Rockeiro é Burro?

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Por André Toral
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Matéria publicada no Whiplash.Net em 1999, mas ainda bastante atual...

Cada vez mais, a mídia, músicos e fãs de outros estilos musicais(pagode, funk, axé etc), nos acusam - nós rockeiros - de sermos burros, desinteressados pelos estudos, ignorantes, violentos e por ai vai. Você, caro leitor, já foi vítima de acusações de tal porte? Se não foi, sorte a tua; sua vez chegará. Se foi, e não soube bem o que responder na hora, eis aqui uma matéria que, na certa, fará com que, da próxima vez, vocês tenham as respostas exatas, equilibradas e educadas. Aliás, razão e educação são duas coisas que, juntas, detonam qualquer infeliz que fizer acusações gerais, inclua-se a associação de rock com burrice. O WHIPLASH!, como sempre, zelando pela integridade de nosso movimento, estará defendendo nossa causa com mais esta matéria, feita para nós, amantes do rock.

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-Roberto Medina (Empresário e organizador do Rock in Rio)

- Walter Casagrande (ex-jogador de futebol)

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- Zetti (Goleiro do Santos Futebol Clube)

- Ronaldão (zagueiro da Ponte Preta, ex- São Paulo Futebol Clube)

- Bill Clinton (Presidente dos Estados Unidos da América)

- Paulo Coelho (escritor)

- Stephen King (escritor)

Caros amigos, vocês reconhecem estas pessoas? Certamente que sim. Todos atuam, ou atuaram, em profissões completamente diferentes. Mas, então, o que todas elas teriam em comum? Por que razão são mencionados como exemplos nesta matéria?

Estimados amigos e leitores, estas pessoas mencionadas têm em comum, que seja, um único fator de igualdade: o amor pelo rock!

Paulo Coelho, em entrevista com Marília Gabriela no programa "Cara a Cara" (Rede Bandeirantes), confessou ter tido uma relação íntima com o rock. Também pudera, junto à Raul Seixas, compôs vários hinos rockeiros nos anos 70. Declarou ter deixado de se atualizar quando o Led Zeppelin terminou, mas, que, até os dias atuais, escuta rock dentro de seu carro etc. Zetti, que já foi goleiro da Seleção Brasileira, entre outros, fez questão de conhecer Dave Murray e Janick Gers (guitarristas do Iron Maiden), que, na época, haviam ido até a Vila Belmiro participar de um evento promovido pela TV; disse aos músicos que ama Iron Maiden e tem todos os CDs. Com Ronaldão (que na época jogava junto à Zetti no Santos F.C) não foi diferente, embora este tenha pedido autógrafos em seus CDs. Os dois ganharam, de Dave e Janick, pôster e um single de futureal (do álbum Virtual XI). Bill Clinton, apesar de estar metendo o nariz onde não é chamado, fazendo as "suas" guerras ao redor do mundo, é outro exemplo de alto político cheio de estudos que se elegeu Presidente dos EUA; em sua gestão, até os dias atuais, Clinton foi o Presidente que mais elevou a situação empresarial de seu país, em toda a história da terra do "Tio Sam". Roberto Medina é outro exemplo de empresário bem sucedido. Stephen King - outro escritor- também já fez várias citações ao rock e à determinadas bandas em seus livros. Como vêem, meus amigos, pessoas assim também gostam de rock. Além destes, a lista de profissionais de sucesso - amantes do rock- segue sem parar.

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As pessoas - a mídia principalmente- que detonam o movimento rocker com associações ridículas à burrice, deveriam se lembrar de que, ao acusar-nos, estariam, pois, agredindo pessoas como estas que foram citadas. Isso sem contar milhões de profissionais do mais alto gabarito e que curtem rock, heavy metal, thrash, death, black etc; pessoas que, inclusive, dirigem o futuro das nações. Como vêem, o rock está em todas as partes.

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"Quem está fora do movimento rocker, heavy etc, não sabe nada a respeito da cultura de cada um (rockeiros) É puro preconceito, e preconceito, na minha opinião, se trata de uma forma de burrice", enfatiza Vitão Bonesso, 38, que já foi gerente de transportadora e, há a pouco mais de dez anos, vem apresentando o Backstage; atualmente é veiculado pela Brasil 2000 FM.

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Cabe dizer que quem associa o rock à adjetivos de mal gosto, são, na grande maioria, pessoas ignorantes que encontram, nas faltas de argumentos, preconceitos estúpidos para com a "nossa classe". Isso sim é burrice!

