Ghost no Grammis 2016: um prêmio merecido e uma leitura
Por Rodrigo Contrera
Postado em 13 de agosto de 2016
Há muitos anos que uma apresentação de banda em premiação (no caso do Grammis 2016) não me afetava tanto quanto esta da banda Ghost. A música é boa, sim, e é que nem chiclete, fica na mente; mas não é isso o que realmente ficou, e ora me causa admiração, ora me causa um certo pavor (porque a banda é realmente satânica, e eu me reconverti ao cristianismo recentemente). Vou tentar lhes explicar o que acontece.
Irei me basear no vídeo da apresentação premiada, que está aqui:
Todos nós por vezes - ou vezes sem conta - nos sentimos joguetes do destino, ou, para quem acredita nisso, do diabo, do Belzebu, do Demônio mesmo. Como se não fôssemos donos de nossos destino, como se fôssemos meros brinquedos a ser tratados com displicência, como se nada fôssemos. Pois é assim mesmo que começa a música, mostrando atores fazendo as vezes de marionetes, enquanto lá atrás, numa tela perfeita, está ele, alguém que realmente conduz o jogo. O demônio. Claro, vemos apenas uma pessoa fantasiada, com um rosto de faces marcadas, fazendo as vezes de manipulador daqueles atores. Mas vemos mais. Porque ele mantém uma face incólume, nem sorrindo, nem sério. Como se estivesse fazendo aquilo para o que foi feito: como se fosse SEU destino. Pois o destino do Diabo é ser ele mesmo. Mesmo.

Daí os vocais começam e a gente se vê diante de um Papa com a Cruz ao contrário, cantando He is, de forma cativante, praticamente sem mexer os lábios, ao que parece sinceramente prestando tributos a Ele, o dono das vidas práticas, mas não das almas, aquele que parece nos dominar o tempo todo, e o nosso destino, fazendo com que nos reviremos, tentando viver, tentando tocar nossas vidas, sem sucesso. Pois quando aparecem as guitarras em solos em duo vemos as figuras (os atores marionete) simplesmente voando pela vida, caindo e se tornando meros joguetes, na realidade. E com um detalhe bastante representativo: uma camada de vermelho por cima de seus corpos, como se fosse o Inferno a ditar as regras da vida real.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | Confesso-lhes que eu tremo quando vejo tudo isso. Porque é muito forte, sim, e muito cativante. E temos tendência a cantar aquilo, quando aquilo simplesmente diz: o dono das vidas, aqui na Terra, não é Deus, não, meus caros, é o Belzebu, mesmo, o Deus mau dos gnósticos. Daí a força de tudo, que porém diminui quando vejo entrevistas de Ghouls da banda, e mesmo do próprio Papa destes anos (que antes foi outras pessoas). Claro, a banda já teve outras formações, e outras caras, com outras máscaras e tudo mais (especialmente na premiada Cirice). Mas nesses momentos a banda não me causa arrepio.
Mas nesta apresentação, premiada, me causa. É forte. Ainda mais para mim.
Espero que tenham apreciado.

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