Angra parte para 'Diários de Motocicleta' do Metal
Fonte: Terra Música
Postado em 31 de agosto de 2005
Referência no prog metal nacional, com quase 14 anos de estrada, a banda Angra está curtindo a maturidade com uma série de shows inéditos na agenda. O quinteto paulista se prepara para iniciar uma turnê pioneira pelas Américas, promovendo o bem-sucedido álbum Temple of Shadows, lançado em 2004.
A tour inovadora do quinteto paulista terá apresentações em Quebec (dias 13 e 14), no Canadá; Atlanta, nos EUA (dia 16); Cidade do México (17), Monterrey (18) e Guadalajara (20), no México; San Salvador (22), em El Salvador; e Bogotá (24) e Cali (25), na Colômbia.
"É quase um Diários de Motocicleta tocando heavy metal", comparou o guitarrista Kiko Loureiro, em entrevista exclusiva ao Terra, fazendo referência ao filme do cineasta brasileiro Walter Salles que conta a história da viagem feita pelo revolucionário argentino Ernesto "Che" Guevara no começo dos anos 50.
"Quando nós tocamos na América Latina, vemos que existe muito um lance de irmandade. Mesmo que a gente fale uma língua diferente da deles, tivemos uma história política e social sofrida, bastante parecida. É muito legal tocar para os nossos 'hermanos' latinos", acrescentou Kiko.
"Não é qualquer grupo que consegue tocar em lugares assim", destacou o guitarrista Rafael Bittencourt, outro fundador do Angra, que também conversou com o Terra. "Países como a Colômbia e o Equador são muito carentes de shows internacionais", completou.
Kiko e Rafael lembram, com um misto de curiosidade e espanto, um show que o Angra fez em Quito, no Equador, em 2002. A apresentação por pouco não acabou em tragédia, mas serviu para reforçar nos membros da banda o sentimento de "irmandade latina" que Kiko Loureiro descreveu.
"Havia umas 200 pessoas fora do teatro - que já estava lotado - querendo entrar. O pessoal começou a quebrar o lugar para invadir. Aí a polícia interveio e a cavalaria chegou jogando bombas de gás para dentro. E nós tocando no palco. Chegou uma hora em que tivemos de parar de tocar para esperar o gás baixar", contou Rafael.
"O pessoal falava muito para nós da altitude de Quito. 'Ah, teve um cara de uma banda tal que veio cantar aqui e passou mal.' Daí, quando a gente estava tocando, olhei na platéia e vi que havia um monte de gente chorando. Eu olhei para o lado e vi e o Rafael e o Edu (Falaschi, o vocalista) chorando também. Então eu pensei: 'nossa! Esse negócio de altitude é sério mesmo...' Mas depois eu percebi que era por causa das bombas da polícia. Foi, no mínimo, uma história para contar", descreveu Kiko.
Para Kiko Loureiro, a nova turnê do Angra vai permitir que a banda tenha contato com três faces bem distintas do mundo. "Vamos começar nos Estados Unidos e no Canadá, que são os caras ricos, a elite. Daí vamos para o México, que são os caras que 'querem ser'. Depois nós descemos para a América do Sul, onde há muita pobreza e desigualdade. É como no Brasil. Não é melhor nem pior."
Além da série internacional de shows, que incluiu um espetáculo em Assunção, no Paraguai, em 20 de agosto, a banda se prepara para uma apresentação muito especial. No dia 9 de setembro, em São Paulo, o quinteto vai abrir um festival metálico que contará com Whitesnake e Judas Priest como atrações principais.
"Tocar num festival assim é muito bom para nós, como fãs e como músicos. Primeiro, nós vamos dividir o palco com bandas que são referências. Como músicos, é muito importante para nós tocar diante um público tão grande", analisou Rafael Bittencourt. "Teremos a responsabilidade de fazer um grande show para cativar um público em potencial que ainda não é nosso. É bem diferente de fazer um show só do Angra, em que os caras estão na platéia apenas para ouvir o nosso som", completou Kiko Loureiro.
"Para nós, como profissionais, é legal prestar atenção nos bastidores e ver como trabalha a equipe de uma banda grande. Sempre aprendemos ao ver os caras trabalhando e procuramos levar para o Angra a experiência desses grupos", acrescentou Kiko.
Maturidade
Os dois guitarristas, que começaram a tocar juntos antes mesmo de o Angra existir, acreditam que a banda está vivendo hoje seus melhores tempos.
"Estamos numa fase muito boa. A galera está empolgada e nosso entrosamento está muito legal. Vamos completar 14 anos de banda em outubro. A maturidade ajuda. Nunca tocamos no nível técnico em que estamos hoje", afirmou Rafael Bittencourt.
"Estamos mais maduros e tocando melhor. Sabemos que podemos fazer algumas coisas de uma forma bem melhor, como tocar ao vivo e compor músicas. Fazer um show ao lado de Judas Priest e Whitesnake, por exemplo. É claro que é muito importante para nós, mas hoje vamos para o palco muito mais tranqüilos. Agora nós temos experiência, já tocamos várias vezes fora do País. Tudo isso ajuda muito", concordou Kiko Loureiro.
Entrando na fase final das turnês de divulgação do CD Temple of Shadows, o Angra já começa a pensar em num novo trabalho. Rafael contou que os integrantes da banda, especialmente ele e Kiko, estão "mostrando materiais um para o outro". O estágio de criação ainda é bastante preliminar, mas os músicos não deixam de lado a "coleção de idéias" - expressão cunhada por Kiko - para a concepção de um futuro novo álbum.
Enquanto as músicas inéditas não vêm, o Angra vai aproveitar a "turnê Diários de Motocicleta" para lançar um DVD ao vivo, possivelmente no começo de 2006. Os shows em Atlanta, no importante festival Prog Power USA VI, e nas cidades latinas prometem ser os carros-chefes do lançamento.
Redação Terra
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