Agora, temos a opinião de Piotr Wisniewski, 28, que é formado em odontologia pela USP-SP e vem realizando palestras preventivas - na área de medicina - em empresas e afins; além de ser um usuário do site WHIPLASH é fã incondicional do Iron Maiden. "São pessoas que estão de fora, e que nunca viram o movimento (rocker) por completo. Acho que as pessoas de fora não podem opinar sobre algo que não conhecem, principalmente negativamente. Além disso, pegam alguns exemplos negativos e generalizam, como se aquele único "elemento" fosse representativo de todos."

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Um exemplo evidente de mídia que faz de tudo para denegrir a imagem do rock - bem como a dos fãs -, é a Rede Globo, que, sempre que pode, nos "alfineta" . Como não se lembrar, nesta hora, da cobertura do Rock in Rio 2, onde a Globo fez uma cobertura totalmente preconceituosa durante os dois dias de heavy metal? Tocaram: Judas Priest, Guns 'N Roses, Qüensryche, Megadeth, Sepultura, entre outras. "Falta de informação pura e simples. A população, no geral, tem um visual de mundo referenciada pelas novelas da Globo. E lá, rockeiro é sempre visto como marginalzinho, drogado, sujo, burro etc. Basta ver o seriado "Malhação" ou o programa dos fantoches "Sandy & Júnior" ou ainda a execrável Xuxa, que vende sexo para crianças que a imitam. Todos mostram o rockeiro como vilão.", conta Fernando Souza Filho, 33, que é editor de arte, tradutor, resenhador, entrevistador e webmaster da revista Rock Brigade, sendo formado em Propaganda e Marketing.

Como se não bastasse, somos vítimas de quem não tem moral para proferir uma palavra negativa a nosso respeito. É um incoerência o fato de que alguém que tenha uma visão externa e limitada, diga sobre o que não conhece. Porém, este pessoal não se priva da oportunidade de promover um "show de burrice" à parte. "Eles associam o rock com todos esses pontos mas esquecem do pagode, do axé e do funk carioca. Vai ver o cérebro de merda que 90% desses caras têm. Basta ver esses cantores sertanejos imbecis que incentivam os maltratos a animais em rodeios, um crime medieval que deveria ser execrado, não exaltado.", diz Fernando.

Existe um outro lado a ser analisado, ou seja, o lado comercial de toda a burrice musical promovida pela mídia. Por que estilos abomináveis como pagode - entre outros- estão em alta? Por que será que músicas cultas estão em baixa e em promoções nas prateleiras de CDs? Vejam, quando dizemos "músicas cultas", estamos nos referindo a um universo muito amplo neste quesito; o rock não é a única "música culta", pois outros estilos como o blues, a música clássica, MPB, (Música Popular Brasileira), jazz, entre outros, também fazem por merecer o termo "culto". Isso é do conhecimento de qualquer rockeiro ponderado e consciente, por mais que não o agrade em termos musicais. Certa vez, em uma entrevista na Revista Veja, o cantor brega Reginaldo Rossi disse que a cultura deve ser dada pelo governo, e não pelo músico. Será? Cabe uma livre interpretação sobre o assunto. O que acontece, é que estilos como o rock, jazz, blues e música clássica, vieram de outros países culturalmente mais avançados que o Brasil. Isso não quer dizer que o brasileiro seja sem cultura; um pequena parcela é cultuada, mas a maioria não. Isso vem dos tempos do brasil colônia, é verdade. Porém, como dito antes, a MPB, por exemplo, é uma exceção à isso, entre alguns outros estilos ao redor do mundo. É inegável o fato de que música de "baixa cultura" é a que mais se vende nas lojas, enquanto muitos músicos - não somente os de rock - que apostam em algo mais rico, estruturalmente, estão no eterno anonimato. André Henrique Morize (o "Heavyman" do site WHIPLASH! - colaborador), 45, que cursou engenharia civil e economia - entre inúmeros outros cursos -, trabalhou como diretor superintendente na área de logística de produção e que, atualmente, trabalha com sua micro empresa virtual de comércio de cds e vhs de blues, rock e metal, é quem comenta claramente: "A mídia não se interessa em educar o povo, pois uma massa de analfabetos incultos é muito mais fácil de ser manobrada, gerando lucros absurdos para seus patrocinadores. O rock só existe para a mídia, quando sua característica rebelde é distorcida, de forma a gerar manchetes que vendam audiência" Conclusão: as empresas gravadoras estão nos vendendo, maioritariamente, "falta de cultura". Mas e a culpa? Ora, a culpa é de quem compra e continua fomentando esta situação no país. "A mídia é inimiga de qualquer estilo inteligente de ser, ainda mais daqueles que existem no underground. Isto deve-se exclusivamente à necessidade de gerar dinheiro com a venda de produtos descartáveis. Assim, a mídia só se interessa em promover funk (apoiada pelos traficantes), pagode falsificado e sertanejo falso, num circo de horrores em que animais são cruelmente manipulados", finaliza Heavyman.

