Queen: Adam Lambert é o homem certo para a banda?

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Por Danilo F. Nascimento, Fonte: Classic Rock, Tradução
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O portal "Classic Rock", divulgou recentemente uma opinião sobre a recente empreitada de Brian May e Roger Taylor, que juntaram-se ao ex-American Idol, Adam Lambert, e caíram na estrada.

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O texto a seguir fora retirado do portal ora mencionado e não reflete a opinião do redator e/ou editores do site.

Adam Lambert e o Queen foram feitos um para o outro. Ele é o cara certo.

Lambert possuí uma voz incrível, e ele consegue cantar o material da banda sem tentar imitar Freddie Mercury. O músico consegue imprimir as suas próprias características nas canções da banda, sem depreciá-las. Além disto, Lambert parece possuir uma ótima química com Taylor e May no palco.

Então por que os fãs estão desapontados?

Em fóruns da banda, ou até mesmo no Facebook, podemos nos deparar com uma torrente de comentários ácidos e abusivos. Os fãs não admitem um artista pop revestido de astro do rock. Para estes, Lambert não é digno de fazer parte de uma banda icônica como o Queen, pois ele profanará a memória de Freddie Mercury.

Mas eles não poderiam estar mais errados.

Em primeiro lugar, o Queen não é a primeira, e nem será a última a alterar o seu line-up após uma perda trágica. Podemos lembrar do AC/DC ou do Alice In Chains.

Ah, mas William DuVall e Brian Johnson são músicos autênticos, diriam alguns.

Fãs do Queen, acostumados a sofrer com musicais como "West End" e "5ive covers" apresentam um verdadeiro acesso de raiva só de ouvir a palavra "American Idol". Mas os tempos mudaram desde o primeiro dia em que o reality teve a sua estréia nos Estados Unidos.

Os participantes do American Idol são músicos profissionais, a procura de uma oportunidade. Andre do reality show, Adam Lambert já atuava em corais e musicais conceituais no teatro. O músico é multi-instrumentista, e além de ter tido as suas próprias bandas de rock na adolescência, participou de gravações de estúdio de inúmeros artistas, fazendo desde backing vocais à melodias no piano.

A sombra de Freddie pesa, e para os fãs ele é insubstituível.

Mas lembremos de Brian Johnson no AC/DC. Muita gente se esquece, mas a sua contratação foi duramente criticada. Mas nove álbuns mais tarde, ficou provado que Johnson era o cara certo.

Para os fãs mais jovens, que nunca viram Freddie ao vivo, ele foi elevado ao status de ícone, substituí-lo parece tão absurdo quanto tentar substituir Hendrix ou Cobain. Para os mais velhos, a ideia de que um vocalista jovem poderia vir a competir com suas boas lembranças dos tempos áureos da banda, é algo impensável.

Por isto, muitos fãs prefeririam ver Paul Rodgers à Adam Lambert. Rodgers é da velha geração, têm "pedigree". Fãs mais velhos se sentem mais confortáveis sabendo que verão Rodgers em cima do palco, pois todos já sabemos do que ele é capaz.

Não importa se Rodgers sempre pareceu desconfortável e deslocado no Queen, e muito menos se ele não consegue fazer o que Adam Lambert faz em Killer Queen, por exemplo. Para os fãs, é mais confortável ter alguém da velha guarda ali.

Adam Lambert não está imitando Freddie, mas, definitivamente, eles fazem parte da mesma órbita, uma órbita que não inclui Paul Rodgers.

Sim, Adam Lambert é o vocalista adequado para o Queen, e a razão para a banda ter levado tanto tempo para encontrar um substituto de Freddie é simples: para cantar no Queen, você precisa de uma voz majestosa, uma presença de palco magistral e uma sensibilidade teatral único, atributos que só Adam Lambert conseguiu preencher.

Artistas como Lady Gaga, Matt Bellamy ou George Michael também poderia ser bons substitutos, mas já são consagrados, já têm suas próprias carreiras, eles não precisam do Queen.

Mas espera um pouco. Lambert também não precisa do Queen. Seu último álbum ficou em primeiro lugar nas paradas norte-americanas e suas turnês como artista solo, lhe renderam milhões.

É, o Queen encontrou alguém com um arsenal único de habilidade, que está preparado para fazer parte de um grupo coordenados por roqueiros da velha guarda. Apenas por amor ao material da banda, é apenas por isto que ele está lá.

Mas a situação é perigosa. Muita gente critica o fato de Lambert executar apenas os sucessos da banda ao vivo, diferentemente de Brian Johnson no AC/DC, que já fora direto para o estúdio gravar. E isso é algo que a banda têm de se preocupar, caso contrário correrão o risco serem covers de si mesmos, ou seja, fazerem turnês apenas para relembrar os dias de glória do passado.

Espero ansiosamente por um álbum com Adam Lambert nos vocais. Ao vê-lo no palco, alcançando as notas mais altas do repertório da banda, me sinto determinado à conceder um segundo fôlego para a banda, dar-lhes uma segunda chance, acho que ainda há algo de bom para se mostrar. É uma pena que alguns velhos idiotas de mentes fechadas não possam ver a situação desta forma.

Se você odeia a ideia de ver uma banda seguindo em frente, tudo bem, está em seu direito, é justo. Mas fique com as suas memórias e lembranças do passado e não impeçam a banda de ir adiante. Você não é um guardião do legado da banda, você não têm direito de fazer quaisquer exigências acerca da banda. A banda não é uma democracia, é uma monarquia e você não manda nela. Vida longa ao Queen.

O autor do artigo é o jornalista Stephen Graves.

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Sobre Danilo F. Nascimento

Administrador por casualidade. Músico por instinto. Escritor por devaneio. Fascinado por música, literatura e cinema. Seu primeiro contato com o mundo do rock data de meados dos anos 90, uma época de transição entre o analógico e o digital, e, principalmente, uma época onde a MTV ainda era aprazível e relevante. Idolatra e cultua o legado instituído pela maior banda de todos os tempos, o Queen.

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