Não se iluda, há muito o Metallica não se importa com os fãs
Por Nacho Belgrande
Fonte: Playa Del Nacho
Postado em 27 de novembro de 2014
Texto original por Paul Brannigan, coautor [junto com Ian Winwood) de Birth School Metallica Death: 1983 – 1991. O segundo volume da história da banda, Into The Black: The Inside Story Of Metallica, 1991 – 2014, foi lançado nos EUA em 2014.
O grande filósofo e estadista estadunidense Benjamin Franklin escreveu certa vez, "nesse mundo, nada é certo, exceto pela morte e impostos". Pois pode mudar pra "morte, impostos e o METALLICA em turnê pela Europa durante o verão". O anúncio feito ontem que as bestas do metal de São Francisco irão encabeçar os festivais de Reading e Leeds em agosto era até certo ponto inevitável. O Metallica tem visitado essas praias em 13 dos últimos 14 verões, eles tocaram tanto em Glastonbury como no Sonisphere esse ano e com o Download Festival já tendo seus três headliners definidos, a decisão de retornar ao evento que eles encabeçaram pela última vez em 2008 segue uma lógica bem clara para a banda.
Mas então por que é que os fãs de metal do Reino Unido estão putos de novo com o quarteto? Bem, o ultraje parece ser baseado em duas questões distintas: a] pelo segundo verão seguido, o Metallica escolheu um festival ‘não metal’ no Reino Unido, traindo assim seu séquito de fãs e b] esse compromisso de estar em turnê por mais um verão irá, inevitavelmente significar que a espera por um novo álbum do Metallica irá continuar, o que representaria, hm, uma traição a seus fãs. Os filhos duma puta! Os filhos de uma puta sem alma, desalmados!
Agora, pensando racionalmente, o primeiro argumento meio que não se sustenta. Sim, o Metallica escolheu tocar em Glastonbury no verão passado, para ouvir gritos previsíveis e não totalmente irracionais de angústia dos mais sensíveis fãs de música do mundo, mas ao fecharem o Sonisphere 2014 eles também proveram a qualquer pessoa se sentindo desamparada a oportunidade de vê-los em seu habitat natural. E ainda assim, havia literalmente MILHARES DE INGRESSOS não-vendidos para aquele evento em particular até a manhã do dia 6 de julho.
O segundo argumento é mais consistente. Seis anos se passaram desde o lançamento do último álbum propriamente dito do Metallica, "Death Magnetic", e nesses anos, pareceu, por muitas vezes, que o quarteto preferia fazer qualquer coisa a ter que se comprometer com uma nova empreitada de estúdio. Nos primeiros cinco anos como artistas fonográficos, a banda tascou quarto álbuns clássicos absolutos que ainda permanecem referências para o gênero: nos últimos cinco anos, tivemos um disco experimental [‘Lulu’], uma bela bosta de um filme [‘Through The Never’]. E apenas uma música nova, ‘Lords of Summer’, que começa a ser vendida em vinil essa semana. Isso, por qualquer padrão, é um resultado terrivelmente pobre para um grupo criativo.
Mas a verdade dura e desconfortável é que, nos dias de hoje, o Metallica não é mais de fato uma banda, mas sim o grupo de detentores de uma marca de milhões de dólares. O co-empresário do quarteto, Cliff Burnstein, admitiu efetivamente tal fato em uma entrevista de 2001 concedida ao Wall Street Journal. "Somos um produto de exportação dos EUA tal qual a Coca-Cola o é", ele declarou na lata. "Procuramos pelos melhores mercados para irmos". E quando a corporação toma um tombo financeiro – como tomou tanto com ‘Lulu’, que não vendeu nem 35 mil cópias nos EUA, e ‘Through The Never’, um filme de 30 milhões de dólares que não arrecadou nem 8 milhões nas bilheterias – esses rombos precisam ser cobertos. Vamos lembrar que Taylor Swift é a única artista a ter um disco que vendeu mais de um milhão de álbuns nos EUA em 20114, e não precisa ser um professor de economia para entender que o balanço contábil da empresa não vai entrar no azul com um novo disco do Metallica, mesmo que seja a melhor coisa que James Hetfield e Lars Ulrich já tenham gravado na vida.
Assim, por favor, enxuguem as lágrimas. O Metallica não se importa com seus fãs ‘de verdade’? Adivinha? Eles nunca se importaram. 14 anos atrás, Lars Ulrich disse a esse autor, "Um dos conceitos mais errados que existe sobre o Metallica é essa coisa toda de que ‘estamos fazendo isso pelos fãs’. Não, não estamos fazendo merda nenhuma pela porra dos fãs, estamos fazendo isso por nós mesmos."
Esqueçam do novo disco, claro que o Metallica está vindo em nossa direção de novo. Claro que vão. Não porque eles sintam falta da querida Inglaterra, ou porque eles tenham alguma ligação emocional com um festival que há muito parou de dar importância aos fãs de metal, mas simplesmente porque está na hora de encher os cofres de novo. E então mais uma vez, James Hetfield irá subir ao palco de um festival bretão, apoiado por um setlist que quase não tem nenhuma música escrita nesse século, e falar sobre o quão importante e especial a ‘família’1 Metallica é. Nisso ele está sendo bem sincero, mas não vamos nos enganar: a essa altura, a ‘família’ Metallica não são os pobres coitados de camisa preta fubenta com a capa de ‘Master Of Puppets’ sob a chuva do verão inglês, mas sim os leais empregados da corporação, desde os membros altamente capacitados da equipe que ficam no arreio para ficarem sentados em suas bundas por nove meses por ano, até os faxineiros esvaziando as cestas de lixo nos escritórios da Q Prime em Nova Iorque, Londres e Nasvhille. Tudo o que você é para eles agora é uma carteira ambulante.
Então… bata o cartão… ‘Hit The Lights’… e bata o cartão de novo ao sair. Obrigado e até logo, Inglaterra, vejo vocês no verão que vem. O Metallica ama vocês!
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