Está certo de que muitos são os argumentos de que nós não somos burros por termos a sorte de amar ao rock, e uma arma fortíssima contra acusações infundadas são as letras de canções existente dentro do metal, em geral. No meio disso tudo, muitas bandas se destacam, muitos músicos são verdadeiros talentos para escrever letras. Exemplos é o que não faltam. O Blind Guardian, goste ou não, é uma banda que se utiliza de profunda leitura e estudo para estruturar suas músicas, Steve Harris (Iron Maiden) é outro poeta que escreveu excelentes letras, como 'Rime Of The Ancient Mariner' (sobre o marinheiro Samuel Taylor Coleridge), 'Alexander The Great' (Alexandre o grande), 'To Tame A Land' (sobre o filme Dune), Murders In The Rue Morgue (Edgar Allan Poe) entre muitas outras, inclusive o maravilhoso conteúdo do álbum 'Seventh Son Of A Seventh Son' que compôs, na maioria, ao lado de Bruce Dickinson e Adrian Smith. "Quando eu estava fazendo cursinho, eu ainda não manjava muito bem de inglês, e levei o encarte do Seventh Son (Of A Seventh Son - Iron Maiden) para o professor traduzir a letra da música título para mim. Quando ele terminou, estava espantado e perguntou se era uma banda de heavy, e eu disse que sim, que era Iron. Ele insistiu em dizer que a banda fazia apenas a música, porque a letra estava muito bem escrita", arremata Piotr.

E como estas músicas foram compostas? Através de uma profunda pesquisa na literatura. Bruce Dickinson é mais um poeta, pois em sua carreira solo escreveu um autêntico livro musical, que é Chemicall Wedding, além de seu livro que ficou famoso entre seus fãs, ou seja, The Adventures of Lord Iffy Boatrace, Ronnie James Dio, Led- Zeppelin, Rata Blanca, Time Machine, Nightwish, Angra, etc, são mais exemplos de que estudo de literatura anda de mãos dadas com o rock, e vice-versa. Fernando Souza Filho, prefere ser mais direto, " Vamos ser covardes uma vez na vida: pegue uma letra como "Rime Of The Ancient Mariner" (Iron Maiden) e compare com um "Ai, safada, mexe essa bundinha" ou "Vai sentando na boquinha da garrafa". Onde está a burrice?".

Mas então, porque a mídia pagodeira, axé "zeira" e funkeira teima em nos atacar? Sobre nossa ótica, não seriam estes estilos horrendos sem nenhum conteúdo em suas letras? O que um músico(???) pagodeiro fala em suas músicas? Em que tema ele se inspira para compor suas músicas? Na maioria, estas letras tratam de apelos sexuais ou "baixarias verbais" sem nenhum conteúdo. Na certa, a inspiração para tais pessoas, vem de sua falta de interesse por estudar, pesquisar livros etc. E ao invés de dizerem coisas realmente inteligentes, escrevem músicas sem sentido e cheia de apelos sexuais, pervertendo as crianças, por exemplo. Bem, e quando não tratam de apelos sexuais, cantam sobre romance, de uma forma fútil do tipo: "Eu e você, você e eu". "Axé, pagode e funk? Eu, sinceramente, passo longe disso e com certeza estas pessoas sequer sabem entender o que as letras de qualquer música estrangeira diz.", sentencia Vitão Bonesso.

Se faz necessário dizer que, ao gostar de rock, o fã se vê diante da necessidade de procurar entender o idioma inglês, predominante em 99,9% das bandas de metal. O que reforça o interesse que "nossa classe" tem em poder realizar mais pesquisas e traduções.

