Nova Friburgo: celeiro de bandas na serra fluminense - parte 2
Por Antônimo Singular
Fonte: Site Cultura NF
Postado em 04 de fevereiro de 2015
Considerando toda a história que Nova Friburgo tem com a música, conforme citada na parte 1 deste texto, encontrada no link abaixo, vendo o potencial dos artistas locais, a presença de plateia potencial para o ramo e a existência de diversos serviços e atividades que compõem a cadeia produtiva da música (artistas, produtores, estúdios de ensaio e gravação, luthiers, fabricantes de equipamentos, lojas de instrumentos, escolas de música, casas noturnas, empresas fornecedoras de sonorização, iluminação e palco, além de gráficas, rádios, TVs e etc.), constatou-se que Nova Friburgo era o lugar ideal para construir uma cena de música independente sólida. As peças da cadeia produtiva estavam todas presentes, porém desarticuladas e desmotivadas. Era preciso meter a mão na massa e articular o cenário local.
Depois de várias ações de diversos grupos (inclusive com shows de grandes nomes), onde as bandas independentes sempre tinham um espaço de destaque (e em especial as bandas com trabalho autoral), em 2010, alguns músicos independentes de Nova Friburgo fundaram o COLETIVO SERRA ELÉTRICA – o qual se tornou o principal articulador da música independente na região e o primeiro coletivo do interior do estado do Rio a participar da rede internacional chamada de CIRCUITO FORA DO EIXO. Hoje, o coletivo atua além da música, abrangendo outras linguagens artísticas e ações culturais, mas a música independente ainda é o seu principal ramo de atuação.
Obviamente, não foi apenas o COLETIVO SERRA ELÉTRICA quem construiu o cenário atual. Esta construção é um movimento espontâneo. Ele surge porque há diversos atores em cena e participando ativamente desta construção. Mas o COLETIVO SERRA ELÉTRICA foi um catalisador destes atores e um grande combustível para a cena. Em 2010, tínhamos 02 ou 03 bandas de rock com repertório próprio e mais umas 04 ou 05 bandas cover realmente ativas na cidade. Depois de 04 anos de trabalho focado em abrir espaços para a música autoral, depois de fomentar apresentações de mais de 50 bandas independentes de vários lugares do país, hoje fazemos parte da rota que bandas de diversos lugares seguem e podemos contabilizar no mínimo umas 27 bandas locais rolando ativamente.
Sendo que destes grupos, pelo menos 09 conjuntos/artistas são completamente autorais e estão em plena atividade – apresentando-se frequentemente –, há mais 08 outras bandas também autorais (no mínimo) – embora não tão ativas, com apresentações bem esporádicas – e mais de 10 bandas cover. Ainda conseguimos contar pelo menos 07 bandas que têm integrantes vindos daqui – que foram buscar espaço em outras cidades e estão em plena atividade lá, frequentando a cena local de vez em quando – e mais umas 03 ou 04 bandas que não têm integrantes friburguenses, nem são formadas/sediadas aqui e estão frequentemente circulando na área. Isso tudo sem fazer pesquisa; só cutucando a memória rapidamente. Se houvesse um trabalho sistemático de mapeamento, esses números poderiam crescer.
E se começarmos a falar sobre a diversidade de estilos e estéticas musicais, este texto dobra de tamanho. A variedade é bem grande, embora as vertentes e/ou influências do rock ainda sejam maioria. Desses grupos todos, talvez um terço já esteja bem redondo, com trabalhos que estão praticamente maduros, e o restante está a caminho, no mesmo rumo e a passos largos. A cidade tem todos os pré-requisitos para se tornar uma das maiores referências do país nesta linguagem artística. Sua localização geográfica (bem no centro do estado do Rio de Janeiro) favorece sua interação com todos os pontos do estado e alguns pontos de outros estados, fazendo com que se torne estratégica na formação de circuitos de música. Além disso, Nova Friburgo já exerce um papel de centro irradiador na região serrana.
O momento atual demanda basicamente engajamento e investimento. Engajamento para sistematizar e organizar as ações, os profissionais e a rede produtiva de maneira mais eficiente e profissional. E investimento para aumentar o fluxo de capital neste circuito, possibilitando seu desenvolvimento. Como já dissemos, as peças da cadeia produtiva estão todas presentes, porém desarticuladas e desmotivadas. É preciso meter a mão na massa e articular o cenário local. Independência é o norte.
No próximo artigo, concluo esse assunto!
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