BH está na rota dos grandes shows internacionais
Por Maurício Gomes Angelo
Postado em 14 de maio de 2008
Durante anos relegada a segundo ou terceiro plano quanto à turnê de artistas internacionais no Brasil, que passavam somente por São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, Belo Horizonte está, pouco a pouco, novamente se acostumando a fazer parte do calendário de grandes nomes da música mundial. Rock, metal, jazz, pop, hardcore, eletrônica, instrumental, progressivo... todos os principais representantes de uma imensa gama de estilos agora se apresentam para o público diversificado – embora imprevisível – da capital mineira.
No início do ano uma união dos principais produtores da cidade veio para tentar fortalecer o cenário. Gegê Lara, da Electra Produções, Lúcio Oliveira, da Art BHZ, Aluízer Malab, da Malab e Márcia Ribeiro, da Nó de Rosas, quatro dos mais experientes nomes da área em Belo Horizonte, uniram seus trabalhos afim de facilitar e fortalecer as possibilidades de viabilizar grandes espetáculos. Até maio deste ano, a cidade já viu os shows de ARMIN VAN BUUREN, DREAM THEATER, HELLOWEEN & GAMMA RAY, INTERPOL, WHITESNAKE, QUEENSRŸCHE, JOHN PIZZARELLI e RUFUS WAINWRIGHT. Há ainda rumores quanto a vinda de ALANIS MORRISSETE, LENNY KRAVITZ, FOO FIGHTERS e RAGE AGAINST THE MACHINE. Além disto, nomes como SCORPIONS, MEGADETH e JOE SATRIANI já estão confirmados. Sem contar que 2007 teve LCD SOUNDSYSTEM, TIESTO, JETHRO TULL, STEVE VAI e RITE OF STRINGS, dentre outros. Ainda muito pouco perto do fluxo de cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, mas um avanço para quem se encontrava um pouco esquecida no circuito.
Uma das dificuldades é a imprevisibilidade do público mineiro. È uma incógnita quão bem sucedido shows de certos estilos podem ser. Mesmo assim, o rock, o metal, o jazz e o progressivo sempre tiveram público cativo na cidade. Maurício Almeida, assistindo a esta mudança de padrão, dá o seu relato: "É uma satisfação enorme, visto que os rockeiros que têm hoje seus 20 e poucos anos, estão podendo curtir grandes shows. Estou esperançoso que estes shows venham trazer além de outros nomes do cenário internacional, investimentos para a cidade que tem pouca estrutura para esses mesmos eventos."
A mudança é tão visível que criou um fenômeno inverso: a quantidade de bons shows próximos uns dos outros leva o público a ter que escolher a qual assistir, gerando espetáculos às vezes vazios. É o que comenta Ronan Oliveira: "fico muito feliz, como fã, pelo fato de que algumas bandas que eu achei que não conseguiria ver nunca vieram aqui depois de tanto tempo. O único ponto negativo é como essas bandas estão passando aqui no mesmo período, isso complica, porque muita gente não tem grana pra ir em todos os shows, assim, há uma possibilidade do show não ficar tão cheio quanto o esperado, como o QUEENSRŸCHE."
Um último fator enxergado por Leonardo Bridges, que acompanha o cenário atentamente, é a "esperteza" dos produtores. Com o maior volume de shows, o valor de ingressos na capital mineira também passou a se adequar à realidade de outras cidades. Mudança feita de forma brusca, atingindo diretamente o público, ainda atordoado. Segundo ele: "os promotores tem um pouco de culpa também, o preço dos ingressos aumentou consideravelmente. No WHITESNAKE, por exemplo, estava 70 reais a meia. Quem pagou 140 naquele show bancou o ingresso de 3 pessoas. O povo não é burro. O dólar tá baixo, o cenário tá bom, mas não há como bancar este lucro extra que muitos produtores tentam tirar. O que, no fundo, acaba sendo um tiro no próprio pé, já que a escassez de público atrapalha a vinda de futuros eventos."
É uma nova realidade que gera várias frentes de uma discussão saudável e necessária para uma cidade que se acostumou a ficar de fora. Arestas que terão que ser acertadas para que este momento não seja apenas passageiro, e Belo Horizonte consolide-se como a terceira (ou quarta) força no cenário nacional. Novos problemas que precisam ser solucionados, chegando a um denominador comum favorável a todos. Que se ache o caminho.
Veja abaixo foto de divulgação do público no show do WHITESNAKE
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