Padre espanhol faz rock pesado contra a globalização
Fonte: Terra Música
Postado em 01 de agosto de 2005
Anelise Infante
O espanhol Joan Enrique Reverte, 37 anos, seria um padre a mais se não tivesse uma segunda vocação: a música.
Mas o gênero musical que o agrada não é o melódico das missas, nem o pop de outros sacerdotes. Padre Jony, como ficou conhecido, gosta de rock pesado.
Com seus cabelos compridos e soltos, calça jeans e guitarra na mão, ele agora é uma estrela de missas e palcos.
O padre canta contra a globalização, diz que admira o presidente Lula, pede o fim da dívida dos países pobres e acaba de iniciar uma turnê mundial.
Temática social
As músicas de Padre Jony falam de problemas sociais mundiais: discriminação, desarmamento, meninos de rua, globalização e justiça social. Seu primeiro disco, Provocando La Paz, entrou na lista dos cem discos mais vendidos na Espanha na sua segunda semana nas lojas.
A união entre fé e rock and roll surgiu ainda na infância de Padre Jony.
Hoje, sua música virou um projeto beneficente. Tudo o que o padre arrecada com os shows e a venda de discos vai para obras de caridade, por meio de uma fundação e da ONG espanhola Manos Unidas.
"A base da minha música é um pouco a minha experiência de vida. São canções sociais, humanas e espirituais que, para mim, são muito importantes. Estive na África e na América Central e vi muitas coisas que me deram inquietações. Acho que só há paz com justiça social. Acredito, sim, que outro mundo é possível com outra forma de organização e de convivência."
Padre Jony deu semana passada em Madri o primeiro show da turnê de lançamento do disco. Depois irá a Alemanha, França e Itália, e em janeiro e fevereiro estará na América do Sul - onde visitará Brasil, Chile, Argentina, Uruguai e Colômbia.
Pró-Lula
Ele confessa que gostaria de conhecer seu político preferido: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Na política, me sinto próximo ao presidente Lula. Quanto a cantores, me identifico com gente como Bono, do U2. Não só porque admiro sua trajetória musical, mas também seu compromisso pela paz e a solidariedade. Gostaria de conhecê-los e poder colaborar com eles."
Padre Jony celebra missas em três paróquias no interior da Espanha e acha que a mensagem dele é bem entendida pelos fiéis. Nem tanto pela alta cúpula do clero, já que a fama de roqueiro surge justamente quando a igreja católica espanhola tem assumido posturas sociais mais conservadoras.
"O bispo a princípio se surpreendeu com a proposta. Mas, analisando os prós e contras, entendeu que a causa era boa. Mas eu me identifico com a linha de pensamento de Jesus Cristo, que é meu ponto de referência na vida."
Campanha
"Também (me identifico) com o que acontece ao redor em relação aos jovens, à sociedade e ao mundo. Tenho uma personalidade própria que talvez contraste com o que há na Igreja agora, mas estou fazendo o que tenho que fazer."
"Se me criticam, vejo de quem isso parte. Me preocupa mais que sejam críticas feitas por ignorância ou intolerância. Se saem de quem não faz nada e ainda fala mal das iniciativas boas e nobres, digo: enquanto você está sentado no sofá reclamando, eu estou ajudando os outros", acrescenta. O disco do sacerdote tem 11 músicas próprias (com a banda de quatro guitarras, baixo, bateria e teclados) e uma versão roqueira do clássico católico Pescador de Homens.
"Pai nosso que estás no céu, vem e olha isso. Que o pão nosso de cada dia não se gaste em armas. Se somos irmãos, porque nos matamos? Paz, Jesus e rock and roll", diz o padre em uma de suas canções.
Além dos shows, Padre Jony está promovendo uma campanha na forma de abaixo-assinado a ser encaminhado ao FMI (Fundo Monetário Internacional), pedindo o cancelamento da dívida externa dos países pobres.
BBC Brasil
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Tributo a Syd Barrett une Pink Floyd, David Bowie, Violeta de Outono e John Paul Jones
Bruce Dickinson diz que prefere gravar novo álbum do Iron Maiden a fazer outra turnê
Baixista se manifesta pela primeira vez sobre retorno do Faith No More
Para Bruce Dickinson, um vocalista que não consegue mais cantar deixa de ser lendário
A música do Queen que Freddie Mercury considerava melhor que "Bohemian Rhapsody"
A banda dos anos 2000 que mais orgulhava Geddy Lee por seguir os passos do Rush
A banda punk que Bono considera a melhor de todos os tempos
A condição que fez Edu Ardanuy não aceitar voltar ao Dr. Sin
A opinião de Mark "Barney" Greenway, do Napalm Death, sobre Lemmy e o Motörhead
Edguy anuncia primeiro show em uma década e despedida
Vocalista do Moonspell sobre tradução literária: "É mal pago, mas adoro"
A banda que explodiu nos anos 90 e fez Robert Plant pensar em desistir
O músico que Freddie Mercury considerava o maior de todos os tempos
As 10 melhores músicas que Adrian Smith escreveu para o Iron Maiden, segundo a Metal Hammer
O solo que Slash compara a fazer sexo e nunca se cansa de tocar
Filho de Ringo Starr já disse que não considerava o pai um grande baterista
Velocidade: Top 10 de músicas de Metal para ser multado
Massacration: por que a morte de Fausto Fanti impressionou tanto Bruno Sutter


Black Sabbath: a polêmica capa do polêmico Born Again
VH1: os 100 melhores álbuns de rock segundo a emissora
Paul Di Anno: Qual a opinião dele sobre os vocais de Bruce Dickinson?
Courtney Love: "Essa música é sobre minha vagina, sabia?"
O significado de "Dorme agora, é só o vento lá fora" de "Pais e Filhos" da Legião Urbana
Black Metal: os 11 melhores álbuns de todos os tempos



