Brasil entra para a lista negra da pirataria
Fonte: Terra Música
Postado em 11 de julho de 2003
O Brasil entrou para a lista negra da Federação Internacional da Indústria Fonográfica. O país faz parte de uma lista que inclui a China, o México, o Paraguai e a Rússia, entre outros, para quem a entidade está "sugerindo" a criação de leis mais rígidas para combater a pirataria de CDs. Pela primeira vez, os discos falsificados superaram a marca de 1 bilhão de unidades vendidas em um ano - um número alarmante para as gravadoras.
No início do ano, analistas da indústria alertaram para a forte queda no faturamento das gravadoras nos últimos meses em várias regiões do mundo, um fenômeno que vem ganhando força por conta da pirataria, mas também da transferência de arquivos digitais via internet. Sabe-se, por exemplo, que formatos como o CD single deve dar mais prejuízos nos próximos tempos.
De acordo com os números revelados esta semana, dois em cada três CDs vendidos no mundo são piratas. A figura é prejudicada principalmente por países como a China, um mercado em que 90% dos discos vendidos são falsos (gerando perdas de US$ 500 milhões por ano para as gravadoras). O mercado negro vai muito bem, obrigado: no último ano, as vendas aumentaram em 14% (um número que dobrou em apenas três anos), chegando a US$ 4,6 bilhões por ano.
A Federação Internacional, que já denunciou a China para a World Trade Organization sem muito retorno, quer agora pressionar governos por meio das gravadoras. Eles pedem condenações para fabricantes de CDs piratas e alterações nas leis.
Não foram reveladas as estratégias para o lobby internacional. Por enquanto, a entidade e os representantes das principais gravadoras vêm fazendo o uso de apelos. O presidente da IFPI, Jay Berman, disse que eles "precisam da ajuda crítica das governos". O presidente da BMG da Inglaterra, Tim Bowen, é mais específico: "Estes números mostram o quanto a pirataria está afetando economias e culturas de vários países."
Também fazem parte da lista negra Polônia, Espanha, Taiwan, Tailândia e Ucrânia. Um total de 25 países tiveram vendas ilegais superando o faturamento do mercado legítimo de música - incluindo o Brasil. A crise econômica mundial e o crescimento dos downloads digitais vêm agravando ainda mais a situação: só na Inglaterra, por exemplo, as vendas caíram mais 5% entre janeiro e março deste ano.
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