Vinil: demanda por discos novos nos EUA já suplanta produção

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Por Nacho Belgrande, Fonte: Playa Del Nacho
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Por JAY FITGERALD para o Boston Globe

Haja ou que houver, não jogue aquelas pilhas de antigos discos de vinil enfurnados na sua garagem no lixo.

Acredite ou não, os discos de vinil com os quais a geração pós-guerra cresceu estão ganhando força de novo, e muitas gravadoras prensam edições novas de todos os gêneros de música, desde o trabalho de bandas dos anos 60, até banda indie contemporâneas cujos membros jovens acham que é legal poder dizer que foram ‘lançados em vinil’.

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Obviamente, não há chance nenhuma que o vinil suplante a música digital nos iPods, smartphones e laptops, mas a demanda tem sido forte o suficiente para que as grandes empresas de eletrônicos, como a Sony e a Ion Audio, começassem a fabricar toca-discos de novo.

E talvez a melhor novidade para aqueles com pilhas de LPs guardadas: muitos dos toca-discos modernos agora possuem portas USB que permitem que as pessoas convertam seus discos antigos para formatos digitais.

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Além de portas USB, alguns toca-discos modernos também tem mini-alto falantes de alta qualidade embutidos de modo que as pessoas possam ouvi-los de imediato, sem ter que conectar o aparelho a um sistema de som antigo e/ou caixas de som.

"O vinil teve seus altos e baixos, mas as pessoas continuam o consumindo", disse Reed Lappin, coproprietário da In Your Ear, uma loja de discos usados na avenida Commonwealth, em Boston, e na rua Mount Auburn, em Cambridge.

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REED LAPPIN DA IN YOUR EAR RECORDS
REED LAPPIN DA IN YOUR EAR RECORDS

Lappin, de 59 anos, nunca perdeu sua fé nos discos de vinil – tampouco nos toca-discos e aparelhos de reprodução fonográfica. Suas lojas não vendem nada além de LPs, CDs e DVDs – e até cartuchos de 8 pistas – usados.

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O que você quiser, Lappin tem. Beatles, Rolling Stones, Led Zeppelin, Bruce Springsteen, música clássica, jazz, blues – tudo em LPs usados, armazenados em sua jaqueta plástica original. A In Your Ear de Boston tem pilhas de equipamento de áudio empoeirado e toca-discos à venda.

Recentemente, Kelsey Borovinsky, estudante de 19 anos da Universidade de Boston, estava de plantão na In Your Ear para um artigo que ela estava escrevendo para o BU Central, um blog de entretenimento feito para os estudantes da BU, sobre o ressurgimento do vinil.

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"Muitos estudantes estão comprando mais discos de vinil", ela disse. "Algo simplesmente soa diferente quando é em vinil. Você tem que sentar e ouvir. Você não está andando por aí com fones de ouvido e escutando ao mesmo tempo. Você está sentado, e você apenas ouve."

E não são apenas lojas de discos usados que estão vivenciando essa tendência de volta aos LPs.

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As 28 lojas da Newbury Comics agora vendem LPs, incluindo aí gravações relançadas de AL Green, Talking Heads, Black Keys, Bon Iver, Deltron 3030, e outros. Esses discos de vinil foram prensados exclusivamente para a Newbury Comics pelas gravadoras, incluindo a Warner Brothers. Os preços no varejo variam de 17.99 – 29.99 dólares por disco.

Graças à popularidade da oferta de LPs relançados, a Newbury Comics tem assinado contratos com gravadoras para mais 10 lançamentos, disse Carl Mello, o comprador sênior da Newbury Comics, que ainda usa seu toca-discos Sony de 20 anos de idade em casa.

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Apesar de ainda ser um negócio ‘limitado’, Mello disse que os discos de vinil representam menos de 3 por cento do faturamento da empresa, o que garante a venda de toca-discos novos nas lojas da Newbury Comics.

Construídos pela Crosley Radio em Kentucky, os novos toca-discos saem por de 100 a 150 dólares cada. Um deles é o Crosley Cruiser, um player portátil em uma caixa estilo retro, com falantes embutidos e que só pode ser encomendado online por até 79.95. A empresa também vende aparelhos que parecem rádios de madeira dos anos 30.

Uma porta-voz da Crosley Radio limitou-se a dizer que as vendas de toca-discos tem passado por um significativo aumento nos últimos anos.

Outros fabricantes também estão lançando novos modelos de toca-discos, geralmente com portas USB para transformar os LPs em arquivos digitais: a Audio Technica e seu modelo AT-LP60USB, o OS-LX300 da Sony e a ION Profile.

Claro, você pode comprar um toca-discos usado do tempo em que, bem, do tempo em que você era jovem. Toca-discos usados – sem portas USB – valem de 40 a 125 dólares na In Your Ear.

Há mais do que mera nostalgia envolvida nisso tudo.

Muitas das bandas jovens de hoje querem gravar em vinil tanto por causa da popularidade do retro como pelo prestígio associado ao fato de se ter um álbum em LP, disse Tom Chiari, cuja loja, a Run For Cover Records, em Allston, é gravadora e agência para bandas pequenas do Leste dos EUA.

Até recentemente, um disco novo de vinil só poderia ser prensado e entregue em cerca de um mês. "Mas agora leva mais tempo, mais meses, por causa da popularidade do vinil", disse Chiari, 28 anos.

Isso é música para os ouvidos de pessoas como Chad Kassem, 51 anos, proprietário da Acoustic Sounds Inc. no Kansas, onde sua empresa e suas subsidiárias possuem um estúdio de gravação e quatro prensas de vinil.

Sua empresa, que prensa quase um milhão de discos de vinil por ano, fabrica LPs para grandes gravadoras, incluindo álbuns relançados do porte de artistas de Jimi Hendrix e Eric Clapton.

"Sim, cara, com certeza está voltando", disse Kassem a respeito dos LPs. "Está acontecendo. Mesmo as grandes gravadoras estão finalmente voltando aos LPs. Algumas pessoas dizem que é apenas uma febre. Mas eu sempre sento que os LPs sobreviveriam – e eles sobreviveram."

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Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande foi desde 2004 um dos colaboradores mais lidos do Whiplash.Net. Faleceu no dia 2 de novembro de 2016, vítima de um infarte fulminante. Era extremamente reservado e poucos o conheciam pessoalmente. Estes poucos invariavelmente comentam o quanto era uma pessoa encantadora, ao contrário da persona irascível que encarnou na Internet para irritar tantos mas divertir tantos mais. Por este motivo muitos nunca acreditarão em sua morte. Ele ficaria feliz em saber que até sua morte foi motivo de discórdia e teorias conspiratórias. Mandou bem até o final, Nacho! Valeu! :-)

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