Megadeth: Jimmy Degrasso lembra sua passagem pela banda
Por Thiago Coutinho
Fonte: Metal-Rules.com
Postado em 23 de janeiro de 2010
Marko Syrjala, do site MetalRules.com, conduziu uma longa entrevista com o baterista Jimmy DeGrasso (ALICE COOPER, F5, MEGADETH, SUICIDAL TENDENCIES, Y&T). O músico falou sobre sua longeva carreira, incluindo sua passagem pelo MEGADETH, quando gravou o álbum "Risk". Confira os principais excertos do bate-papo logo a seguir.
MetalRules — Seu primeiro álbum com o MEGADETH foi o "Risk". De algum modo, é um álbum estranho, alguns fãs odeiam outros amam. Qual sua opinião sobre este trabalho?
DeGrasso — Sim, é um trabalho estranho. É um bom álbum, mas é diferente. As pessoas que conheço na América que gostaram deste álbum são aquelas que não gostavam do MEGADETH, uma vez que este é um álbum mais pop. Algumas das músicas... eles gostam dessa vertente mais melódica. São pessoas que nunca ouviram falar do MEGADETH, pessoas que nunca compraram seus primeiros trabalhos. Elas então compraram o "Risk". Mas os velhos fãs queriam ouvir "Holy Wars" em todos os álbuns, esses não gostaram de "Risk". Mas você não pode agradar a todos. Mas foi algo diferente. Quando me juntei à banda, eles queriam tentar algo completamente diferente. Foi ideia deles, pessoalmente eu queria fazer algo mais pesado. Foi por essa razão que juntei ao grupo, mas eu não seria o responsável a dizer isso para os outros três. Eles queriam tentar algo diferente e quem seria eu para lhes dizer o que fazer, entende o que quero dizer?
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MetalRules — O que você diria aos fãs mais antigos que continuam a dizer que foi parcialmente por sua culpa que a banda decidiu mudar a direção tão radicalmente?
DeGrasso — Não. Acredite em mim, não foi minha culpa, definitivamente. Foram alguns caras na banda. Não apenas uma pessoa, mas os empresários, todo mundo, não apenas eu. Eu queria fazer um álbum completamente voltado ao thrash metal e todos sabiam disso. Diria até que há algumas canções pesadas no álbum, mas são lentas. Também é um trabalho bem ‘dark’, não é totalmente rápido, aquele típico som que você está acostumado a ouvir, mas algumas músicas são bem pesadas, sim.
MetalRules — Concordo com você. Por exemplo, "Prince of Darkness" definitivamente é uma canção pesada, com uma letra bem ‘dark’.
DeGrasso — Sim, exatamente. "Prince of Darkness" e "The Doctor Is Calling" e todo aquele material. Não é um material voltado ao thrash metal, mas acho que é um bom álbum. Acho que todos fizeram um bom trabalho e todos os caras na banda tocaram muito bem.
MetalRules — Marty Friedman decidiu deixar a banda logo após este álbum. Na sua opinião, o quão importante Marty foi para a banda até aquele ponto?
DeGrasso — Bem, você sabe, o som de guitarra de Marty era realmente a assinatura da banda, sem quaisquer dúvidas. Marty é um guitarrista incrível, eu teria preferido que ele não tivesse saído da banda. Eu não queria que ele saísse e lhe disse isso. Mas ele chegou a um ponto em que precisava mudar o que estava fazendo, e eu o respeito muito por isso. Uma banda é como um casamento, entende? Algumas vezes as pessoas não ficam juntas para sempre e algumas pessoas têm que mudar ou apenas ir embora, ou são problemas com a banda, algo nesse sentido. Marty é demais e cheguei a fazer uma turnê com ele algum tempo atrás. Cheguei inclusive a trocar uns e-mails com ele e estamos tentando nos juntar para gravarmos alguma coisa. Ele queria que nos encontrássemos em Los Angeles em outubro último para algumas gravações, mas acabou não rolando porque ele não conseguiu sair do Japão e eu tive que voltar à Europa, talvez nos próximos meses faremos algo. Não sei exatamente o quê, mas espero vê-lo logo. Sempre gostei dele. Ele é um cara muito legal.
MetalRules — Quando Marty saiu, Al Pitrelli (SAVATAGE, ALICE COOPER) foi o escolhido para substituí-lo. Isso rolou bem no meio da turnê de "Risk". Então vocês gravaram o álbum seguinte, que foi "The World Needs A Hero", que foi algo mais voltado às raízes da banda. Você concorda com isso?
DeGrasso — Quando fizemos o "Risk", pensamos que agora já tínhamos nosso álbum pop. Então pensamos: "vamos fazer algo mais pesado". Apenas entramos em estúdio e o compusemos em algumas semanas. E Al entreou na banda e fez um ótimo trabalho. Ele foi muito prestativo, houve muitas partes de guitarra que foram de sua total influência. Ele é bem diferente do Marty. Ele tem um lado blues mais acentuado do que o Marty. O Marty pode tocar praticamente tudo, mas tem uma pegada diferente. É difícil de explicar de onde ele vem, nem eu mesmo sei como dizer. Definitivamente, Al é um guitarrista diferente e fez um ótimo trabalho. Ele chegou e em três ou quatro dias teve que aprender todo nosso repertório ao vivo, chegou e já saiu em turnê. Jogamos muita coisa nele rapidamente. Ele foi uma grande adição e acho que o único cara que podia ter entrado e aprendido tudo aquilo em tão pouco tempo, e estávamos no meio de uma turnê. Sequer tivemos uma parada. Ele apenas chegou e aprendeu aquele material todo. Lembro-me de vê-lo à noite sentado no ônibus, lá atrás, e só praticando. Ele sequer dormiu por alguns dias porque ficava praticando o tempo todo. [risos]
Para ler a entrevista na íntegra, em inglês, clique no link abaixo.
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