E quantos são os casos em que nós fomos vítimas infelizes nos alvos das pessoas desenformadas! Seja no colégio, trabalho, universidade, na fila do banco ou seja lá aonde for. Pior ainda, é quando somos recriminados dentro de nossa própria família, por irmãos, pais, tios etc. Muitas vezes, os rockeiros convictos passam a se relacionar somente com pessoas de pensamento compactuado, se afastando de pessoas que não sejam fãs de rock. A resposta mais freqüente, é de que existem enormes diferenças entre quem curte rock e não. Diferenças estas que podem ser de hábitos, personalidade etc.

A Rede Globo, que tanto massacra o rock, deveria saber que, ao exibir o programa "Malhação", está passando para os telespectadores o significado da verdadeira burrice; no programa, pode-se ver jovens se metendo em intrigas e fofocas. Isso é ser inteligente? O que, aos olhos da mídia- em geral-, é ser inteligente? Por isso, faz-se necessário chamar a atenção dos caros leitores: os programas televisivos (novelas e seriados, por exemplo) são, na maioria, representantes de fantasias. Salvos as exceções, é claro. Então, como aqueles que vendem uma falsa imagem do país, podem criticar algo que é real - 100% real - ou seja, o rock e todos os seus fãs e adoradores convictos? Se trata, meus amigos, de dois fatores: o primeiro é irreal e, na maioria, fantasioso. O segundo é real e existe. Aliás, o que seria dos avanços do mundo se não fosse a atitude contestadora dos fãs de rock, que se iniciou pouco antes do primeiro Woodstock e seguiu após o seu término? Se não fosse o rock, até hoje seríamos pessoas submissas e pouco - ou nada - contestadoras e criadoras de novas linhas de pensamentos e ações. É claro que outros motivos também somaram para criar este ambiente entre as pessoas, mas, sem dúvidas, a rebeldia que o rock exerceu naquela época foi decisiva para o início de uma verdadeira revolução que viria a desenvolver a mentalidade do mundo, em termos gerais.

Seria uma inverdade dizermos que nunca fomos alvo de pessoas preconceituosas que nos diminuíram por sermos fãs do mais puro rock, heavy, thrash, death, doom, black etc. Inclusive, é notável como, algumas vezes, nos relembramos com certo humor aos casos acontecidos. "Uma vez eu estava entrando num banco com aquelas portas automáticas que barram quem estiver portando algo (objeto) de metal, e de repente o alarme travou a porta. Eu nem estava com nada de metal, a não ser o meu relógio e as obturações nos meus dentes. Foi aí que o vigia, me encarando, disse: " Você deve ter alguma coisa metálica não é?". Na hora eu disse que não, e o FDP teve as manhas de dizer: "Então essa porta também não vai muito com a cara de cabeludo". E para piorar, disse que cabeludo sempre foi suspeito em qualquer banco. Pô, depois dessa o sangue foi pra lua e mandei ver: "Tenho certeza de se a tua mulher conhecer um cabeludo por aí, vai dar para ele na hora!". O cara ficou quieto", conta Vitão Bonesso.

No que se refere aos romances, boa parte das pessoas preferem rapazes ou moças que também se identificam com o rock. Mas, e quando nos interessamos por alguém que não curte rock, e este interesse é correspondido? Aí, meus amigos, a maior dureza, na certa, será na hora de sermos apresentados aos pais (família) da outra pessoa. Chega a ser constrangedor conversar com uma família que nos imaginam (rockeiros) como anormais, ou algo de outro mundo. Quantos de nós já passaram por isso? Quantos já pararam o carro em frente à casa de sua namorada - ou namorado - ao som ensurdecedor do rock e foram mal vistos pela família do (a) companheiro (a). Para comprovar, Fernando Souza Filho dá seu testemunho: "Tive uma namorada muito bonita, que era modelo de um programa na TV Gazeta. Quando fui conhecer os pais dela, passei o constrangimento de ver ambos receosos de que eu fosse roubá-los . Roubá-los! Tudo porque eu era cabeludo e tatuado. O pior é que eu estava arrumadinho, bonitinho e cheguei com meu próprio carro. Com o tempo, fiquei muito amigo dos pais dela, que depois me confessaram que, quando me viram, imaginavam que eu era drogado e bêbado. Justo eu, que não bebo, não fumo, não uso drogas e evito comer carne. No entanto, era esse o referencial que eles tinham de rockeiro. Ah, eles eram viciados em novela da Globo".

