é pior, ou melhor, só contratam bandas covers, ou seja, bandas especializadas em repertórios exclusivos, de uma estrela consagrada. Em minha opinião, estes bares, estão fechando as portas à criatividade, à originalidade, e ao surgimento de novos artistas.
Acredito que ninguém poderá explicar, o surgimento consecutivo, de tantas boas estrelas de rock, nos anos 60/70; nem a total escassez, destes, nas décadas seguintes. A única coisa boa, ou novidade, é que jovens e adolescentes, continuam se engajando nas fileiras de fãs dos velhos roqueiros. Talvez, como eu, eles não conseguem apreciar, as músicas de bum- bum e mela cuecas, que assolam a mídia, literalmente infernizando nossa vida. Há muito virou moda ser artista, e qualquer um com um pouco de dinheiro e bem assessorado, investe em marqueting e nos enche os ouvidos de caca.
A revolução cultural, difratada nos anos 60, e lideradas por artistas e pensadores da época, criou toda a base de liberdade, da sociedade atual, mas não terminou o seu trabalho. Talvez porque erroneamente, muitos artistas se perderam nessa liberdade, abusando e se matando com as drogas. Mas o principal legado ainda enche, as prateleiras de discos das lojas como, praticamente, a única boa opção de musica popular.
Infelizmente, os fantasmas que assombravam o rock, como o famoso jargão, "sexo, drogas e rock ´n´roll", sobreviveram, e hipocritamente grande parte da sociedade, continua desprestigiando este gênero de musica, por causa disto. Essas pessoas, que ligam o rock a estes fatos ruins, precisam lembrar que, o sexo e a perversão, não foram criadas pelo rock, e em matéria de artistas drogados, não podemos esquecer de estrelas de outros gêneros musicais, que morreram, ou tiveram problemas com as drogas, como Elis Regina, morta por overdose de cocaína, e o cantor de pagode Belo, preso e envolvido com o narcotráfico.
Poderia citar muitos outros problemas com drogas e violência, praticadas por pessoas adeptas de outros estilos musicais, mas é melhor ressaltar os bons frutos do rock ´n´roll, que parecem muito esquecidos hoje em dia.
Além de toda a liberdade de expressão, a ênfase na igualdade dos sexos e a consciência ecológica, divulgada pelos roqueiros, precisa ser lembrado o enorme trabalho realizado em prol da paz. Infelizmente, um dos maiores expoentes do rock, John Lennon, foi violentamente assassinado em 1980, interrompendo seus esforços pela paz. Paz que hoje parece totalmente esquecida pela humanidade. Talvez nunca tenha havido tanta guerra no planeta, como agora. É o imperialismo americano espalhando a destruição, a intolerância étnica em vários países, e a guerra urbana nas cidades.
E os artistas de hoje só falam em bunda, só mostram a bunda, como se nada mais fosse importante. Será que foi a liberdade, proclamada pelo rock, que gerou estes jovens individualistas, inconseqüentes, e egoístas? E por isso mesmo não merecem apreciar uma melhor arte? Estas perguntas são difíceis de serem respondidas, mas algo precisa ser feito. Que tipo de mundo esta sendo criado? Um mundo materialista e imediatista, onde não se da valor nem para a arte? Cadê os presidentes estudantis? Os grandes idealistas políticos? Estaremos agora relegados a estes bandos de aproveitadores e incompetentes, que são maioria no congresso e em todo mundo político?
Acredito que tudo isto é um sintoma de falta de bom gosto, que assola a mente da maioria das pessoas. Então somos condenados a ouvir uma péssima música, e a assistir a um péssimo processo político mundial. Nunca mais um John Lennon, nunca mais um Raul Seixas, com suas sociedades alternativas. Que triste fim para todos aqueles que lutaram por um mundo melhor.
São Paulo, 15 de fevereiro de 2005.
Samyr A. Pereira. Músico.
[email protected]
Mais? www.aulusinfo.com.br/samyr
Coloque WHIPLASH.NET entre suas fontes favoritas do Google
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A melhor música já escrita em todos os tempos, segundo Bob Dylan e Billy Joel
As 5 melhores músicas do Black Sabbath de todos os tempos, segundo Geezer Butler
As bandas de metal que Hetfield não compreende; "Como diabos conseguem lembrar das músicas?"
O vocalista contestado que mudou os rumos de uma das maiores bandas da história do metal
As 25 melhores músicas do Iron Maiden, segundo a Metal Hammer
O filme com a melhor trilha sonora de todos os tempos, segundo Edu Falaschi
A canção dos anos 50 que Robert Plant considera a base do rock pesado
O melhor álbum de rock progressivo de cada ano dos anos 1970, segundo a Loudwire
Bruce Dickinson compara Iron Maiden com serviço militar
Os 11 maiores solos com pedal wah da história do rock e metal, segundo a Loudwire
Marcelo D2: "Via Ratos de Porão e Cólera mais como alternativa que Titãs e Barão"
A música boa escondida no pior disco do Metallica, segundo a Louder
As três capas que enganaram Gastão: "Achei que era metal, mas era outra coisa"
O grande problema do Bon Jovi que irritava Taylor Hawkins, segundo o próprio
O clássico do prog setentista apontado pelo Hall da Fama como essencial ao rock moderno
Para entender: o que é AOR?
O maior nome do Rock brasileiro, segundo Dinho Ouro Preto, do Capital Inicial
A compreensível reação de Bruce Dickinson ao saber que Blaze seria vocal do Iron Maiden


As emoções que uma música desperta merecem mais atenção que qualquer crítico ou "influencer"
As bandas de heavy metal nem sempre farão a mesma coisa (e isso não é ruim)
Megadeth, Pepeu Gomes e a mania do internauta achar que sabe de tudo
O problema não é usar celular em shows, mas sim fiscalizar os outros
Lobão: a defesa do roqueiro solitário
Preconceito: dificuldades de ser roqueiro em cidade do interior



