Almah: Felipe Andreoli comenta saída da banda
Postado em 24 de maio de 2012
A seguinte nota foi publicada no site oficial do baixista Felipe Andreoli.
Felipe deixa o Almah/Edu sai do Angra
Hoje é dia de tomar uma decisão muito difícil, uma das mais difíceis da minha carreira: estou deixando o Almah. Pra dar uma perspectiva, vou contar uma historinha bem resumida: entrei na banda em 2007, um tempo em que havia muita incerteza sobre o futuro do Angra. Edu, Aquiles, Fábio e eu nos juntamos na suposta certeza de que queríamos seguir juntos. Na época o Edu já havia gravado um primeiro disco do Almah, e abriu as portas para que nós entrássemos e fizéssemos parte do que então era apenas um projeto. Muita água rolou, e logo ficou claro que não havia um acordo com Aquiles e Fábio em relação aos planos para o futuro, e a banda mudou de formação, com a entrada de Marcelo Barbosa, Marcelo Moreira e Paulo Schroeber. Com essa formação fizemos dois discos que eu simplesmente adoro, rodamos diversas cidades do Brasil, fomos ao Japão divulgar o trabalho, e sempre fizemos tudo com as nossas próprias mãos, desde a parte musical até a parte burocrática e financeira. O projeto já não era mais apenas isso, mas uma banda propriamente dita. Mesmo as dificuldades impostas pela distância física entre nós foram sempre superadas em nome do bem maior, que era o Almah. Assim foi, e é, até hoje.
Eu comecei a tocar com o Edu em 2001, quando entrei no Angra. Conquistamos coisas fantásticas, conhecemos o mundo juntos, passamos pelas melhores e piores coisas que se possa imaginar juntos. Uma grande amizade floresceu, e com ela uma união, uma sintonia. Com o passar dos anos, essa amizade sobreviveu às mais diversas situações, mas como toda relação, sofreu um desgaste inevitável. Os fatos não vêm ao caso agora. Hoje são 11 anos tocando juntos, construindo uma história da qual tenho muito orgulho, mas essa história tem um fim, pelo menos nesse momento. É hora de cada um de nós seguir trabalhando da maneira que julga ser a mais correta, o que nos coloca fatalmente em caminhos separados. O Almah nasceu do Edu, é seu filho e, em minha opinião, sua maior criação. Tenho certeza de que contribuí muito para que a banda crescesse e se desenvolvesse, e empenhei demais pra isso. Mas a minha filosofia de trabalho e vida hoje já não permitem mais que eu continue.
O legado do Almah na minha vida vai ser sempre a amizade, o clima bom, e a música fantástica que fizemos. E é justamente por querer preservar essas boas memórias que sinto que é hora de ir. Aos meus amigos, toda a sorte do mundo! Tenham certeza de que podem contar sempre comigo.
No mesmo momento vem à tona a saída do Edu do Angra. Muito aconteceu nos últimos anos, e especialmente nos últimos meses, culminando no dia de hoje. É um dia muito triste, de mudanças profundas em nossas carreiras, mas ao mesmo tempo é o início de uma necessária e bem-vinda renovação. A vida acontece em ciclos, e creio ser um erro se ater ao passado e impedir que novos rumos sejam trilhados. A música enquanto arte depende muito de paixão, de uma dedicação quase doentia, e de um bom clima para ser criada. Sendo assim, faz todo sentido que, quando isso não aconteça mais, talvez seja hora de parar e buscar caminhos diferentes, mesmo que naquele momento tudo pareça nebuloso, incerto. Para um grande talento sempre vai existir um caminho. Obrigado, Edu, pelos anos que passamos juntos!
No momento tudo o que quero é seguir com o Angra e os demais projetos de que participo, dando aulas, produzindo discos, e nunca deixando de fazer música.
Angra: a saída de Edu Falaschi
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