Ozzy, careta? Ainda bem!
Por João Carlos Santana
Postado em 28 de maio de 2002
Com o sucesso explosivo do veterano Ozzy Osbourne na TV americana, através da série Reality Show "The Osbournes", onde a rotina da família do roqueiro comedor de morcegos é levada ao ar para milhões de telespectadores, mais uma vez ficou provado que as drogas não valem a pena.
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O rock de uma maneira geral, em especial o heavy metal durante um determinado período de sua ascenção, foi visto por um batalhão de fãs do estilo como um veículo de incentivo para o consumo exagerado de toda espécie de prazer, em especial todo tipo de droga, lícitas ou não.
Hoje, ao assistir o eterno líder do Black Sabbath, grupo precursor do estilo, recomendando aos seus filhos para não consumirem bebida alcoólica ou qualquer espécie de droga quando partem para as suas baladas, revela-se o lado "careta" do senhor das trevas.
Evidente que alguns "doidões" de plantão devem ter se decepcionado com a conduta certinha do gorduchinho Ozzy, criticando sua postura e até chegando ao extremo de jogar fora os velhos e embolarados vinis da banda responsável por clássicos como "Sabbath Bloody Sabbath". Logo ele, que teve a sua imagem explorada como o anti-cristo do heavy metal, o pai de todos os roqueiros doidões, rebeldes, etc., etc., etc.... Mas se esquecem que o veterano até hoje se cuida para enfrentar o vício do álcool.
E será que esse lado "careta" não deve ser comemorado? Afinal de contas se ele realmente tivesse encarnado o "personagem" do roqueiro drogado a probabilidade dele estar ao lado dos "ícones" Jimi Henrix, Janis Joplin, Kurt Cobain e o mais recente integrante da troupe Layne Staley, ex-vocalista do Alice in Chains, morto por overdose, seria muito grande.
Então porque não celebrar o lado careta de nosso roqueiro e "exemplar!?" pai de família? Se não fosse esse "encaretamento" de Ozzy não teríamos a oportunidade de ver novos músicos no festival itinerante "OzzFest" dentro de uma infraestrutura profissional todos os anos desfilando pelos EUA, aliás profissionalismo não é o objetivo de qualquer um que sonha em ter sua própria banda rodando o mundo e conquistando seus próprios fãs?
Esse profissionalismo que deixou o Sr. Ozzy ao lado do todo poderoso presidente americano pode representar a definitiva imagem da consagração de um estilo musical visto há pouco tempo de forma distorcida pela sociedade e aí soma-se a oportunidade de empresas começarem a investir em tantos talentos à espera de uma oportunidade e fortalecer uma indústria que ainda vive às margens de uma discriminação injusta e preconceituosa, pelo menos por aqui.
Seria mais interessante que o velho Ozzy Osbourne tivesse morrido de overdose e estivesse fazendo parte dessa dessa galeria macabra de talentos interrompidos no auge de sua plenitude, ou, que seu trabalho estivesse ainda rendendo frutos positivos?
Não dá para entender que alguém prefira morrer sozinho no quarto ou na piscina de uma mansão cheia de amarguras e paranóias provocadas pela bad trip às personalidades desfiguradas dos "espertinhos e moderninhos" que não reconhecem o quão perigoso e fatal pode ser o consumo dessas substâncias. Preferir isso a ter a sua própria família e ser um profissional realizado é no mínimo pura insanidade.
Salve a caretisse de Ozzy Osbourne e que isso continue gerando coisas legais como continuar correndo atrás de nossos sonhos sem deixar se perder nesse medonho mundo das drogas, que nada tem de engraçado e prazeiroso.
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