"Nós ainda somos uma banda de heavy metal", diz James Hetfield, vocalista do Metallica
Por Douglas Morita
Fonte: Metallica Remains
Postado em 01 de setembro de 2008
José Miguel Rodrigues foi a Nova Iorque ouvir "Death Magnetic", o novo álbum do METALLICA. Em Lisboa, James Hetfield, de chávena de chá na mão, revelou-nos alguns dos segredos de uma das maiores bandas da atualidade.
Nova Iorque, Junho de 2008. Um calor abrasador e a pressa de chegar. No 16º andar de um dos gigantescos edifícios situados na Sétima Avenida, mesmo ao lado daquele frenesi entorpecedor que invade diariamente a lendária Times Square, situa-se o quartel-general da Q Prime, a empresa de "management" responsável pelo desenvolvimento da carreira de algumas das mais afamadas bandas rock das últimas décadas. Nesses escritórios - longe da tal azáfama provocada pelos turistas ofuscados pela imensidão de neons e pelas dezenas de taxis que se acumulam nos semáforos vermelhos - vão ouvir-se algumas canções do novo disco do METALLICA.
O momento quer-se o mais íntimo possível e está rodeado de segredo. As mixagens que vamos ouvir não são finais, os temas ainda sequer têm títulos definitivos. O aviso está feito, o entusiasmo não esmorece. Já se passaram cinco anos desde que o METALLICA deu pela última vez um sinal de vida em forma de disco.
Um elevador coberto de espelhos sobe em meros segundos à sala 16 e, ao segundo toque na campainha, fomos recebidos por um simpático Cliff Burnstein. O manager do METALLICA tem cabelo branco até os ombros e veste uma t-shirt preta, fala de forma pausada mas concisa e, por muito que tente, não consegue disfarçar o charme que lhe permite estabelecer uma relação com alguém numa questão de segundos.
À sua volta, os resultados de uma carreira de sucesso invejável no seio da indústria discográfica: as paredes dos corredores do escritório estão recheadas de galardões conquistados por bandas como METALLICA, RED HOT CHILI PEPPERS e TOOL.
Lisboa, Junho de 2008, algumas semanas antes. A cerca de um metro, sentado descontraidamente numa cadeira branca, encontramos James Hetfield, 44 anos, vocalista, guitarrista e uma das forças motrizes do METALLICA, a poucas horas de entrar no grande palco do Rock in Rio Lisboa. O músico não disfarça a boa disposição e o alívio de, nem que seja por breves instantes, estar afastado do processo de gravação da novidade "Death Magnetic". "Claro que sim", responde o músico à pergunta "continuam a divertir-se na estrada e a tocar ao vivo?". "Ainda mais quando se trata destas pequenas 'fugas' durante o Verão", continua enquanto bebe lentamente sua chávena de chá acabado de fazer. "O fator diversão acaba por ser o que nos faz interromper o processo de concepção de um disco e vir para a estrada, sem termos um lançamento".
"Estes concertos são bastante importantes porque estamos tocando para muita gente, mas acabam por não ter o mesmo peso de uma tour extensa e o seu principal objetivo acaba por ser essencialmente permitir-nos recarregar as baterias. Depois de termos passado tantos meses fechados no estúdio, sentimos necessidade de mudar de ares e de ver pessoas. Acho, inclusive, que isso nos vai dar uma energia incrível para retomarmos a tarefa que temos em mãos". O que se segue é Hetfield, sem rodeios, em discurso direto.
O processo de concepção de um álbum já é cansativo quanto baste. Não se torna difícil saítem para shows enquanto têm entre mãos uma tarefa tão complexa?
"Basta que consigamos encontrar um certo equilíbrio... e deixar de pensar ou respirar o álbum a cada minuto das nossas vidas. Estes espetáculos são um escape, literalmente. Os últimos meses foram passados a trabalhar meticulosamente e sentimos que já estávamos precisando respirar ar fresco. As pessoas pensam que estas 'escapadelas' atrasam o lançamento dos nossos discos, mas não é isso que se passa. Não quero generalizar, mas falo com muita gente e fico nitidamente com a idéia de que, lá no fundo, é isso que pensam. Estão contentes por poderem ver-nos, mas não conseguem evitar um pensamento do género 'raios! já se passou tanto tempo desde que o último disco foi lançado e, quando estão prestes a dar-nos música nova, decidem perder tempo tocando ao vivo?!' (risos) Decidimos fazer estes espectáculos porque as gravações já estão finalizadas e, neste momento, a única coisa que falta mesmo fazer são as mixagens. Acho que só temos a ganhar se, nesta fase de finalização, conseguirmos manter uma certa distância em relação ao que fizemos até aqui."
