Apple: entenda como ela destrói a qualidade do que você ouve
Por Nacho Belgrande
Fonte: Playa Del Nacho
Postado em 27 de novembro de 2013
do DIGITAL MUSIC NEWS, em matéria de novembro de 2013
A ‘Guerra do Barulho’ [ou ‘Guerra da Amplitude’, num termo mais técnico, do inglês ‘The Loudness Wars’] é para a música um assunto meio que como o aquecimento global é para os ambientalistas. O problema fica cada vez pior a cada ano, mas muito pouca gente tem real poder para mudá-lo. Mas e se a GM parasse de vender carros movidos à gasolina amanhã, ou toda a cidade de Los Angeles proibisse a venda de produtos plásticos semana que vem?
Isso é meio que como o que está acontecendo na iTunes Radio, graças a uma inacreditável determinação técnica adotada pela Apple. "A debilitante guerra do barulho foi finalmente vencida", disse o engenheiro de masterização BOB KATZ ousadamente na convenção da Audio Engineering Society [AES] em Nova Iorque no começo do mês de novembro depois de uma meticulosa bateria de testes.
"A última batalha terá terminado no meio de 2014."
Basicamente, a ‘Guerra do Barulho’ se refere à gradual erosão dos contrastes dinâmicos suaves e altos na música gravada ao longo dos anos, graças a um esforço organizado para derrubar a faixa dinâmica de uma gravação/música, assim como maximizar o impacto do volume. Tal tratamento afeta [e é motivado por] todas as formas de rádio, downloads, streams, e por muitas vezes, canais metálicos como televisores. O resultado é uma faixa dinâmica menor, mas muito mais ‘barulho’ em cada minuto da música, uma tendência que supostamente mantém os ouvintes mais concentrados no conteúdo que estão ouvindo, mas que também leva a muita porcaria.
De acordo com Katz, a proposta divisora de águas da Apple é algo chamado de algoritmo ‘Sound Check’, que, propositalmente, delimita o tratamento tudo no máximo, o tempo todo. Ao invés disso, a iTunes Radio quer criar níveis de saída de volume mais normalizadas e previsíveis. O mais importante: o algoritmo Sound Check NÃO PODE ser desativado.
Katz mediu especificamente os níveis de saída de várias rádios, e concluiu que a amplitude de cada estação tinha em média -16.5LUFS, geralmente a 1.5dB. "Eu acabei de completar as medições de amplitude da iTunes Radio usando o iTunes versão 11.1.1", respaldou Katz. "Os níveis de áudio da iTunes Radio são completamente regulados, todos fazendo uso do algoritmo Sound Check da Apple."
Mas a música que é tocada pela Apple gravada e masterizada ANTERIORMENTE? Não é bem assim: de modo a domar a fera da altura/amplitude no toco, a Apple está tomando medidas no estágio do playback do iTunes Radio. "A única maneira de se reverter o processo no momento é conseguir com que cada produtor e engenheiro de masterização pergunte a seus clientes se eles já ouviram a iTunes Radio", continuou Katz. "Quando a resposta for afirmativa, o engenheiro/produtor diz a eles que eles precisam abaixar o nível das músicas deles para o nivelamento padrão ou a iTunes Radio o fará por eles – e nem sempre de um modo agradável."
"A iTunes Radio não vai simplesmente ‘baixar o volume’, mas pode limitar os – importantes – picos de transição do material e fazer com que a música soe ‘menor’ e menos clara do que nas mídias competidoras."
O [serviço de música por streaming on demand] Pandora não está fazendo isso, mas até aí, a iTunes Radio já tem um terço do tamanho do Pandora. De acordo com os anúncios feitos pela Apple no começo desse mês, a iTunes Radio agora possui 20 milhões de usuários registrados, com mais de um bilhão de músicas executadas depois de apenas um mês desde o lançamento do serviço. No ano que vem, a iTunes Radio poderia muito bem ser a líder do mercado.
O que significa muito poder na influência sobre a amplitude da música que se ouve no planeta todo.
"Haverá um pouco de resistência, mas a principal batalha acaba de ser vencida. Produtores, engenheiros e músicos vão acabar descobrindo isso por si próprios, mas os jornalistas e produtores podem acelerar o término da guerra, a começar por agora."
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