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Charlie Brown Jr: a trajetória e os boatos do fim

Fonte: IG Música
Postado em 26 de março de 2004

Por Marcela Tavares ([email protected])

Quem não sabe que os caras do Charlie Brown já invadiram há muito tempo o país está fora de órbita há seis anos. Tão famosa quanto a banda, que hoje é a maior representante do rock brasileiro, é a fama de garoto briguento do líder, o paulistano Chorão. Vira e mexe algum boato de arranca rabo entre ele e integrantes da banda, amigos e desconhecidos pipoca na imprensa.

O que já é um folclore tem ganhado maiores proporções nas últimas semanas. Chorão e Pelado teriam saído na mão e a continuidade do grupo pode ter virado uma incógnita. A notícia circulou nos bastidores e muita gente que trabalha com os caras tremeu com o clima de "ou vai, ou racha". A gravadora não assume a briga e nem discute um possível final do Charlie Brown, argumentando que a banda ainda tem muitos contratos de shows a cumprir.

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Confusões sempre fizeram parte da história da banda liderada por Chorão, que ganhou o apelido de um mano skatista por causa de seus olhos sempre vermelhos. Ele achou o cabelo do baixista engraçado e tascou o apelido de Champignon. O guitarrista Marcão fazia faculdade de propaganda e foi até corretor de imóveis para pagar as contas. O baterista atende por Pelado porque foi encontrado assim tomando sol no quintal de casa pelo resto da banda. Patola descobriu o grupo, produziu os discos e toca guitarra.

Um acidente de carro batizou a banda. Chorão atropelou uma barraquinha de coco chamada Charlie Brown e o Júnior foi colocado como homenagem às bandas favoritas dos caras. As influências sempre vieram dos estilos Hip hop, ska, reggae, punk rock e funk. No início, a banda queria tocar em inglês, mas o Planet Hemp mandou um sonoro "acorda pra cuspir" e o Charlie Brown Jr esqueceu a língua dos gringos.

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Além de ser o contato com Patola, Pelado também esbarrou em Rick Bonadio, produtor dos Mamonas Assassinas, depois de menos de 100 horas de gravação o primeiro disco estava pronto. "Transpiração continua prolongada" vendeu meio milhão de cópias e lançou sucessos como "Proibida pra mim", "Tudo que ela gosta de escutar" ("Que Patricinha já não se apaixonou por um malandro?", explicou Chorão) e "O coro vai cumê". Bonadio, por sinal, foi um dos primeiros a se desentender com o jeito revolts de Chorão e largou a produção dos discos nas mãos de Patola.

Nos primeiros meses de sucesso os músicos da banda ainda não tinham se livrado da pindaíba. Chorão esperava a mulher chegar em casa com um tíquete para comprar duas esfihas e um refrigerante. Mas já se foi aquele tempo da ladeira e os integrantes da banda aproveitam o sucesso, mesmo que seja detonando os estoques de Toddynho dos hotéis em que ficam hospedados durante as turnês.

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Dois anos depois da estréia, veio o álbum duplo "Preço curto, prazo longo", com "Zóio de Lua" e "Te levar". Mais um sucesso, mais um disco. Nesta mesma época a banda causou uma certa polêmica por ter abandonado, junto com Skank, Raimundos, Jota Quest e outros, o Rock in Rio sob a alegação de que o festival não destacava tanto as atrações nacionais como as internacionais. Mas isso não arranhou a imagem do grupo, que continuou crescendo. A versão que o cantor e compositor maranhense Zeca Baleiro fez de "Proibida pra mim" gerou alguns bocejos entre os fãs de Chorão e Cia, mas só comprovou a força do trabalho dos caras.

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Em 2000 aparece "Nadando com os tubarões", que mostra a aproximação da banda com rappers da periferia de São Paulo, selada com a participação do DJ Anderson Franja. O CD concorreu ao prêmio de melhor disco de rock no Grammy Latino. "Não é sério", com participação de Negra Li, tocou à exaustão nas rádios. Durante a turnê, o guitarrista Thiago deixa a banda, uma situação meio estranha que não foi esclarecida. Segundo Champignon, nem passou pela cabeça deles parar de tocar, mas ninguém mais falou sobre o assunto.

SAI RICK BONADIO?

O lado mais engajado do grupo aparece em 2001, no disco "100% Charlie Brown Jr. - Abalando a Sua Fábrica". Entre os dois discos Chorão perdeu o pai e isso fez o compositor refletir mais sobre a sua época de baladas e pensar mais no futuro. Sem um substituto para Thiago, o som ficou mais cru.

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Durante uma turnê em Portugal, um jornal luso chamou os integrantes da banda de "Bocas ordinárias" por causa da quantidade de palavrões nas letras. Chorão, que sempre batiza os discos, resolveu nomear assim o lançamento de 2002. A banda grava a primeira cover de sua carreira, "Baader-Meinhof Blues", do Legião Urbana. O som fica mais próximo ao escutado nos shows, a guitarra mais pesada.

As notícias de que o CBJ estava preparando junto com a MTV um acústico assustaram um pouco os fãs, mas o resultado estava bem longe do clima banquinho-e-violão. Marcelo Nova, líder do Camisa de Vênus, foi o principal convidado do show. "Eu devo ser filho bastardo desse homem", exclamou Chorão. O CD já vendeu mais de 400 mil cópias e o DVD, 100 mil.

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O Charlie Brown já fez cerca de 60 shows com o Acústico e pretende fazer mais 150. Em maio, embarcam para uma turnê internacional, que vai ser encerrada no Rock in Rio de Lisboa. Novo disco só no final de 2005 para dar um respiro. A maior banda de rock brasileira vai surfando (sem perder a crueza) entre os tubarões e não pensa em parar. Para os fãs, a idéia vai ser sempre "no vaca, yes rock " e a torcida para que o fim da banda seja apenas mais um boato.

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João Gordo: relembrando quando "cheirou buzina" com Chorão, do Charlie Brown Jr.


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