Andreas Kisser: Escolheu sair? Vai fazer seu trabalho. Deixa a gente em paz
Por Bruce William
Fonte: Brasileiros.com.br
Postado em 19 de junho de 2015
A Brasileiros.com.br bateu um papo com Andreas Kisser, um dos dois remanescentes da chamada "formação clássica" do Sepultura juntamente com o baixista Paulo Jr., e guitarrista responsável por discos clássicos do metal mundial como "Beneath the Remains", "Arise", "Chaos AD" e "Roots", sendo que o último contou com o vocalista Max Cavalera, que saiu em 1996 e foi seguido uma década mais tarde pelo irmão Iggor Cavalera – hoje, eles tocam juntos no Cavalera Conspiracy, que toca muitos sons do Sepultura nos shows. Veja a entrevista completa no link a seguir e alguns trechos mais abaixo.
Você acha que rola uma perseguição desde sempre com o Sepultura, de sempre achar um motivo? Hoje ainda tem gente que reclama por não ter mais os Cavaleras, mas bandas como Napalm Death não tem mais ninguém da formação original e a gente não vê ninguém reclamando por aí.
Acho que rola um pouco. Acho que o Green Day e o U2 ainda tem os mesmos caras na banda, o resto…Tudo mudou, mas só o Sepultura que não pode mudar. Mas isso é coisa de choradeira de viúva, sabe? Neguinho que sai porque quer e depois fica chorando. Não sabe resolver a vida e depois fica falando: "Aquilo é meu, aquilo é meu". Meu, escolheu sair? Vai fazer seu trabalho. Deixa a gente em paz. Não foi escolha minha ter te tirado da banda. Nem pelo nome os caras brigaram. Então não tem o que reclamar. E aí fica chorando, fica falando: "Ah, tinha que ser isso, tinha que ser aquilo. Só eu isso ou só eu aquilo". Putz, enche o saco, velho. Então o fã fica acreditando em um monte de história da carochinha de um bebê chorão que tá completamente arrependido do que fez. Mas a gente tá acostumado. Tenho certeza que o Van Halen passou por isso também. Até o Iron Maiden. Mas a gente não tinha toda essa informação na época. Muito menos de assistir show dos caras. Mas eu lembro que o Bruce Dickinson passou por várias coisas quando o Paul Di’anno saiu. A primeira turnê foi bem difícil para os caras. Mas enfim, é um caminho que a gente tem que percorrer e a gente não entrou nessa ladainha de ficar respondendo pela imprensa. Tipo "ele falou isso, então eu vou falar aquilo". A gente muito mais o que fazer, a gente tá vivendo, a gente não tá sofrendo. A gente tá limpando a casa, tirando os ratos e as baratas de frente e deixando o ambiente limpo pra gente seguir em frente de cabeça erguida. Aqui a gente não tem vergonha de nada e estamos aqui por que a gente ama o que a gente faz. A gente não tá enganando ninguém, não tem fórmula. A fórmula é simplesmente amor mesmo, não tem outra maneira de descrever. E os fãs também…problema deles se quiserem sofrer, ficar bravo, cada um tem boca e cérebro pra falar o que quiser. Respeito qualquer tipo de opinião, respeito mesmo. Só não concordo com todas, obviamente. Mas você tem todo direito de falar aquilo que você quiser. Mas enfim, tem fã também que chega e fala: "Faz tempo que não vejo vocês, agora que peguei pra ouvir o Against, puta disco legal". Tem muito daquela nuvem, daquela modinha, do tipo: "Nossa, mas você tá escutando os caras?" E aí você cresce e vê que tudo aquilo era um monte de idiotice, que você precisa gostar das coisas por você, nas pelas outras pessoas. Eu gosto de Metallica, mas também de Beyoncé, de Lily Allen, foda-se (risos). É música, eu curto. E eu não preciso ser o cara que está usando a máscara de metal sempre.
Voltando ao que você falou sobre as declarações mais pesadas do Max e do Iggor na imprensa. Você acha que isso dificulta que vocês pelo menos voltem a ser amigos?
Ah, eu não penso nisso, cara. Eu não tenho vontade… Ou eu não trabalho para isso. Acho que essas coisas tem que ser naturais. Eu não trabalhei nada para ter a amizade deles na primeira vez. As coisas apenas aconteceram. Não tem que forçar nada. As coisas acontecem porque acontecem e a gente tem que lidar com as consequências. A gente lidou com as nossas e eles com as deles. E o que eles falam é igual a qualquer outro fã, é uma opinião. Eu respeito a opinião deles, eles tem direito a qualquer opinião, mas não concordo, só isso. Deixa falar, meu. Tem boca, fala.
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