Talvez seja ainda cedo para conseguir ser objectivo, mas... como se sente em relação a "Death Magnetic"?
"Nós ainda somos uma banda de heavy metal! Acho que o disco vai soar, simultaneamente, como o passado e o futuro do METALLICA - para mim é como se fosse um renascimento. E isso acontece por uma série de razões diferentes... Para começar é o primeiro álbum que gravamos com o Robert [Trujillo, baixista] e o primeiro registro dos METALLICA em que ele esteve envolvido desde o início. Depois estamos trabalhando com um produtor novo e isso também acabou tendo bastante influência no nosso método de trabalho. Todos sentimos que estamos numa nova fase da nossa carreira e, pensando bem, acho que já nos sentimos assim desde que acabamos de gravar o 'St. Anger'. Esse álbum representa um dos momentos mais problemáticos da nossa carreira, mas serviu ao seu propósito. O objetivo era fazer uma limpeza profunda no nosso sistema interno e foi precisamente isso que fizemos. Olhando para trás consigo perceber que talvez tenha sido uma descarga de energia demasiado unidimensional para o que se espera de uma banda como nós."
Foi um balão de oxigênio?
"Parece-me que sim. Foi um disco que tivemos mesmo de fazer para continuarmos juntos e a ser o METALLICA. Era algo que tínhamos, literalmente, de fazer naquele momento."
O artigo completo pode ser conferido na revista portuguesa Blitz, em sua edição de setembro.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Os 10 melhores álbuns dos anos 1980, segundo Regis Tadeu
TMZ divulga novos detalhes sobre a expulsão de Sid Wilson do Slipknot
Steve Harris defende o criticado álbum do Iron Maiden que foi gravado num celeiro
11 bandas que nunca fizeram um disco tão bom quanto o primeiro
19 shows internacionais de rock e metal no Brasil até o final de agosto
A música do Iron Maiden que foi criticada, mas Steve Harris aprova
A expectativa de Derrick Green para uma banda pesada depois do Sepultura
O álbum do Pink Floyd que Richard Wright rejeitou e jogou nas costas de Roger Waters
Tarja Turunen já participou de evento na Rússia que definiu como "humilhante"
Megadeth anuncia turnê europeia com Black Label Society e Testament para 2027
Mick Jagger não volta atrás após crítica aos Beatles: "Às vezes eu digo a verdade"
Eric Clapton relembra a única banda da Inglaterra que ele curtia no começo de sua carreira
O dia em que Steve Harris foi a um show do Metallica e elogiou Dave Mustaine
15 coisas que você não imagina que coexistiram com bandas famosas
Fabio Lione reage extremamente irritado após Circo Voador admitir erro sobre show
A melhor banda de rock nacional para cada letra do alfabeto
A condição que fez Edu Ardanuy não aceitar voltar ao Dr. Sin
Paul McCartney diz que John Lennon prejudicou sua reputação: "Isso piorou minha imagem"



5 músicas que ficaram famosas por motivo diferente daquele imaginado pela banda
Dave Mustaine gostaria de entrar para o Rock and Roll Hall of Fame
5 músicas de metal com refrãos feitos na medida para você pular sem parar
Os 5 melhores álbuns de todos os tempos, segundo Lucas Inutilismo
A importante lição que uma música "esquecida" do Metallica ensinou a Lars Ulrich
"Fade to Black" surpreendeu muita gente, menos os integrantes do Metallica
A banda que o Metallica praticamente destruiu em uma turnê pelos EUA
O músico que Lars Ulrich considerava parte insubstituível do Metallica
Os melhores bateristas de todos os tempos, na opinião de Charlie Benante



