Beatles: quadrinhos sobre a banda para download
Por Felipe Santos
Fonte: Arbitrio Livre
Postado em 21 de outubro de 2009
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A união de duas paixões: BEATLES e história em quadrinhos. O resultado é um história sobre a maior banda de todos os tempos baseada na folclórica morte de PAUL MCCARTNEY. A história chamada "Lonely Hearts", está disponível para download gratuito no blog www.rafael-senra.blogspot.com. O quadrinista Rafael Senra, autor do roteiro e da arte, que já concedeu uma entrevista para o video-release sobre a história, fala abaixo sobre seu trabalho.
Felipe Santos: O que te motivou a fazer essa história em quadrinhos sobre os BEATLES?
Rafael Senra: "Essa história une duas paixões minhas: BEATLES e histórias em quadrinhos. O primeiro roteiro que fiz pra ela data de abril de 2008, mas só agora resolvi desenhá-la".
FS: Porquê agora?
RS: "Por vários motivos: Além de um 'boom' de BEATLES que está rolando em todo o planeta, com o lançamento do jogo da banda e dos discos remasterizados, eu ando num pique de produção mais intenso, e acabei de publicar minha primeira revista impressa, chamada 'Ana Crônica'. E também anda rolando no Brasil um novo 'boom' de quadrinhos, que é muito positivo. Então, tudo isso me motivou a, finalmente, desenhar esse velho roteiro que eu tinha".
FS: Fale um pouco sobre o enredo.
RS: "Baseado na lenda da morte de PAUL MCCARTNEY, a famosa história 'Paul is Dead', misturo referências reais a esse respeito com algumas viagens minhas. Elementos que vão desde, por exemplo, uma explicação fictícia que criei sobre a origem do nome 'SGT. PEPPERS'; até referências reais, como uma menção a Lizzy Bravo, amiga brasileira dos BEATLES, que gravou o coro da música 'Across the Universe' com eles".
FS: Quando você lançou a revista, e como está sendo a repercussão?
RS: "Lancei domingo agora, 18 de outubro, e está sendo muito legal. Com divulgação espontânea pela internet, vários leitores já acessaram e estão comentando. Alguns inclusive estão me sugerindo excelentes idéias para novas histórias! Consigo atingir pela internet uma gama muito significativa de leitores, algo que em mídia impressa (e sem editora) talvez não conseguiria".
FS: Você disponibilizou a revista gratuitamente no seu blog. Não pensa em fazer uma versão impressa, ou tentar ganhar dinheiro de alguma forma?
RS: "Ganhar dinheiro com quadrinhos no Brasil é algo meio complicado. Pra piorar, como fiz a história colorida, fazê-la impressa sairia meio caro. Acabei colocando na internet mesmo, porque muito além de uma mera excentricidade da minha parte, acabo divulgando meu trabalho e fazendo novos contatos. Isso é mais importante pra mim agora, neste momento, do que tentar ganhar dinheiro com quadrinhos".
FS: Além dos quadrinhos, o que mais você faz?
RS: "Sou graduado em letras pela Universidade Federal de São João Del Rei, e lá também estou fazendo mestrado em letras. Por sinal, pesquisando música: a identidade mineira no movimento do Clube da Esquina, outra grande paixão minha".
FS: Como é fazer quadrinhos no Brasil, um país em que a leitura não é um hábito tão presente na vida das pessoas?
RS: "Algo que eu estou sentindo agora que lancei também minha revista impressa, é que as pessoas não estão acostumadas com quadrinhos que não sejam só 'turma da Mônica'. Eu adoro as histórias do Maurício de Souza, mas tem muitas outras coisas legais que as pessoas desconhecem, como a série '10 Paezinhos' dos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá, por exemplo.
Quando mostro minha HQ (história em quadrinhos) impressa pras pessoas, elas afirmam gostar bastante, mas eu sinto que elas manifestam um certo estranhamento, porque é algo que, como você bem disse Felipe, não é presente na vida das pessoas. Um exemplo, por alto: fiz um curso com uma roteirista de HQ espanhola, chamada Teresa Valero, e ela diz como em países que sofreram com a ditadura, como Espanha, Portugal e países da América Latina, os quadrinhos não tem tanta inserção cultural como a que ocorre na França ou nos Estados Unidos.
No Brasil pré-ditadura militar, as pessoas estudavam música na escola, freqüentavam cinemas, teatros, e os quadrinhos considerados 'fracassados' vendiam mais que os mais vendidos da nossa época. Se bem que temos que considerar que novas mídias ocupam o espaço do entretenimento, como videogames, internet, e outras tecnologias. Enfim, a questão gera pano pra manga!"
FS: Ainda sobre essa história dos BEATLES, "Lonely Hearts", você sente uma receptividade maior vinda dos fãs de quadrinhos, ou dos fãs de BEATLES?
RS: "De ambas as partes... Quadrinhos são uma arte demorada, mas quando se leva a sério, as pessoas percebem, mesmo que não sejam leitores de longa data. Por isso a receptividade legal que a história tá gerando, não só de fãs de quadrinhos, mas também da música, me deixa super feliz".
FS: Quer dizer algo para concluir?
RS: "Uma coisa que me vêm a mente é que esse negócio de cruzamento de mídias é algo que considero ser interessante. Um exemplo: A HQ 'Umbrella Academy', escrita pelo vocalista da banda MY CHEMICAL ROMANCE Gerard Way, ganhadora do prêmio Eisner (o "Oscar" dos quadrinhos) não só fez os fãs de quadrinhos prestarem mais atenção em música, mas também o contrário, fãs de música começaram a ler quadrinhos. Esse casamento entre mídias diferentes não é novidade, mas é uma característica que anda se acentuando nesse início do século XXI, e promete ser uma saída interessante para alguns paradoxos e algumas questões no mundo do entretenimento.
No mais, queria agradecer o apoio e carinho das pessoas que estão mandando mensagens e lendo a revista. Espero que vocês gostem. E quem quiser ajudar a divulgar, agradeço desde já (With a Little Help From my Friends!!).
Felipe Santos é jornalista, assessor de imprensa e repórter da Rádio Globo.
Email: [email protected]
Blog: http://arbitriolivre.blogspot.com/
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