Slayer: resenha faixa-a-faixa de "World Painted Blood"

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Por Diego Camara, Fonte: Heavy Metal Superfan, Tradução
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Phil Freeman, ex-editor-chefe da Metal Edge, teve o prazer de ser um dos críticos que puderam ouvir o novo álbum do SLAYER, "World Painted Blood", e fazer uma resenha faixa-a-faixa deste novo material do grupo. Confira abaixo.

"World Painted Blood"
O álbum começa com uma bateria em marcha e algumas falas difíceis de serem entendidas, antes que os riffs sabáticos entrem em cena. Com um minuto as coisas ficam mais rápidas, com as guitarras rítmicas soando mais como James Hetfield no "Death Magnetic" do que o som comum do SLAYER. Os vocais roucos de Tom Araya adicionam uma urgência dramática às suas letras de horror. Esta música é espiritualmente familiar ao "South of Heaven", mas mais rápida e mais agressiva, com um riff principal absolutamente matador. Se esta música tem um ponto fraco, talvez seja no seu tamanho (próximo de 6 minutos), além de ter muitas ideias juntas. Apesar disso é um bom início para o álbum.

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"Unit 731"
Um hino super-rápido do tipo que o SLAYER escreveu uma dúzia de vezes antes e irá escrever até eles pendurarem as guitarras. Lombardo continua sendo o mestre das baterias do thrash, e suas baquetas tem um quê de punk-rock neste álbum que faz dele mais fresco. O mix de "World Painted Blood" é realmente surpreendente - não apenas as baterias, mas o espaço dado ao baixo de Araya e o peso das guitarras. O produtor Greg Fidelman deu ao álbum um som bastante similar ao "Death Magnetic" (que ele também produziu), mas sem o trabalho explosivo de masterização. Consequentemente, funciona melhor para eles do que para o METALLICA.

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"Snuff"
Esta música começa com dois solos de guitarra. Isso é novo. O título já entrega que a letra é sobre os filmes snuff (onde uma pessoa é morta de verdade). Os versos de Araya são bastante planos, como em um canto rítmico, mas ele ainda está em boa forma, soando genuinamente enraivecido e perigoso. Ainda há mais um grupo de solos no meio, e uma união realmente intrínseca das linhas de guitarra no final. Esta é sem dúvidas uma das músicas mais desafiantes do SLAYER nos últimos tempos.

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"Beauty Through Order"
Temperamental, com um riff e uma estrutura bastante (eu digo bastante) similar à "Eyes of the Insane", do "Christ Illusion". Aquela música deu para eles um Grammy, então não seria surpreendente de ver esta girando novamente a roda, mas é praticamente uma re-gravação. Em torno dos 2 minutos e meio eles mudam e começam a tocar riffs e um solo que parece inspirado em "Reign in Blood" e "Seasons in the Abyss", quando Araya grita "God did not do this", várias vezes. Obviamente eles são o SLAYER e sempre serão, mas nesta música parece que eles estão se plagiarizando um pouco demais.

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"Hate Worldwide"
A segunda de duas músicas que eles lançaram para os fãs. É uma das músicas mais punk-rock do álbum, bem dura com em torno de 3 minutos, um solo barulhento de cada guitarrista e um refrão gracioso ("Let's spread a little hate worldwide"). O arquétipo do SLAYER, em outras palavras, mas sem soar como uma re-gravação.

"Public Display of Dismemberment"
Dave Lombardo toca rápido nesta música. Parecem ser as batidas mais rápidas desde "Silent Scream" do "South of Heaven". As letras são um pouco políticas, o que você não deve perceber pelo título. Quando está na hora do primeiro solo, uma ponte, as coisas ficam mais lentas. O segundo solo é de velocidade máxima. Esta é outra música curta - 2 minutos e meio - e deixará os fãs sem fôlego se/quando for tocada ao vivo.

