Engenheiros: "É difícil voltar com a formação clássica!"

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Por André Molina
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Matéria de 19/09/09. Quer matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?

O vocalista e compositor da banda gaúcha Engenheiros do Hawaii esteve em Curitiba entre os dias 09 e 11 de setembro para divulgar o “Pouca Vogal” (trabalho paralelo que mantém com Duca Leindecker, da banda Cidadão Quem). Na passagem pela capital paranaense, Humberto Gessinger fez um pocket show no shopping Palladium e se apresentou ao lado do seu parceiro na casa noturna Curitiba Master Hall, onde demonstrou entrosamento, executando novos arranjos para canções das duas bandas gaúchas.

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No Palladium, o músico expôs um pequeno repertório com 10 canções. Entre elas, músicas dos Engenheiros do Hawaii como “Eu que não amo você”, “A Montanha”, “Infinita Highway”, “Pose”, “Refrão de Bolero”, “Até o Fim” e “Tententender” do Pouca Vogal.

Antes de iniciar a intimista apresentação, Gessinger conversou com fãs sobre o novo trabalho, influências musicais e a banda que consagrou seu nome no cenário do rock brasileiro. Em seguida, participou de uma sessão de autógrafos nas Livrarias Curitiba.


Dificuldade em retomar a formação clássica

A respeito de seu antigo grupo, o músico declarou que dificilmente haverá uma reunião com a formação clássica. (composta também por Carlos Maltz e Augusto Licks). “Quando voltar com os Engenheiros, pretendo seguir com o mesmo pessoal. Não vi mais o Augustinho trabalhar com música. Não sei se seríamos a formação GLM (Gessinger, Licks e Maltz) de volta. Se unisse novamente John, Paul, Ringo e George também não seria o mesmo Beatles”, justificou.

Outro assunto sutilmente abordado por Humberto Gessinger foi a mudança de integrantes nos Engenheiros do Hawaii. Ele disse que a troca motiva a alteração de sua função no grupo. “Na próxima reencarnação quero ser músico e tocar o mesmo instrumento. Nesta vida não deu para fazer isso”, comentou.

Vale dizer que Humberto já trocou o baixo pela guitarra em diferentes fases da banda e vice-versa.


Pouca Vogal

Sobre o “Pouca Vogal”, Gessinger disse que não tem a intenção de gravar em CD as canções disponíveis no site da banda. Segundo ele, a proposta é expor as músicas para os fãs baixarem. “Não sei se o formato é adequado para fazer um CD. É difícil saber se as gravadoras se interessam, se é que elas ainda existam. Tenho orgulho dos anos 80, mas na época acho que não daria para fazer um trabalho como o Pouca Vogal”, disse.

Apesar de dizer que o projeto é mais simples que os anteriores, o compositor gaúcho afirmou que são visíveis suas influências e características musicais. “Eu gosto de mudar, mas existem elementos constantes em meu trabalho. Têm composições minhas que posso gravar no Pouca Vogal e outras que podia ter colocado no Longe Demais das Capitais (primeiro disco dos Engenheiros). Isso pode ser uma virtude ou um defeito. O que eu faço não mudou muito nesse tempo inteiro. Há uma diferença entre o que a gente quer e o que a gente pode”, afirmou.

A participação de Duca Leindecker no projeto também foi mencionada. Segundo Gessinger, o projeto não poderia acontecer com outra pessoa porque a aproximação entre os dois músicos foi natural. “Conheço ele há muito tempo. Coincidiu de nossas duas bandas darem um tempo e decidimos fazer este trabalho. É bom explorar o formato duo. Cada um toca diversos instrumentos. Podemos tocar viola caipira com as mãos e percussão com os pés”.


Engenheiros só em 2011

O Pouca Vogal satisfez tanto o líder dos Engenheiros que a banda deverá retornar somente em 2011. No próximo ano, o duo vai aproveitar para divulgar DVD que ainda será lançado. “Será difícil voltar com Engenheiros no ano que vem. Agora a dedicação é sobre o Pouca Vogal, que vai lançar um DVD”, afirma Gessinger.

Mudança dos arranjos originais

Gessinger também revelou porque altera tanto os arranjos originais das canções. Muitos fãs preferem as músicas como são gravadas nos discos. “Toda história da música mundial é baseada em uma mentira. A música nunca está pronta. Como é no disco é como ficou. Depois ela amadurece. Sempre é bom mudar. Não quero virar cover de mim mesmo, mas tem gente que prefere os arranjos originais. É natural a canção se transformar. Quem gosta do formato original, está gravado. Sempre vai existir. Todo o artista que fica muito tempo na estrada corre o risco de mudar bastante. Já ouvi bandas covers dos Engenheiros que tocam melhor do que a gente”, disse.

Influências

Quando o assunto é influência, Humberto afirma que não tem muita disposição para acompanhar novas bandas. Ele confessa que gosta de colecionar todos os discos de quem já admira há algum tempo. “É bacana acompanhar as fases de artistas. Não existem momentos de perfeição. Os trabalhos que não são aceitos acabam me agradando mais. Quando gosto de alguém faço coleção. Tenho tudo do Bob Dylan, Caetano e Gil. Ultimamente eu tenho olhado mais para uma direção regionalista. Luiz Gonzaga, Pena Branca e Xavantinho e música gaúcha. Isso é o que me emociona mais hoje em dia”, declara.


Música atual

Ao ser questionado sobre a música brasileira atual, o “engenheiro” afirma que não vê com muita simpatia o excesso de estilos que os cantores e bandas misturam. Ele considera que a união de muitos elementos distintos pode resultar em uma música artificial. “Hoje as pessoas misturam demais. É como misturar azul com vermelho e verde e acaba ficando cinza. A música está em um ambiente meio cinza”.

Sobre a diferença dos estilos de cada geração, Humberto acha que é normal o conflito. “Depois da gente veio Mamonas Assassinas e Raimundos, que beiravam o besteirol. Minha geração falava muito mal destes caras. É natural que uma fase que dá muita atenção a letra, dê mais prioridade ao profissionalismo musical. Cada geração dá importância ao que faltou na outra. O que faz a música brasileira é esta mistura”, acredita.

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Sobre André Molina

André Molina é jornalista, economista e começou a ouvir heavy metal ainda quando era criança. Tem 30 anos de idade e Rock 'n' Roll é sua religião.

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