Vinil: retomada é sustentada pelos hipsters, aponta jornalista
Por Nacho Belgrande
Fonte: Playa Del Nacho
Postado em 05 de maio de 2014
A marcha da inovação propulsiona a capacidade tecnológica que alavanca níveis outrora considerados inatingíveis, produzindo novas criações que melhoram nossas vidas e comunidades. Contudo, mesmo os mais aficionados por tecnologia entre nós por vezes fica nostálgico lembrando dos dias em que todos os produtos eram tangíveis. Fotografias de família existem majoritariamente em nossos telefones. Blocos de papel estão desaparecendo. Até mesmo calendários de parede com suas adoráveis fotos de gatos são vistos cada vez menos [ok, esses até persistem, mas calendários de bolso já se foram]. Talvez o lento dissipar desses itens icônicos seja o que explique o Record Store Day.

O evento foi um tipo de celebração de retomada, criado em 2007 por artistas, consumidores e donos de lojas independentes de discos que se uniram por volta da mesma época que as vendas de música online estavam superando as desses varejistas. Naquele período, parecia que os discos seriam riscados do mapa, algo que os mais puristas veem como um esforço final para assegurar mais lucros para a indústria musical. Desde os cartuchos de 8 pistas até as fitas cassete, passando por fitas digitais, Compact Discs e MP3, as gravadoras têm nos dito como e quando ouvir algo. Eles então nos forçaram a comprar todos nossos discos antigos em novos formatos.
Interessado em ver o Record Store Day de perto, eu dei uma passada na Tres Gatos em Jamaica Plain, uma das mais ou menos doze participantes na área de Boston. O que eu esperava achar era uns tiozões procurando arrebatar o relançamento de Joan Baez ou dos Everly Brothers. Ao invés disso, eu me deparei com a febre dos discos. O lugar estava lotado de hipsters de 20 e poucos anos ávidos por vinil. Muitos deles chegaram antes da loja abrir, ficando em uma fila que dava volta no quarteirão.

Uma das pessoas com as quais eu conversei foi o residente de Jamais Plan Max Nagel, de 21 anos, que comprou uma compilação do selo independente Father/Daughter, uma das únicas 500 cópias lançadas especialmente para a data. Ironicamente, quando Max nasceu, os discos estavam sendo descartados, enquanto novos lançamentos como "The Hits/The B-Sides" de Prince, eram lançados em Compact Disc, e não em vinil, uma tendência que só aumentaria anos noventa adentro.
Ainda assim ele pagava de viciado em vinil, me dizendo que os LPs simplesmente soam melhor do que música baixada. Ele não era o único a pensar de tal modo. Riley Berry, 24 anos, me disse que seus pais a criaram com vinil, acrescentando ainda que, ao contrário dos downloads, um disco pode ser segurado em suas mãos, enquanto ela orgulhosamente ostentava a trilha sonora do filme "O Primeiro Ano Do Resto de Nossas Vidas" que ela tinha acabado de comprar. Seu amigo, Seth Cannon, de 25 anos, que trabalha na Whole Foods, lembra-se do sopro de cheiro de disco que ele inalava toda vez que abria o armarinho na casa de sua família em Bridgewater, onde ele cresceu.
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Seja por nostalgia, melhor qualidade sonora, ou simplesmente por um módico sentimento de controle, parece que o movimento do vinil está dando certo, e as grandes gravadoras estão prestando atenção. De acordo com o site Statistica, as vendas de LPs subiram 250 por cento desde 2002, enquanto todas as outras mídias fonográficas, incluindo o download, decresceram ano passado.
Ironicamente, o fenômeno que propulsionou esse frenesi – a inovação tecnológica – agora fechou a mandala. As mesmas ferramentas que fizeram do iTunes algo amplamente bem-sucedido agora libertam tanto os artistas como os consumidores para superá-lo juntos. Um crescente número de artistas está lançando material por si próprio, e em alguns casos, de graça. Mas uma coisa parece certa: depois de 113 anos em circulação, o disco parece ter chegado para ficar – pelo menos por enquanto.

por MIKE ROSS para o THE GLOBE
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