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"Human Strain"
Se essa fosse uma música do CANNIBAL CORPSE, seria sobre alimentar as pessoas em uma espécie de coador, mas o "strain" que eles estão falando é um vírus. Apesar disso, não é uma re-composição de "Epidemic" do "Reign in Blood". É uma música relativamente lenta. Há uma parada legal no meio, com uma recitação falada de Araya com guitarras dissoantes no fundo, e algum canto limpo. Esta, juntamente com "Snuff" e "World Painted Blood", mostram que o SLAYER ainda tem um bom espaço para materiais originais.

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"Americon"
Outra música política, esta é baseada em um riff que soa como se eles estivessem guardado-o desde as sessões de "Diabolus in Musica". As guitarras vão em pedaladas que fazem eles soarem como o SLIPKNOT, e Lombardo toca com pancadas brutais. É uma música boa o bastante, mas soa menos do que você poderia esperar do SLAYER desde "Dead Skin Mask" do "Seasons in the Abyss" (minha música menos favorita do grupo). Não estou fazendo uma comparação direta entre as duas músicas - "Americon" não tem aquele refrão terrível - mas esta música destoa um pouco do resto do álbum.

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"Psychopathy Red"
Felizmente, eles vieram de volta com essa explosão punk-rock de puro ódio do SLAYER. Esta música poderia se encaixar perfeitamente no "Reign in Blood", e o produtor Fidelman capturou a vibração do ódio cego com perfeição. Os gritos de Araya soam positivamente enlouquecidos. Não é de se imaginar que esta música é uma sensação desde que foi lançada na internet no ano passado.

"Playing with Dolls"
Outra música que alude novamente ao "Christ Illusion", mas esta me lembra da música mais impressionante daquele álbum, "Jihad", então é algo muito bom. O primeiro minuto é lento e arrepiante, mas quando a bateria entra de verdade e as guitarras rítmicas começam a triturar, é uma história completamente diferente. Há alguns efeitos industriais sutis no fundo que adicionam hostilidade e alienação (quando eu digo sutil, digo sutil, não é nada tipo o FEAR FACTORY). E o solo de guitarra parece sair organicamente da música principal, uma raridade para o SLAYER.

"Not of This God"
A música final do álbum combina a velocidade e potência de "Unit 731" com uma ponte que explora os sons de "Americon" no estilo SLIPKNOTescos, só que um pouco melhor. É uma música bem moderna do SLAYER, combinando suas forças perenes com uma vontade de tentar algo novo, e isso te retira do álbum sem fôlego e com um coquetel de pura agressão que esses caras patentearam.

Veredito Final
Um monte de pessoas disseram que o SLAYER não era tão grande desde o "Seasons in the Abyss". Estas pessoas estão erradas. Os anos de Paul Bostaph tem muito para recomendarmos (o álbum "Diabolus in Musica" é seriamente subestimado), e "Christ Illusion" mostrou que o SLAYER pode experimentar um pouco de dissonância e melodia, e chutar seu próprio estilo de música e composição um nível acima quando eles quiserem. Os membros da banda deram um monte de entrevistas sobre como este álbum foi escrito no estúdio. Escutando ele, você não pode dizer. É realmente impressionante. Muito do "Death Magnetic" do METALLICA combinado com o thrash dos seus primeirs anos e o som do hard-rock de 1990. "World Painted Blood" se construiu em cima do sucesso de cada álbum do SLAYER antes dele. Não é um esforço para polir o legado da banda, é um passo no caminho de uma jornada. Altamente recomendado.

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Sobre Diego Camara

Nascido em São Paulo em 1987, Diego Camara é jornalista, radialista e blogueiro. Seu amor pelo metal e rock começou há 6 anos. Um amante da nova geração, é um grande fã de Arjen Lucassen, Andre Matos e bandas como Nightwish, Hammerfall, Sonata Arctica, Edguy e Kamelot. Também não deixa de ter amor pelos clássicos, como Helloween, Gamma Ray e Iron Maiden e do Rock de bandas como Oasis, Queen e Kings of Leon. Atualmente seus textos podem ser lidos no blog OCrepusculo.com sobre assuntos diversos, além de planos para criação de um projeto totalmente voltado aos blogs de Rock e Metal.

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