Já Piotr, diz algo bem rotineiro entre os rockeiros: "Já me disseram que não acreditavam que um dentista da USP poderia gostar de heavy e ser tão fanático".

Este mesmo que vos escreve é mais um exemplo; aluno do último ano de administração de empresas, que já escutou várias vezes coisas do tipo: "Como pode um administrador escutar isso?". "A minha vida inteira, assim como a de todos os eleitos (fãs de rock) que fazem parte de uma minoria, qualquer que seja ela, foi lutar contra o preconceito das pessoas, contra a discriminação generalizada. Quando era garoto, nos anos 60, era taxado de vagabundo, viciado e marginal, apesar de estudar e ser educado. Só porque ouvia rock e usava cabelos longos com roupas estranhas", diz Heavyman.

Bem, o que estas pessoas que nos criticam não entendem, é que o fato de ser um rockeiro não significa "curtir" ou "simpatizar" com o som, e sim de empregá-lo como uma filosofia de vida. O fã- fiel ao estilo jamais abandona o barco; não como aqueles que dizem: "-Um dia já gostei muito disso(rock)!", e sim "Eu sempre amarei o rock". Sim, o entendimento é que existe uma forte devoção por parte dos verdadeiros rockeiros. Pensem, o rock é um dos poucos estilos musicais a cativar o fanatismo absoluto, talvez o principal.

Não há como passar desapercebido pela questão das drogas e sua associação única aos rockeiros, feito pela mídia e pessoas desinformadas, em geral. São típicos os casos onde escutamos tais acusações por estarmos andando com camisas de nossas bandas prediletas e/ou cabelos longos e tatuagens. Desde quando o visual indica algo? Muitas vezes, não. Existem pessoas dentro do rock, que consomem drogas? Sim. Existem artistas renomados, nacionais e internacionais, que consomem drogas? Sim. Existem músicos de qualquer outro estilo denominado "música culta", que consomem drogas? Sim. Saldo: as drogas estão em qualquer lugar. Então, porque dizer que rockeiro só vive se drogando? A mídia, ao apoiar pagode e funk, por exemplo, cai em profunda contrariedade ao acusar um rockeiro de ser um drogado, como algo individual. "Nos associam a imagem de consumistas de drogas, quando na verdade só consumimos cervas (cervejas) e rock and roll, ao contrário das realidade triste dos pagodes, bailes funk e shows de axé, onde a cocaína e o crack reinam supremos", diz Heavyman.

Outro ponto importante, são os festivais de rock que ocorrem no Brasil. Desde sua primeira edição internacional até os dias atuais, temos visto que os fãs se comportaram muito bem. Certa vez, no Monsters of Rock de 1996, me recordo de haver visto um carro de reportagens da Rede Globo; ao presenciar o veículo, alguns fãs começaram a protestar pelo fato de se tratar de uma emissora de TV que estaria lá, supostamente, para cobrir cenas de violência. Ainda sobre as edições do Monsters of Rock, em São Paulo, também me lembro de ter presenciado violência, por parte dos policiais! Um jovem rockeiro portava uma máquina de fotos e foi barrado pela guarda; argumentou com os policiais para que, assim, pudesse adentrar ao festival com o aparelho. Em vão, foi literalmente surrado pela vergonhosa "força" policial de São Paulo, que ao invés de aplicar sua autoridade com marginais da mais alta periculosidade, decidiram, neste episódio, se aproveitar de uma pessoa sem nenhuma culpa para fazer seu "marketing macabro". Iguais cenas, foram presenciadas ao longo das quatro edições do festival. Sim, existem shows de rock que ficaram tristemente lembrados pela violência promovida, como o caso do Ramones na casa de shows Canecão, no Rio de Janeiro. No Brasil, são casos isolados. "Cabe ainda ressaltar, que os maiores eventos de música ocorridos no Brasil, foram shows de rock and roll e heavy metal, e que nunca houve mortes e brigas violentas generalizadas. Ao contrário, a confraternização dos rockeiros sempre foi pacífica", complementa Heavyman.

