Rock em Análise: uma noite de rock em Salvador

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Por Fábio Cavalcanti, Fonte: Rock em Análise
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Tudo começou como mais um "sabadão" quente em Salvador City, a famosa "Terra do Axé". A princípio, o dia 05/02/2011 seria marcado apenas pelo encerramento do Festival de Verão - conhecido pelos roqueiros como um pré-carnaval, devido à grande quantidade de bandas de axé e pagode em seu "cast". Porém, a galera do rock tinha uma alternativa neste dia: a balada Rock Atômica, capitaneada por três novas bandas de rock da própria terrinha.

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Enquanto o Festival de Verão "bombava" no Parque de Exposições, com a "belíssima" abertura do Restart, um grupo de roqueiros se concentrava no Espaço Verde, localizado no longínquo bairro de Itapuã. Conhecido por trazer bandas de reggae, pop e mpb, o pseudo-ecológico Espaço Verde começou a apostar no rock, especialmente ao permitir a "entrada" da banda Batrákia, uma das revelações do hard rock "old school" baiano.

A banda de pop/rock Mensageiros do Vento se encarregou da abertura, com um show incrivelmente "redondo" e perfeccionista, porém morno. A indie rock Nenhum dos 3 (WTF?) animou um pouco mais, com o seu som mais espontâneo, mas deixou a desejar na execução das músicas, em uma performance que marcou negativamente o nome do grupo. De qualquer forma, a considerar pela forte presença de 'glam rockers', 'hards' e metaleiros em geral, sabíamos qual seria o ponto alto da noite: a Batrákia!

O momento do quinteto tinha chegado. Desde o visual inusitado do público e dos integrantes, passando pela preparação de um pequeno 'set' de pirotecnia no palco, era notável o aumento de tensão entre os donos da casa, que pareciam cada vez mais arrependidos de permitir a entrada daquela "turma" em seu "lar".

Às 21:30, quando a banda estava prestes a iniciar o show, eis que a dona do local, uma senhora de idade, resolve apresentar o grupo, tecendo belos elogios à (suposta) legião de roqueiros "do bem" que ali se encontravam. Ironicamente, enquanto fazia seu discurso, essa adorável senhora se mostrava trêmula e assustada, como se estivesse prestes a levar um tiro daquele cara que vestia uma jaqueta do Lizzy Borden...

Finalmente, a banda inicia o seu show, com um cover do clássico "Love Ain't No Stranger", do Whitesnake. O público gritou, pulou e dançou como se não houvesse amanhã, exatamente da forma como o rock 'n' roll deve ser curtido! Claro que, levando em conta a falta de alternativas para metaleiros, alguns deles se concentraram no local, e aproveitaram para curtir o show a seu modo: "bangueando"! Se o Capitão Nascimento estivesse no local, certamente diria: "isso vai dar merda..."

Felizmente, ao contrário do que muita gente esperaria, os metaleiros fizeram suas rodinhas de forma moderada, sem causar qualquer dano ao local. Mas, se você é um roqueiro de longa data, pode deduzir logo que isso não adiantou nada. Exatamente às 22:00, um dos donos da casa interrompeu a apresentação, dizendo que a Lei do Silêncio estava em vigor - um inconveniente que não havia afetado nenhuma apresentação de reggae ou de pop no mesmo local, diga-se de passagem. Papo furado!

Pra piorar, um dos membros da Batrákia, explodindo de tanta raiva, resolveu discursar em favor da casa de shows. Ao soltar frases cortantes como "Vocês estão sujando o cenário rock de Salvador", era possível notar um músico prestes a se render a qualquer som que lhe mandassem tocar, tudo em nome da moral e dos bons costumes que os conservadores donos do local esperavam daquele público. Se existe um deus do rock 'n' roll, este foi o momento em que ele chorou...

Tá certo que o Espaço Verde acolheu a banda de braços abertos, mas isso não significa que o artista deve abrir mão da sua personalidade, muito menos da adorável imprevisibilidade - e até o excitante perigo - do seu rock 'n' roll. Seja como for, a Batrákia ganhou a chance de tocar mais duas músicas do seu 'set': a manjadíssima "Sweet Child O' Mine" (Guns N' Roses) e a incrível "Whole Lotta Rosie" (AC/DC), que fechou a curta apresentação com chave de ouro.

Se ainda havia um restinho de espírito rock 'n' roll naquele local, pode-se dizer que o mesmo veio à tona no final do show, visto que o público aproveitou a brecha da "lei do silêncio" para satisfazer sua fome de rock, cantando a plenos pulmões, mostrando que o rock veio pra ficar, e que, como diz a música do Twisted Sister, "we're not gonna take it"!

Durante o encerramento, regado a modestos fogos de artifício, podemos dizer que o deus do rock 'n' roll sorriu novamente...




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Sobre Fábio Cavalcanti

Baiano, sempre morou em Salvador. Trabalha na área de Informática e ¨brinca¨ na bateria em momentos vagos, sem maiores pretensões. Além disso, procura conhecer novas - e antigas - bandas dos mais variados subgêneros do rock. Por fim, luta para divulgar, sempre que possível, o pouco conhecido cenário rocker da tão sofrida ¨Terra do Axé¨.

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