Canção instrumental é destaque no novo P.O.D.
Fonte: Terra Música
Postado em 30 de novembro de 2003
Raphael Crespo
A lista de agradecimentos do encarte do novo CD do P.O.D. é sintomática. Na parte em que a banda lembra de seus patrocinadores, o primeiro a aparecer é a Adidas, marca de roupas de estilo esportivo, usada por onze entre dez estrelas do new metal, ou metal alternativo norte-americano. Só depois, na mesma lista, aparecem os fabricantes de instrumentos e amplificadores, patrocinadores fundamentais para o que deveria, na teoria, ser o principal para uma banda, que é a música.
P.O.D. é uma sigla para Payable on Death, expressão que batiza o quarto álbum de inéditas da banda em questão, que está sendo lançado este mês de novembro. Surgido em 1996, o P.O.D. veio na onda das bandas de metade da década passada, influenciadas por uma salada de diferentes estilos, desde o funk-metal do Faith No More, passando pela pancadaria de Chaos A.D., um dos melhores álbuns do Sepultura, pelo hip-hop e até um pouco do grunge, que emprestou ao new metal a temática melancólica, muito comum em bandas como Alice in Chains e Nirvana.
O estilo, o tal do new metal, tão novo, caducou muito rapidamente. Desgastou-se. Talvez por nunca ter possuído uma identidade própria, por se preocupar, muitas vezes, mais com a moda do que com o próprio som, que segue a fórmula manjada de riffs de guitarra graves e quebrados, alternados com dedilhados melódicos e vocais gritados, misturados com passagens de rap.
No P.O.D. a fórmula não é diferente, sendo que a banda, conhecida pela qualidade de cristãos de seus integrantes, acaba trilhando também para o lado do reggae, falando bastante de Jah e positividade, o que enquadra a banda, também, numa salada espiritual-filosófica, como se já não bastasse a salada sonora.
No Brasil, o P.O.D. ficou conhecido pela grudenta música Youth of The Nation, do álbum anterior (Satellite), que alguns meses atrás tocava cerca de "quatro milhões de vezes" por dia nas rádios rock do país.
A banda volta em Payable on Death com o single Will You, igualmente grudento e com potencial para tocar "quatro milhões e mais uma vez" nas rádios da moda. As músicas todas seguem o estilo já descrito, nunca fugindo da fórmula, e o destaque acaba sendo uma bela instrumental no final do disco.
JB Online
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