Contudo, levando em consideração o que foi dito até agora, não existem somente "santos" no rock. Da mesma forma como não existem em lugar nenhum, em nenhum outro estilo musical. Também temos pessoas fora do padrão "normal" e que, por seu comportamento, acabam por denegrir o nosso movimento, mesmo fazendo parte. Seria muita hipocrisia admitir que não temos, dentro do rock, maus exemplos. Temos sim! Pessoas que dão oportunidades para que tanto a mídia quanto pessoas que estão fora do movimento, continuem a massacrar impiedosamente os rockeiros, em geral. Por causa de uma minoria, os meios de comunicação generalizam e acabam acusando os mais comportados, que são os exemplos a serem seguidos. E como o movimento underground já não é bem visto pela sociedade, o fato torna-se ainda maior. E de que formas uma minoria esmaga a imagem do nosso meio? Ora, quantas vezes já não fomos a shows em que os banheiros foram totalmente destruídos? Seria uma vingança contra a privada? O rockeiro - idiota, diga-se de passagem - estaria sofrendo de uma forte prisão de ventre, e, ao não conseguir se liberar diria "Já que não sou eu, não será mais ninguém!", daí destruiria a privada, pias, etc? Então, o que ocasiona este fato? Simples, a burrice tão comentada nesta matéria. É verdade, também existem burros dentro do rock. Bom, o radicalismo também é outro fator que dá "asas" á imprensa, ao quarto poder que espera um deslize para escrever suas linhas com tinta à base de sangue. Fernando Souza Filho é franco ao dizer: "Sim, rockeiro é burro. É tão burro quanto pagodeiro, sertanejo, MPB, fã de música clássica, jogador de futebol, físico nuclear, jornalista, médico ou advogado. Ninguém pode rotular as pessoas pelo tipo de música que ouvem ou pela profissão que exercem. Acredite se quiser, mas existem até advogados inteligentes. E, se procurar bem, dá até para encontrar algum pagodeiro ou dirigente do futebol carioca inteligente (apesar de que isso já é mais difícil). Assim como existem rockeiros que discutem crueldades com animais, tem rockeiros que vão ao show do Iron Maiden para ficar cuspindo na banda. Conheço rockeiro semi-analfabeto que consegue ser mais claro em suas idéias do que jornalistas quase formados".

A grande verdade, é que o mal comportamento não escolhe grupo, pessoa, etc. Aliás, são as pessoas que escolhem e adquirem o mal comportamento. Não seria sadio - como de fato não é! - atribuir a falta de um bom comportamento a um determinado grupo social, pois se trataria de associar, individualmente, um fato que é uma constante em todas as nações do mundo. Existem pessoas inteligentes que, por vezes, adquirem mal comportamento. "Em qualquer tribo (detesto essa palavra) existem maus exemplos, tanto de comportamento como que QI (quociente de inteligência). Com certeza o rock não é uma exceção", comprova Vitão Bonesso. Realizando uma análise mais profunda na questão, Heavyman prefere incluir outras variáveis: "Em todo e qualquer grupo de pessoas, há uma minoria que nem sempre espelha o comportamento de um todo. Assim, os que não estudam merecem o rótulo de burros, os que se drogam merecem rótulo de burros e suicidas, os que acham que violência é legal, merecem o rótulo de burros e criminosos. Ainda bem que temos muito pouca gente em nossas fileiras, aos que podemos alcunhar com estes adjetivos pejorativos".

Bem, com esta matéria, o WHIPLASH! espera ter esclarecido certos pontos negativos que sempre acompanharam os fãs de rock, em toda nossa trajetória. Também tivemos a intenção de poder fornecer fatos e informações para que os rockeiros, quando abordados por pessoas preconceituosas, possam responde-las fundamentadas em idéias verdadeiras, ponderadas e inteligentes. Rockeiro não é sinônimo de violência, desinteresse pela vida, pelos estudos, mal comportamento e coisas do tipo. Porque nos atribuir uma acusação que é uma verdade em todo o planeta, em todas as classes sociais? A respeito da mídia, esperamos que o leitor possa ter percebido certos aspectos nocivos que contribuíram para uma "imagem televisionada" do que é ser um rocker. Acreditem, ser um devoto do rock não é o que a TV mostra. Como dito antes, a mesma TV mostra, em certos programas, uma vida ilusória de novelas e seriados onde os headbangers são maus, drogados, sujos e por aí vai. Portanto, ser um rockeiro não é ilusão, é um fato, uma realidade!

Quaisquer dúvidas, esclarecimentos e sugestões, entrem em contato. O WHIPLASH! sempre estará lutando pela nossa causa.

E nunca se esqueçam: LONG LIVE ROCK ’N’ ROLL!

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Sobre André Toral

Formado em Administração de Empresas. Curte Hard clássico dos anos 70 e início dos 80; Heavy Metal é sua religião.

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